EdLua.Artes

EdLua.Artes
Blog mantido por Lua Rodrigues e por mim. Trata de Artes, Eventos Culturais, Filosofia, Política entre outros temas. (clique na imagem para conhecer o blog)

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Medo, Nunca Mais! - Infinitivos: Onde Tudo É Possível



Medo, Nunca Mais!

Medo, nunca mais...

Eu disse nunca mais,

Nunca mais entrarás em meu coração!

Nunca mais reinarás!

Nunca mais me fará prometer coisas

Que para mim são impossíveis de se cumprir

Medo, afasta as garras de mim!

Nunca mais sentirei medo

De escrever meus versos!

Medo de mim mesmo é um passado sem volta!

Medo de tudo e de todos, agora inexiste!

Medo, tu não atrapalharás meu amor!

Não me separarás das pessoas!

Não me impedirás de olhar nos olhos!

Não me fará perder beijos e abraços!

Não impedirá minha existência plena!

Nem sequer habitarás o meu futuro

Porque vivo do presente!

Nem sequer tens um quarto no escuro

Da minha alma!

Desaproprio-te de minha voz

De minha mente, de meu ser inteiro!

Desaproprio-te agora e pra sempre!

Chega de ficar preso a ti,

Chega de perder os melhores momentos de minha vida!

Chega dessas mortes lentas,

Desses passos em círculo

Diante da vida e do infinito!

Chega de tremer, pulo do precipício de olhos fechados!

Com Coragem de quem Vive, voa, dança, canta e Ama

A vida com todo seu resplendor!

Tu, Medo, estás sem armas, e sem voz, e sem discurso!

Leva contigo essa infelicidade,

Essa fragilidade,

Essa desconfiança!

Coragem, Vida e Amor, apropriem-se de mim!

Porque agora começo a VIVER de Verdade!

Medo, Nunca Mais!

Edgar Izarelli de Oliveira

............................................................................................................

Boa noite, galera! Hoje eu vim dar uma palhinha do que será o lançamento de Infinitivos - Onde Tudo É Possível que, só para reforçar o convite, será no dia 27 de agosto, às 15:00 horas, no pavilhão do Parque Francisco Rizzo, no Embu das Artes.

A grande novidade é que ocorrerá um sarau.

Como podem verm já estou praticando a arte de recitar poesia. Prometo recitar no mínimo duas. "Medo, nunca mais", ao meu ver, é o ápice; a poesia que mais vai causar impacto. Sua posição central mp corpo do livro diz muito, embora, claro, as poesias bases desse novo trabalho sejam outras... As poesias bases são aquelas a partir das quais eu monto a obra, aquelas que dão o título ao livro e, na teoria, seriam as mais importantes. Nos meus livros , porém, tem acontecido um fato curioso. as poesias base estão ocupando um papel de coadjuvante ou de protagonista externa. Do livro "Essência" a poesia que realmente marcou foi "Aquela foto". De "Passos Sobre Passos" foi "Abril 2008" e "Ambição". Dessa vez, eu aposto nessa ai acima. Vamos ver o que a crítica vai dizer.


Agradeço meu tio Isac da Costa pelo video.


Um abraço

Ed


domingo, 7 de agosto de 2011

Repost de Desnickado (coisa séria)





PL 84/99. Ja ouviu falar nele ? É um projeto de lei que visa “regulamentar” o uso da INTERNERT no Brasil, mas como toda boa lei brasileira, ela é nos foder.

O PL84/99 com a fachada de “regulamentar o uso da internet no Brasil” quer acabar com a liberdade que ainda temos nesse meio. Lá está dito que eu poderia utilizar nenhum dado de outra pessoa sem autorização. Quer dizer, eu não poderia utilizar essa imagem ai acima sem encontrar quem a fez e pedir uma autorização, com pena de detenção até UM ANO.

Se eu baixar uma música, a pena é de até 2 anos e ainda tem uma multa….
Isso sem contar que os sujeitos ainda querem acabar com o anonimato na internerd.

Então, vamos nós assinar uma “listinha de abaixo assinado”, enviar um email para o deputado em questão, depois dizer para o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor [IDEC] que não estamos contentes.

Segue os links:

Abaixo assinado via AVAAZ
https://secure.avaaz.org/po/save_brazils_internet
[preencha os campos do lado direito da pagina e clique em enviar]

Petição via IDEC
http://www.idec.org.br/campanhas/facadiferenca.aspx?idc=24
[preencha os campos com estrelinha do lado direito e clique em enviar]

Texto completo do Projeto de Lei 89/99
http://www.brdatanet.com.br/infocenter/biblioteca/pl8499.htm

Eu, seu vizinho e meu futuro filho agradecemos sua colaboração.

