EdLua.Artes

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Blog mantido por Lua Rodrigues e por mim. Trata de Artes, Eventos Culturais, Filosofia, Política entre outros temas. (clique na imagem para conhecer o blog)

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Inspirada en el Amor de Mi Vida...



Carnaval 2013

Fecho a porta, apago a luz e abro cortina
Pra ver a transparência do vidro da janela.
No altar, acendo o incenso de lavanda.
Arrumo as almofadas sobre a cama
E coloco pra tocar, bem baixinho,
Algumas músicas calmas e melancólicas.
Preparo um ambiente propício ao relaxamento,
Pra, quando chegar a hora de escrever lamentos,
A serenidade natural das noites possa encontrar um bom lugar de aconchego
E acalentar docemente, entre seus seios, as dores latejantes do meu desespero!

Alongo meus braços pesados,
Estralo meus dedos já fracos
Estico a espinha dorsal curvada
Respiro pra acalmar a pulsação acelerada...
Medo, Amor, Decisão e Responsabilidade iniciam mais um de seus jogos
E, por isso, mais de uma vez, tenho que enxugar os olhos
Pra aquecer o coração e destravar todos os corpos...
Receber em mãos a doçura triste de certas poesias exige muita emoção de seus poetas:
O frio, a chuva, a solidão, a depressão e o dever quase sagrado de resistir às cobertas,
São coisas boas quando se transformam numa inspiração tão divina quanto esta!

É carnaval. Lá fora, os foliões fazem a farra,
Mas aqui dentro não tem espaço pra tanta graça.
Aqui dentro, os confetes são feitos de lágrimas.

É carnaval e, apesar da carne ter todo o aval pra gozar sem trauma,
Já cansei de tanto torturar e esquartejar, por nada, minha própria alma!
E, chegando as cinzas, quero ter um sorriso que, aos anjos, seja digno de palmas!

É carnaval. Lá fora soam tambores em marchinhas, batuque, maracatu, samba...
Mas, na minha mente ressoa a marcha das palavras exatas daquela última carta:
“Você perdeu sua auto-estima e isso é o que me deixa realmente magoada!”

É carnaval e minha alegria cai na vala das nossas lembranças,
Mas, pacientemente, pesco nossos sonhos com vara de esperança
Sentado sobre a decisão que, pelo mar do olhar, avança
Até atingir aquela ilha paradisíaca chamada: Confiança.

                                                                                  Edgar Izarelli de Oliveira

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Idéia nova...



"Escolhas
Vida normal: Passar meia vida estudando pra passar na faculdade pra ter o diploma pra ter status pra ter trabalho fixo pra ter dinheiro pra ter bens pra ter a mulher certa pra ter filhos pra sustentar, envelhecer pra lembrar de ser um pouco feliz, depois esquecer e morrer.

Vida de artista: Sair da bolha, passar a vida TODA se mantendo criança pra sempre estar apto a aprender a prática da própria vida pra aprimorar sua arte pra, de vez em quando, conseguir um trabalho, pra, de vez em quando, arranjar um dinheiro pra rodar pelo mundo pra conhecer pessoas pra, lá um dia, achar que se conhece o bastante pra ser feliz sozinho pra aí então amar verdadeiramente alguém pra firmar algum compromisso pra ter com quem partilhar o aprendizado da vida e atingir a eternidade de ser lembrado e relido e querido por tudo que sempre cultivou: a arte.

Agora, escolha: Estoure de vez a rolha e se permita derramar a essência da existência numa incrível liberdade de apostar crenças numa vida instável e perigosa, ou se contente com corrente que te leva a crer na aparente segurança dos caminhos trilhados pelos passos perdidos, marcados com lagrimas, dentro da bolha que vive com borrachas apagando borras e não deixa uma só letra escrita na folha com a porra tão desejada e tão mal-encarada da felicidade?