[]‘s

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Convite para Lançamento em Embu

No sábado, dia 27 de agosto, o poeta e escritor Edgar Izarelli de Oliveira lançará sua mais recente obra poética “Infinitivos – Onde Tudo É Possível”, no pavilhão do Parque Francisco Rizzo, Embu das Artes, às 15:00 horas e convida a todos para prestigiarem uma tarde de muita arte.

O novo trabalho visa causar uma profunda reflexão sobre a vida e seus valores. Para tanto, contando com 33 poesias, a maioria de cunho filosófico, o livro busca, num primeiro momento, aproximar-se gentilmente do leitor com poesias que, utilizando uma linguagem mais afável, tenta chamar atenção do leitor para o valor do instante. Num segundo estágio, as poesias ganham intensidade, se tornando mais sérias e mais intimas, embora algumas tratem da realidade crua, ainda que vestida com um certo grau de cuidado. O autor também se utiliza de outros recursos para dar a reflexão desejada, recorrendo, em primeira estância, às formas diversificadas como meio de choque visual. Certamente, é uma obra que busca unir o novo ao antigo, o inovador ao conservador, em um jogo de contrastes muito envolvente e real.


Por favor, ajudem a divulgar!

Abraços,

Ed

domingo, 31 de julho de 2011

Uma poesia de Esperança

Pequenas Poesias da Esperança

Edgar Izarelli de Oliveira


E me surpreendi ao abrir a janela do quarto

Depois de uma noite de finas garoas e firmes abraços...

Parece que a tempestade durou mais que o previsto,

Mas as gotas leves do inverno abrandaram um pouco os traços;

As feições do tempo e da distância parecem continuar a improviso

Numa cena já mais suave e, com certeza, mais bonita e com mais sorrisos,

Aquilo que a fúria e o desespero haviam inundado.

E parece que a fé dos sobreviventes finalmente chama a estrela para o palco.

Te chamo para assistir, acolhida nos meus braços, a um céu nublado.

A estrela, discreta e tímida, ainda se esconde entre algumas dúvidas e mágoas,

Ainda parece não saber se sai ou não para nos dar o paraíso,

Para mudar o destino e anunciar o fim das águas...

Mas seus raios de luz já nos provam que ela existe e parece disposta a perdoar.

É seus raios de luz, ainda inconstantes, já me mandam pequenas poesias da esperança,

Enquanto iluminam nossos olhos e a as terras encharcadas...

Te fazendo derramar em meu ouvido a voz fluida do amor, líquido sagrado da vida,

Inspiração maior para tudo que eu já vi a fé trazer e a poesia cantar!

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Engaiolado -poesia nova

Engaiolado




Edgar Izarelli de Oliveira







Hoje, caminhando uma caminhada reflexiva,




Me deparei com as grades azuis de uma creche...




E, sem que me desse conta, me agarrei a elas procurando o melhor ângulo.




Algo lá dentro me chamou e eu encostei o rosto,




Olhando nos quadradinhos regulares da grade. Do outro lado:




Crianças brincavam no gira-gira, corriam, gritavam, caiam, apostavam corrida em triciclos.




Alguns minutos se passaram e eu parecia um amante dos pássaros.




Observava as criaturinhas engaioladas com um olhar de pena e a expressão serena,




Mas as criaturinhas continuaram a brincar sem nem notar a minha existência e persistência...




De repente meu olhar ganha desejo e perde penas e pernas.




E ai, eu já não sei se a inocência prende ou liberta,




Mas eu é que pareço prisioneiro das desilusões do mundo,




Olhando passarinhos voarem despreocupados no céu nublado de um dia qualquer.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Mais um pensamento (diante de uma descoberta)

A vida é uma imensa ironia muito bem construida sobre a teia má das interpretações errantes. Uma mesma frase pode causar riso, choro, desconfiança ou raiva, mas sempre acaba com sugestivas reticências, chaves de portas amplas...

sábado, 9 de julho de 2011

Conto de Fadas?

As Rosas do Amor
Edgar Izarelli de Oliveira

Eu ouvi, uma vez, essa história antiga e quero repassar suas mensagens secretas a todos que se perguntam, assim como eu: afinal, o que significa o amor? Loucura ou devoção?

Há muito tempo atrás, numa época, mais nobre, em que cultivar flores era considerado arte maior, pois que havia tamanho carinho pela vida e suas belezas que era impossível considerar belo algo que não pudesse ser apreciado com todos os sentidos, havia também um homem capaz de cultivar qualquer flor, um nobre jardineiro (nobre mesmo, de brasão folhado a ouro fechando a capa e tudo) capaz de não só cultivar, mas também criar novas variedades de plantas cada vez mais maravilhosas. Era mesmo um magnífico trabalho.

Esse jardineiro morava num pequeno castelo, nos campos próximos a uma grande floresta que todos achavam ser lar de uma das mais terríveis bruxas do mundo, um lugar quase deserto, mas só ali encontrave-se a terra fértil de que precisava, por isso não era de se estranhar que fosse um tanto quanto recluso e solitário. Os poucos amigos que freqüentemente se maravilhavam com as flores eram camponeses e mercadores. De vez em quando, algum nobre da corte real, de passagem por aquela cercania, via de longe o castelinho e vinha ver a quem pertencia. Estes últimos sempre lhe diziam para expor suas obras de arte para a nova realeza, afirmando que lhe seria consagrado o posto de Jardineiro Real, mas ele sempre ignorava; dizia que as terras da corte não davam flores bonitas e ficava ali, dia-a-dia dedicado a suas flores.

Eis que um dia, ao acordar de manhã e sair ao jardim, encantou-se ao ver uma mulher admirando suas obras de arte com a delicadeza campestre de que tanto gostava, as roupas mostravam que ela tinha certa posse material, mas era simples de coração. O único detalhe que a tornava desagradável aos olhos dele, era o que certamente movia muitos olhos cobiçosos para ela, o atestado de sua perfeição. Além da beleza sutil, da simplicidade, das boas roupas, havia o brasão da Família Real em ouro maciço entre seus seios. Era uma princesa que, de tanto ouvir rumores sobre um floricultor fantástico em seu reino, fora averiguar com seus próprios olhos e, agora maravilhada pela beleza e saúde das flores, pedir para que ele lhe desse uma flor.

O jardineiro, calado, ia pegar uma rosa vermelha, mas a princesa o impediu, alegando que rosas ela já conhecia todas. Ela queria algo feito só para ela e queria acompanhar a criação. O jardineiro, apontando para um canteiro de plantas sem flores, disse que aquelas eram as melhores flores que ele já tinha feito para uma nobre antes. Infelizmente só abriam de sete em sete anos, durante um único dia do início do outono e só crescia ali na cercania, por isso tinha se mudado da corte e perdido sua dama nobre para um cavaleiro sanguinário que estava mais presente.

Mostrando um outro canteiro, onde se viam flores murchas, ele explicou que havia amado mais uma vez; uma garota do campo que adorava lírios, e ali estavam os lírios tristes da morte súbita por envenenamento que a levou no dia em que iam se casar. Os lírios floresceram durante a primavera tão felizes, mas, com as primeiras chuvas de verão, eles murchavam e ficavam tristes e vazios.

Depois que ela viu o resto do jardim, todo florido e cheio de vida, se lembrou que já era final do outono; perguntou ao jardineiro pra quem eram todas essas flores que ainda estavam abertas, ao que ele respondeu “para as virtudes e emoções de um homem sofrido”, ela entendeu. As flores eram a companhia feminina dele. E soube que seria impossível ganhar uma flor a troco de riqueza ou poder, o que ele queria e precisava era uma mulher. Mas já não fazia diferença por que ela, conforme contou a ele, também já tinha sofrido muito por amor e só queria um homem que não a quisesse por dinheiro e poder, mas, sim, por ela mesma.

E fizeram um trato. Se ela provasse que era digna de uma flor, ele faria tudo pra conseguir uma que abrisse todos os dias durante todo o ano e fosse tão linda quanto ela. E se ele conseguisse essa flor, os dois se casariam.

A princesa decidiu ficar ali já que ele precisava daquela terra para cultivar suas flores. Durante todo o inverno, os dois cuidaram juntos pra que as plantas não morressem de frio. Com os primeiros raios de sol da primavera, veio a ele a idéia da flor que faria sua princesa suspirar de amores. Seria uma trepadeira de pétalas macias que exalassem um perfume não muito forte, de coloração branca com manchas rosas bem quentes, em forma de rosa.