Edgar Izarelli de Oliveira"


Boa tarde, Gente! O texto acima repercutiu bastante no face, desde que o postei lá, hoije, durante os debates, tive a idé de escrever uma série de contos em forma de depoimento pra analizar situações sociais...  A série vai se chamar: Desabafos de uma Sociedade Anônima. O primeiro texto já está pronto e é esse aqui abaixo. Estou criando um novo marcardor para essa série.  Abraços


Desabafo de uma menina de olhos escuros como a noite, cabelos castanhos curtos e cacheados, que anda por aí usando um vestido lilás simples de algodão e levando sempre uma bolsa grande o suficiente pra caber um caderno de desenho:    

“Eu amo escrever e quero fazer isso profissionalmente, mas meus pais querem que eu faça medicina porque um médico ganha "mais" que um escritor, eu detesto sangue, mas meus pais me colocaram, a custa da própria saúde, nas melhores escolas contra minha vontade pra eu estudar medicina e ter uma condição de vida melhor do que a deles... Todos os meus amigos falam que me dou bem em biologia, mas poucos sabem que é por medo de decepcionar meus pais, não é por prazer. Na verdade eu detesto biologia! Amo artes, português, história, filosofia! Se eu falar isso pros meus pais, eles não vão entender e vão brigar comigo... A única hora que tenho pra estudar alguma coisa que eu realmente gosto é de madrugada e aí vem meu pai me mandar dormir por que madrugada não é hora de ler! DETESTO ISSO, TENHO VONTADE MANDAR ESSA MERDA PELOS ARES, FALAR MINHAS VERDADES! Só por que eles não gostam dos artistas, dizem que são vagabundos, e um médico salvou a vida de meu tio uma vez, lá nos raios que os partam do interior, agora eu tenho que ser médica! ABSURDO ISSO! Mas, se eu falar, meu pai revida com um tapa na minha boca e baixa a lei que eu devo salvar vidas pra agradecer a sorte que ele teve... Por que ele mesmo não virou um médico então ele é inteligente. Gente, amo meus pais e sei que eles querem o melhor pra mim, mas eu não vou ser feliz se seguir o que eles acham que é minha felicidade! Hoje tive que falar que eu ia fazer um trabalho na casa de um amigo e dar meu celular meu celular pra esse amigo me cobrir pra poder vir pra cá, mas já estou ficando sem desculpas... Se eles me souberem que estou me conhecendo com vocês, provavelmente vão me internar numa casa de viciados em drogas e até provar que não uso drogas... Outro dia, mostrei pra minha mãe uma poesia que escrevi pra tentar mostrar minha angustia, ela riu e perguntou se eu não estava velha demais pra ficar brincando com palavras... QUE RAIVA! Eu me mato pra deixar o mais claro e suave possível e eles ainda assim não entendem! Eu queria ter o apoio deles pra fazer o que me deixa bem. Seguir sozinha por um caminho difícil exige muita força, talvez seja mais fácil se render à pressão... Esse ano presto vestibular, a pressão sobre meus ombros está maior do que nunca, parece que minha vida se resume a passar ou não numa prova, o sentido da vida em uma nota... Ridículo! Eu quero algo alem da mediocridade dessa vida que já está embalada pra presente sendo distribuída, feito esmola, pra população! Fogão, geladeira, casa, televisão, carro, celular, tudo tem que ser da última geração senão não presta! Quanta banalidade! Vou boicotar tudo isso e fazer uma boa escola de artes!”

Edgar Izarelli de Oliveira

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Poesia Romântica?



Coisas que Só a Paixão Explica...

É estranho, mas, depois de tantas experiências,
Um coração ainda é capaz de se descobrir desconhecido de si mesmo
Diante do espelho misteriosamente nítido e nitidamente confuso das emoções.
Uma noite que cultiva as próprias continuidades possíveis,
Revela também a finitude pasma de um breve encontro de almas.
É estranho, alucinante e vertiginoso o reflexo das sensações decorrentes de uma noite.
É estranho, simplesmente estranho, e sem explicação plausível...
Por mais que os filósofos pensem, os cientistas estudem, os poetas descrevam.
O sorriso que causa fascínio é exatamente o mesmo que assusta.
O olhar que tem a gravidade certa pra atrair é perfeitamente o mesmo que expulsa.
O carinho que aproxima é surpreendentemente o mesmo que gera repulsa. 
O desejo que impele à frente os corpos é o mesmo que detém as mentes astutas.
A calma que distrai do mundo é mesma que esconde tempestades de tontura.
O prazer da companhia é igual ao peso da responsabilidade que tortura.
O suspiro de alívio é o mesmo que anuncia que a saudade perdura.
A sabedoria que distancia é mesma que se auto-proclama: “burra!”,
Quando a necessidade de contato humano, animalescamente, urra;
Porém, uma vez tendo a proximidade consumada, depois, sente culpa!