Com a ajuda da princesa e da engenharia botânica foi fácil conseguir a tal semente e plantá-la no jardim. A planta criou raízes, cresceu, ganhou folhas e botões, mas durante um ano as flores não abriram. O inverno chegou de novo e aquela planta foi protegida do frio com mais cuidado e atenção que todas as outras. Na primavera, algumas flores estavam fracas e doentes, assim como alguns aspectos da relação de casal. O jardineiro então, concertou o erro, começou a cuidar de todas as plantas igualmente, e pediu para que a princesa ficasse mais um ano com ele. Certamente a florzinha se abriria. Vendo aquele jardim ficando bonito e vivo novamente, ela decidiu ficar, mas não sem antes refletir alguns dias.

Mais um ano se passou e a tal flor não abriu apesar da planta estar cada vez mais bonita e forte, cobrindo todo o muro do jardim com botõezinhos brancos. Era tão bonito que a princesa decidiu que não precisava da flor pra se casar com um homem que a fazia tão feliz, mesmo numa vida campestre que ela nunca sonhara ter.

Se casaram e foram muito felizes durante um certo tempo, depois todo o amor que ele dedicava ao jardim foi deixando a princesa enciumada e nostálgica de homens que lhe davam toda a atenção sempre e sempre. O jardim já não tinha mais tanto encanto. Um dia, logo ao despertar, eles brigaram e, num ataque de raiva, ele se armou de uma tesoura de jardinagem e saiu ao jardim com a intenção de cortar a planta que havia feito para ela. O dia estava raiando e, ao ver o jardim brilhando de orvalho que parecia chorar daquela intenção mesquinha, ele parou pra respirar e observar toda a beleza daquela manhã de tormenta.

O jardineiro reparou que haviam pequenos insetos dourados voando, aos pares e freneticamente, ao redor de todas as flores ainda fechadas. Achou muito estranho nunca ter visto aqueles insetos e se aproximou para ver melhor. Não eram insetos. Eram pequenos serezinhos semelhantes a anjos de orelhas pontudas que espalhavam um pó colorido nas plantas que começavam a abrir. Como faziam também as fadas e os elfos na floresta próxima a mando de um grande mago bondoso. Era o pó da fertilidade que dava tanta vida à terra.

O jardineiro impressionado, percebeu que depois de cumprirem sua missão, os pequenos anjinhos iam para a floresta. Seriam fadas? Só então olhou para a trepadeira de seu amor. Havia uma daquelas criaturinhas, já sonolenta, fechando as rosas em botão para que estas dormissem. O jardineiro olhou aquilo com muita atenção. Quando o sol saiu totalmente detrás das montanhas, a última rosa se tornou um botão e o resto do jardim floresceu. Era o primeiro dia primaveril, totalmente aberto e receptivo ao amor.

O jardineiro largou toda a maldade do corte brusco de rosas tão lindas e, naquela noite, teve todo o trabalho de manter sua princesa acordada, ainda que ela estivesse de cara fechada e inóspita ao seu abraço mais amoroso, só para presenteá-la com as rosas do sentimento, finalmente abertas, e uma frase sábia e romântica:

“Hoje eu percebi que nosso amor, exatamente como as rosas que o demonstram, só pode ser apreciado em seu máximo esplendor quando todas as outras virtudes estão dormindo. Fica muito mais visível e bonito assim, do contrário seria só mais uma flor no meio do jardim. Quer se casar comigo, minha princesa?”

E, como terminam os contos de fadas, cheios de metáforas e portas escondidas... Afinal. eles foram felizes para sempre, apesar de, às vezes, brigarem e terem que ficar um pouco longe um do outro! Acontece... Vai se fazer o que? É impossível evitar o inverno, mas é possível cuidar do jardim. E nós, seremos felizes?

domingo, 26 de junho de 2011

Poesia, apenas...

Choro de Adulto

Edgar Izarelli de Oliveira


Sou poeta.

Choro por tudo.

Cada poesia minha

É choro, é lágrima,

Fluxo inacabável de emoções

Escorrendo devagar

Até tomar forma de versos.


Sou mesmo sentimental...

Sinto tudo profundamente, logo existo.

Eu me orgulho de saber chorar,

Já que admito minha humildade humana,

Minha condição frágil e inconstante,

Minha participação na vida:

Tudo é choro ou, ao menos, deveria ser...


Não choro somente a tristeza,

Lágrimas tristes não têm a minha exclusividade,

Embora sejam as mais frequentes nessa época doída e doida.

Choro o medo, a angústia, a esperança, a gratidão, o carinho, a decepção, o recomeço,

A vitória, a derrota, o impasse, a chegada, a sorte, a despedida, o azar, o riso da ironia,

O desespero, a insegurança da mudança, a doença e sua cura, a dor, a noite, o dia,

A culpa do erro, a responsabilidade da sinceridade, a solidão, a perda, a conquista,

O tempo que não passa, o tempo que passa rápido, o segundo, a eternidade,

E o milagre da reviravolta que ainda pode acontecer com uma colher de fé a mais.

E quem nunca chorou de felicidade, de saudades ou de amor?


Dizem que homem não chora, que vergonha!

Homem que chora é adulto que assume suas emoções.

Homem que não sabe chorar é mentiroso que só fala que sente,

Mas, no fundo, não sente coisa nenhuma;

Ou é criança, medrosa, que ainda não está pronta pra viver.

Por isso, eu assumo todas as minhas lágrimas,

Até as que não têm razão ou sentido.


Mas há, na vida, acontecimentos que roubam, de nós, a correnteza...

Roubam lágrimas, sentimentos e choros inteiros.

Talvez, hoje, eu saiba que envelhecer

Exige que se faça de concreto firme e fraco

O homem que escorria feito mar em fúria que esculpia montanhas,

Versos leves em situações duras.


Certos choros, os mais bonitos, já sei que não escorrerão mais de meus olhos,

Certas poesias já se calcificaram dentro de mim e não mais chegarão ao papel.

Já endureci muito, mas espero que eu ainda seja um cristal sobre algum altar místico,

Não quero ser concreto quebrado de calçada pisada com força e impiedade.

Quero preservar ainda algo de líquido, nem que seja só a beleza aparente das águas,

Se eu ainda posso chorar de coisas belas, por que me prender a ser de pedra?

Quero voltar a ser poeta e, acima de tudo, chorar com a propriedade de adulto.

domingo, 12 de junho de 2011

Feliz Dia dos Namorados!

Good dawn, peoples! Vocês não acharam que um poeta romântico deixaria de homenagear essa data, né? É poesia antiga, uma das que anunciavam um estilo mais livre já no meu primeiro livro "Essência". Considero-a uma das melhores da minha vida de poeta. Se um dia alguém fizer uma coletânea de poesia e esta de hoje não estiver inclusa, é porque o seletor não conhece muito bem meu trabalho... Desconfiem! Ela se chama "Namorar" e à primeira vista pode parecer uma poesia de teste, um jogo de palavras simples e infantil. Sugiro que leiam duas vezes, no mínimo. Eu costumava brincar com ela, dizia que a menina que conseguisse me explicar o que ela significa, corretamente é claro, seria minha namorada. Ninguém nunca passou no teste. Quem quiser tentar a sorte... Mas o prémio terá que ser outro. Bom, chega de papo... Vamos namorar um pouco a poesia de um momento!


Namorar!

Edgar Izarelli de Oliveira


O mar!... a mar?

Amar o mar,

Amor ao mar!

O mar, mar, amar, amor...

Morar!!

Um amor, um mar... morar no mar,

Mar de amor !

No mar morar?? Namorar... morar no amor...

Um mar, amor, morar... namorar, morar num mar de amor !

Um mar, amor, morar.... um mar a murmurar

A moradia do amor, dia!

Mar a Mar, morar, dia de amar! Namorar, murmurar no mar!

Um amor de mar.... a namorar um amor, murmurar para amar!

Amor, amor, amor, a mor, mora, amora,

Na morada, mar de amor!

Namorada, mar de amoras??? Mar de amor, na morada!

Namorada ... namora na morada!

Namora, do mar o amor.... namorado, amar o amor!

Um amor mora num mar, murmura a namorar o amar!

Um mar, amar amor, namorar!

Um mar, um amor amar,

No mar de amor!

Dia do amor, um dia!

segunda-feira, 6 de junho de 2011

um pensamento de poeta da madrugada

Todo poeta se perde entre a realidade daquilo que escreve e a realidade daquilo que a vida real e concreta lhe oferece para viver; sem, nem por instante, ousar pensar que esse conflito de crenças surreais possa ser chamado de ilusão ou mentira. Poeta que é poeta não finge nada, apenas se desdobra entre as próprias vidas paralelas; coisa que todos devíamos fazer, pois é a única maneira de conhecer as possibilidades que temos nas mãos, sem que tenhamos que ignorar todas e ficar com uma só. Todo poeta é viajante de tempos, de espaços, de sentidos, de pontuações, capaz de abrir com uma palavra a fenda sacra das dimensões! Todo poeta é anjo de palavra a se cumprir, nem que seja somente a si mesmo!

terça-feira, 31 de maio de 2011

Para refletir enquanto acabo o conto.