Esse coração já está habituado a adentrar nos labirintos da mente
E sabe bem reconhecer os caminhos que levam a um verdadeiro amor,
Mas é espantoso como ainda há algumas coisas que só a paixão explica!

Edgar Izarelli de Oliveira

domingo, 30 de dezembro de 2012

Para Quem Não Sabe O Que Prometer no Ano Novo...



Prometo estudar mais as múltiplas perspectivas das minhas verdades
Pra encontrar o caminho mais indolor que me conduza ao meu equilíbrio interior
E poder, assim, aprender a apreciar mais o sabor das escolhas certas pra mim,
Pra, no fim do ano, ter passado na prova final da minha integridade!

Prometo emagrecer e colocar em forma meus pensamentos carregados de infartos,
Nem que seja preciso parar de ingerir, tão gulosamente, preocupações gordurosas;
Perderei todo o peso das expectativas acumuladas sob pressão sobre meu corpo
E afinarei a cintura das responsabilidades impostas pelo meu orgulho obtuso
Pra passar entre as grades apertadas das decepções e fugir das depressões!

Prometo trabalhar mais meus medos, meus traumas, meus dilemas e meus dogmas, 
E promover a coragem imprevista dos artistas a mais um grau na hierarquia diária,
Pra alcançar a extrema ousadia de ser produtor, gerente e usuário da minha alegria!

Prometo ser mais coerente com os princípios que, tão conscientemente, adotei,
E ser mais fiel aos verdadeiros e derradeiros desejos da minha alma
Pra conquistar a ligação mais sincera com o mundo ao meu redor.

Prometo mudar o foco das críticas dirigidas a mim, digeri-las melhor,
E não tentar mais me moldar a elas, mas dobrá-las à minha evolução pessoal
Pra assegurar, mesmo nos meneios dos meus anseios, meios de me aceitar como sou. 

Prometo exercitar, com mais afinco, a grande e louca sensatez de ser eu mesmo
E praticar, mais habitualmente, todas as secretas artes de amar com sabedoria
Pra revelar, por debaixo da escrita desgastada de uma normalidade morta,
Algumas letras de uma antiga ciência oculta chamada felicidade!

E pra quem ainda não sabe o que prometer para o ano novo,
Fica a dica e a possível lista de promessas intimistas
Pra renovar o ciclo de vida da calma eufórica da esperança
E trazer, de volta ao coração esquecido, a paz de um sorriso límpido! 


                                                                                     Edgar Izarelli de Oliveira
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Boa Tarde, galera!!! 
Se me permitem, gostaria de aproveitar o post para fazer o balanço do ano de 2012.
Esse ano foi muito acelerado em todos os campos da minha vida. Não consegui concluir muita coisa particular que exigisse tempo e trabalho contínuo, como a segunda parte "Velhos Testamentos" do meu romance nem a publicação do meu quarto livro "Enigma". Entretanto, o ano foi muito bom profissionalmente, já que participei pela´primeira vez da Bienal do Livro de São Paulo, em agosto, com "Infinitivos" e creio que me saí muito bem. Além disso, participei da SELIC, pela primeira vez, e de muitos saraus em Embu das Artes, Itapecerica da Serra, Osasco, Carapicuiba, São Paulo e Santos. Também desenvolvi o projeto Oficina "Sentido Literário" que gerou quatro´novos poetas para a cidade de Embu. E mais, fiz duas apresentações de teatro!!! Ufa! Foi um ano muito bom!!

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

O Poeta Falando com as Paredes



Queria escrever uma poesia, inspiração até que eu tenho...
Mas não tenho alegrias pra espalhar nos rostos das pessoas.
Não tenho raivas do mundo pra desencadear uma revolução.
Também não tenho tristezas pra enterrar em lágrimas alheias.
Não tenho muitos sonhos pra compartilhar nem ilusões pra desatar.
Não tenho muito mais o que construir também, tudo parece perfeito!


Queria escrever uma poesia, mas, apesar de todo meu empenho,
Não me restam mais crenças pra semear em solo arenoso
Nem contradições pra dissecar numa mesa de exibição.
Não me sobraram muitas esperanças pra doar aos condenados.
Não me restam nem mesmo angústias pra expurgar aos gritos.
 