Good Dawn, People... (boa madruagada deveria mesmo existir) ...
Hum... Seguinte, estou postando essa poesia por um motivo a mais do que minha consideração por ela... Estamos discotindo em outro blog, o blog da minha Rosa (alias ainda to devendo a Rose theory pra vocês), acerca dos efeitos do tempo e da dor na nossa vida... Ai me lembrei desta poesia, escrita a mais ou menos um mês quando descobri que a dor ajuda mais que atrapalha... Bom, pra quem gostava do Ed sentimental e romântico cho que vão se decepcionar bastante com a nova fase da minha "lírica", se é que dá pra chamar assim... Mas, de coração, espero que se não gostarem ao menos pensem nisso. Essa nova fase tem tendências a ficar bastante tempo comigo, intercalada com o romantismo mórbido do inicio do ano, pois uma provém da outra. Não esperem muito mais poesias como "Epifania" ou "Poesia Feliz" ou "Ninho das Certezas"... Bom, ai vai!

Carpen Nocten
Ed

Dor Amiga

Edgar Izarelli de Oliveira


Não sou masoquista...

Que bobagem! Sou poeta...

Pertenço à arte e dizem que o sofrimento inspira,

Mas, a verdade é que sou humano, não máquina de escrever!

Nenhum humano gosta de sofrer e não sou masoquista,

Mas a dor me trouxe tanta coisa boa...

Eu parei de lutar...


A dor me trouxe novas pessoas em novas experiências,

A dor me levou a novos lugares onde sou melhor recebido,

A dor me fez quebrar as regras e me soltar das correntes,

A dor me deu novos olhos e olhares, novos objetos de apreciação...

A dor inaugurou meus novos estilos, novos meios de me expressar!


A dor me ensinou tanta coisa que eu nem supunha existir,

Me mostrou o valor que eu tenho e o valor que as coisas têm...

Como as pessoas podem ser diferentes, como o silêncio pode ser barulhento....

Como a fome pode não significar muita coisa para quem tem carência de amor...

Como as circunstâncias, os pensamentos, as certezas e erros são coisas dúbias...

Como uma promessa quebrada pode machucar menos que uma jura cumprida...


A dor me ensinou a viver sem coisas completas, só com metades...

A dor me deu de presente uma lente de aumento,

Pude enxergar milimetricamente onde estão meus pontos fracos...

Mas perdi a capacidade de julgar o que é meu e o que sou eu...

Perder contornos e sentidos diluídos em lágrimas

Até que não é tão ruim quanto parece...


A dor que quase me matou foi minha salvação...

Foi meu casulo e meu fermento...

Apenas acho que cresci, mas a confirmação só daqui a algum tempo...

A dor me ensinou outros valores de fé, mas não foi assim tão tirana

E pude escolher o que fazia a minha esperança brilhar mais alto...


A dor me ensinou a construir e destruir defesas e ataques...

Deixando a mim apenas a sabedoria de, quem sabe, notar momentos certos...

Deixar meu templo aberto, meu livro sagrado aberto,

Mas eu, o grande mago, reservo uma hora para descansar...

E me mantenho vigilante dos meus segredos, minha vida, meu tempo...


A dor é sempre sábia, se sábia for a alma que vive...

É preciso ter a coragem de ver depois do choque

O que ainda pode se aproveitar dos cacos no chão...

E é preciso aguçar o dom da observação para perceber

As pequenas pétalas de vida desabrochando embaixo das cruzes do cemitério...

É preciso ter paciência para ver a beleza nascer

Depois dos sustos necessários da névoa da madrugada...

E, acima de tudo, a humildade de aceitar e agradecer até o que fere...


Eu agradeço, dor, minha nobre amiga, por me acolher e me aquecer...

E não deixar que meu coração endurecesse, virasse gelo eterno!

Agradeço, dor, por tudo, do fundo de um coração que já gritou muito,

Mas agora conserva sempre uma foto tua na carteira e a lembrança na mente...


Mas todo esse conhecimento ainda me parece premio de consolo, ilusão...

Quando me lembro da felicidade daquela vida que andava sozinha,

Sem força nem bengala, e hoje rasteja implorando alguma piedade.

A luz daquela estrela brilhante hoje é buraco negro egocêntrico.

Mas a dor, amiga, me trouxe o que de melhor sobrou para mim...

E eu agradeço a injustiça já que, ao menos, me deixou a tristeza de companhia!

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Sumido eu, né?

Boa tarde, gente.
Eu estou aqui preparando um conto muito complexo. Talvez, o grau de complexidade de um conto esteja na vida de quem o escreve e na instabilidade que um final indefinido pode trazer. Quem retrata mentes tem sempre que ter um cuidado a mais. Eu devia me isolar do mundo exterior até acabar este conto, mas não consigo. O mundo me ajuda a pensar e refletir e cada conversa pode conter uma chave para o segredo da narrativa. Mas tudo que é bom tem seu lado ruim. E, aqui, os dois lados se coincidem, ja que ao pensar e interagir com o mundo atrás da chave, eu entendo as coisas de maneira diferente, e não consigo fixar um ponto final para onde me guiar. Como se não bastasse as interferências externas, há também as que a própria narrativa faz, aparecem personagens e objetos que não faziam parte da idéia original, mas, de algum modo, se fizerem necessários ao desenrolar da trama... Mas , creio que está ficando interessante. Aguardem.

Abraços

Ed

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Pensamento de uma madrugada de trabalho.

"Quem quiser entender a mente de um escritor, deve entender que, para nós, amarelo-ouro não é amarelo-tempo nem amarelo-sorriso; que não é igual ao amarelo-areia, nem amarelo-alegre; mas, também, não é amarelo-milho ou amarelo-sol, muito menos amarelo-banana ou qualquer outra fruta que possa ser amarela. Amarelo-ouro é amerelo-ouro, diferente de dourado. Achou complcado? Que pena, o mundo nem é só amarelo. Tem branco, preto, azul, verde, vermelho, roxo (que não é nem lilás nem púrpura), laranja, marrom, e rosa (que pode, ou não, ser mistura de paixão e paz)... E isso está parecendo mente de pintor..."

Post dedicado a uma conversa com uma certa Srta. Rosa que escreve suas memórias no blog ao lado...

domingo, 15 de maio de 2011

Narração - Início 1

Boa tarde, gente!
Finalmente consegui começar o novo conto. Devo dizer que o ofício de escrever com alma, às vezes, exige semanas de intensa reflexão. O enredo eu tinha na mente há muito tempo, o problema era por onde começar. A forma interfere, sim, no conteúdo. Meu dilema: começo, meio ou fim, qual a melhor parte pra se começar a narrar um conto tão complexo e trincado na linha temporal? Muitos dirão que o começo é sempre o começo... Será? É antiga a ideia de se começar "in media res" (no meio da coisa, da ação) e, falando francamente, tirando os contos de fadas, quase todos os outros textos narrativos que já li começam a ser narrados do meio ou do fim da ação a que se propõem contar, por que isso dá a possibilidade do flashback nas memórias dos personagens; uma experiência deliciosa de se fazer. Essa é uma característica muito forte da literatura nacional, cujo o maior estopim deve ter sido com o Grande Mestre, o Bruxo das Letras, Machado de Assis em "Memórias Póstumas de Brás Cubas", onde o autor defunto começa a narrar sua vida a partir de sua morte. Clarisse Lispector também... Toda vez que me lembro do conto "Amor" a primeira cosa que me vem à mente é a cena de abertura, onde há uma mulher sentada num banco de bonde com uma rede tricô cheia de compras no colo, e embora a ação principal do conto se inicie ai, Clarisse nos leva para dentro da vida da personagem, para depois continuar a narração do fato principal. E para demonstrar a minha paixão por esse recurso, temos o meu querido "O Retorno de Saturno", onde, na verdade, há dois fatos sendo narrados. um é do momento de referência presente, que se passa na igreja matriz, e conta o reencontro, e outro no passado que conta como foi vida do personagem até aquele momento.

Quando o "in media res" não acontece, geralmente temos os chamados prólogos. Prólogos são a inversão do "in media res", por assim dizer. Trata-se de uma parte de duração variável, podendo ser uma frase num conto mais curto até um capítulo num romance, que conta algo que aconteceu antes do fato pricipal e que causa toda a história, permitindo ao escritor, uma linearidade temporal mais ampla, sem cortar os flashbacks. Aqui a narração começa pelo fato que a desencadeia, por isso é mais usado em gêneros ligados ao suspense clássico, aquele em que as ações, a descoberta ou não de um fato, interferem na resolução do mistério. Diferente, portanto, do suspense psicológico onde lembranças e pensamentos, ou a falta destes, são a causa e a resolução da trama narrativa,, o que explica que, neste gênero, o " in media res" e prólogo podem se combinar. O prólogo pode ser um flashback da ação principal ou outras inúmeras variações.