Queria escrever uma poesia, mas não adianta franzir o cenho...
Já não tenho teorias pra contestar ou novas práticas pra tentar
Nem tenho muitas explicações filosóficas pra fermentar,
Nem muitos mistérios pra incitar ou prazeres pra me excitar.  
Já até me convenci de que a totalidade do espírito é para poucos,
Mas este silêncio que aparento ser não é assim tão vazio;
É mais uma mistura inacabável de afetos indescritíveis...
Eu não queria, mas admito que estou me tornando inexpressivo.


Queria escrever uma poesia, mas não me sobrou nada que já não seja sereno.
Meus novos amigos ainda não conhecem meu estado de depressão.
Meus velhos amigos quase nunca viram meu sorriso tão ativo nem tão altivo.
Estão calmos, tranquilos, e estranhamente bem definidos todos os meus amores...
Quanto às emoções. Bom, continuam confusas e indiscretamente indiretas,
Mas já não precisam passear por outros olhos pra espairecer e respirar; 
Uma simples meditação já me levita e evita completamente minhas loucuras
E prende ao reino abstrato do pensamento a arte de expor o choque em palavras.   
Mesmo assim, meu coração de vez em quando balbucia alguns rumores,
Mas a vontade passa, as conversas são rasas, as metáforas são falhas,
A surpresa é fraca, a maioria das idéias é falsa, alguma coisa sempre está em falta,
Toda fantasia agora é rala, as maravilhas estão escassas e a poesia é rara...
Acabei guardando o estranho segredo da intensidade num cofre
E, sem querer, me enrosquei demais nas correntes do passado. 


Queria escrever uma poesia, mas acabo me confessando às paredes...
De vez em quando, faço versos de algumas palavras proferidas.
Outras vezes, penso em quebrar todos os meus velhos estilos.
Às vezes, presto atenção ao som de alguma sentença solta.
Muitas vezes, chego a apanhar frases desconexas a improviso
Pra dar vazão a uma tendência um pouco mais livre, surrealista.
Normalmente, concentro a poesia até que ganhe peso, fique rica,
Mas perdi a chave que a liberta e tenho a deixado rouca e sem força.
E, depois de louca, já não importa mais o quanto eu me contorça,
Ela já está vagueando num espaço inóspito, procurando meu olhar de artista
Pra iluminar os caminhos dessa imensidão assustadora de uma folha branca!


                                             Edgar Izarelli de Oliveira

sábado, 17 de novembro de 2012

Para todos que querem ser poetas



Receita para se fazer uma boa poesia
                                                                      
Observe o mundo e o comportamento das pessoas.
Aplique a eles as peculiaridades do olhar dos artistas.
Acrescente inspiração a gosto.
Escolha os temas mais maduros, ásperos e espinhosos
(Atenção: só utilize os que realmente cativam a tua alma).
Abra-os e extraia toda a polpa de sentimentos.
Fatie as cascas de palavras banais do cotidiano
E despeje tudo em metáforas ligadas na velocidade de quebrar gelo. 
Bata quaisquer sentidos até que fiquem homogêneos e claros como água,
Aí adicione as antíteses pra disfarçar o odor inadequado das grandes verdades.
Então, tempere com o gosto sarcástico das ironias que o povo gosta.
Apimente com algumas colheres abarrotadas de loucura
(Pode-se usar tabletes de neologismos, pó de vivências, essência de paradoxo...
Pitadinhas de angústia ou prazer também dão um sabor especial).
Para tingir a transparência deste prato, misture corante de linguagem
(Se encontram desde tons suaves a cores bem chamativas, em qualquer mercadinho).
Suavize a gosto o peso da mistura, com um pacote de sonoridades
(Não precisa ser do tipo tradicional/rimada porque é mais difícil de achar,
Além do que, os pacotes modernos são deliciosos e surpreendentes).
Se julgar necessário, adocique com saches de eufemismo
(tem em várias versões: pasta, líquido, pó, granulado, cristal, diet, light, integral)...
Para dar a liga, acrescente quantas xícaras de farinha de arte lhe for conveniente.
Por fim, mexa MANUALMENTE (sempre manualmente, isso é MUITO importante!)
Até atingir a consistência desejada: líquida, gelatinosa, fofa, puxa, dura, pedra...
Despeja a massa no recipiente que melhor lhe comportar, forma fixa, verso livre, prosa,
E leve ao freezer, geladeira, fogo, forno, churrasqueira... Fica a teu critério!
Sirva como puder, mas fica melhor numa interpretação dramática,
E delicie-se quando bem quiser!