Há, também, narrativas que contam somente a ação principal, o que havia antes é por conta da suposição feita através dessa ação.

E há o estilo "Era uma vez..." onde se conta a ação por inteiro, do início ao fim, sem cortes temporais na narração...

Pois bem, pra que todo esse tutorial sobre início de narração? O post era só pa avisar sobre o novo conto, mas, já que as idéias foram vindo, eu fui escrevendo... E agora vou explicar porque foi tão difícil escolher que tipo de início usar e porque optei pelo "in media res".

Bom, além da preferência por este recurso, pela identificação e impacto, acho que o próprio estilo do conto exigia que fosse assim. É um conto psicológico, mas não tem clima de suspense, o estilo parece o "O Retorno de Saturno", porém o enredo é muito diferente. "O Retorno de Saturno" é mais um capítulo de um livro do que propriamente um conto isolado, por isso, tive que me preocupar apenas com uma visão, um foco, daquilo que estava sendo narrado, ou seja, o conto tem apenas uma história que vai se se desdobrando até atingir o presente. Em outras palavras, é uma versão de uma história, um ponto de vista sobre uma coisa determinada a partir da qual todos os outros personagens vão se desdobrar e ganhar versões próprias, futuramente será um romance de recortes.

Mas, sobre o novo conto, se eu abrisse com um prólogo, teria de ser a cena chave da trama. Clímax no começo pode até funcionar... Mas é melhor deixar para mais adiante. Até por que é um enredo complexo onde serão contadas, no mínimo, quatro coisas em tempos diferentes... O "in media res" valoriza os flashbacks que é o recurso a ser utilizado largamente em contos como esse,. descartando o começo pelo começo. Assim restava saber se começava do meio a cena que acaixa tudo ou do fim. Começando do final, eu ganho efeito de suspense e retiro a tensão e atenção da cena principal, que liga as coisas e ganho também espaço de correção narrativa... Resolvi, começo pela última cena!

Um abraço
Ed

terça-feira, 10 de maio de 2011

Outra alucinação da madrugada..

Esporte Radical

Edgar Izarelli de Oliveira



É... Ler virou esporte radical!

E eu não sei mais o quanto posso suportar dessa adrenalina sentimental,

E eu que sempre admirei os saltos mortais, curvas estreitas, queda livre, decida de corredeiras.

Eu que sempre brinquei de empinar cadeira de rodas, sempre caí nas tentativas...

Eu estou com medo de pular do alto da minha esperança,

E acabar morto!


Tenho medo de ler qualquer coisa hoje em dia,

Conversa virtual, reportagem de jornal, letra de música internacional,

Poesia ou prosa de autor que se diga clássico, moderno ou marginal!

Qualquer palavra de outdoor hoje me assusta,

Letreiros de néon vermelho ofuscam minha noite,

Carta, e-mail, blogs, livros, revistas, bulas, cardápios, realidades ou imaginações...

Cada palavra pode ser a última volta no ar antes de capotar e quebrar a espinha...


Meu corpo, de repente, não me parece tão vulnerável...

Agüenta tanta pancada, batida, briga de rua, queda, freada brusca,

Mas minha alma de poeta é frágil e não resiste ao peso de uma palavra qualquer...


Tenho medo dos hematomas e ferimentos que as palavras fortes me causam...

A sensação de risco iminente de morte me faz refletir se viro a página do novo livro

Se abro aquele e-mail de piadas que meu amigo sempre manda,

Ou aquela corrente de orações chata que sempre chega não sei de onde...

A próxima frase que minha melhor amiga está digitando me alucina,

Mas o meu triplo mortal pra trás, é mesmo aquela cartinha perfumada com letra de mulher amada...


Prefiro nem arriscar certos saltos...

Prefiro não descer a rampa do medo...

E guardar um pouco de esperança à vida,

Enquanto ainda ninguém me empurrou para um salto no escuro...

Eu tenho medo de ler o que não sei ler...

Eu tenho medo de morrer na próxima frase,

Mas a adrenalina ainda me chama para o que pode haver de bom,

Por isso ainda me conservo no avião sobre o mar,

Preparado para pular de olhos fechados...

E seja o que deus quiser!


Água pode salvar ou matar...

Lágrima pode ser de felicidade ou tristeza...

Mas palavra é só palavra, e depende de quem escreve e de quem lê!