(Este prato vai ficando cada vez melhor e mais nutritivo com a prática constante).

                                                                        Chef: Edgar Izarelli de Oliveira


quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Pessoas...



Constatações Pessoais sobre as Pessoas
                                                                       Edgar Izarelli de Oliveira

Pessoas normais são irritantes,
As decepcionáveis são decepcionantes,
Mas as íntegras são intrigantes!
Pessoas deprimidas são deprimentes,
Pessoas medrosas são impotentes,
Só as seguras são contentes!
Pessoas expressivas são extravagantes
Pessoas equilibradas tendem a ser impressionantes,
As solitárias costumam ser pensantes,
As sensíveis são emocionantes.
Pessoas fortes perecem ser atraentes,
Pessoas pobres nem sempre são carentes.
As especialistas quase nunca são inteligentes,
As flexíveis, sim, são sempre surpreendentes!
Pessoas previsíveis são desestimulantes.              
Os engraçados são os melhores calmantes,
Os loucos são os mais interessantes.
Pessoas sábias são sempre importantes!
Pessoas más nem sempre são intransigentes,
Pessoas boas também podem ser exigentes,
Pessoas apressadas quase sempre são incoerentes,
Mas quando se adoece é fácil ser impaciente!
Pessoas práticas podem ser imprudentes,
Pessoas tímidas, em geral, parecem ser tolerantes,
As sinceras muitas vezes são inconsequentes,
Pessoas leves é que são fascinantes!
Pessoas críticas são implicantes,
Pessoas teóricas podem até ser eloquentes,
Pessoas amáveis são sempre envolventes,
Pessoas encantadoras são as mais excitantes
Pessoas legais às vezes parecem arrogantes,
Pessoas lindas não têm que ser elegantes!
Pessoas estáveis tendem a ser boas amantes,
Mas as instáveis são sempre mais apaixonantes!
Pessoas tristes são pessoas errantes
Que não souberam viver o instante
E quiseram sempre o que estava distante!
Pessoas felizes são sobreviventes
Que conservaram as faces sorridentes
Mesmo diante das tragédias insistentes!

E ser artista é se permitir ser mutante,
É se manter sempre pronto a estar gestante,
Pra variar entre todos estes que vieram antes!

domingo, 11 de novembro de 2012

Procura-se a derradeira arte de amar



Procura-se a derradeira arte de amar
                                                                       Edgar Izarelli de Oliveira

Procura-se a melhor maneira de mudar as velhas idéias auto-céticas!  
Tenho detestado adorar escrever poesias revolucionárias
Mas tenho adorado conseguir prever repetições inválidas!

Procura-se uma cura mais eficaz que a arte para sanar
Essa sociedade que insiste em se drogar com pílulas diárias
Entupidas de vaidades envenenadas com vírus da covardia crônica
Que continua nutrindo a desnutrição, a desorientação, o desânimo, a coisificação
E outras carências neuróticas causadas pela vida imposta sobre nós de forma caótica!    
     
Tenho até tentado adorar descrever todas as filosofias flácidas
Só pra mostrar ao mundo como as pessoas estão ficando fracas...
E eu, como tantos outros artistas, já cansei de modernizar coisas tão clássicas!
Já falei, já mostrei, já pensei, já provei, já publiquei, anunciei e tornei claras
Todas as causas hereditárias, as falhas agudas, as consequências, os agravamentos
E, sobretudo, já expus todas as fórmulas das soluções pra essas doenças idiopáticas!

São sempre os mesmos problemas, geram sempre os mesmos efeitos sociopatas:
A falta de amor, o medo de errar, a falta de si, a falta de expressar sentimentos.
São estas as verdadeiras moléstias de assassinos, loucos, ditadores, psicopatas
E, também, das pessoas apáticas diante de uma realidade antipática
E nos olham, com aquelas caras pálidas, buscando, sempre ávidas,
O melhor sistema pra nos manter dentro da estrutura escravocrata!   

Cientistas ainda estão procurando remédios para conflitos internos...
Mas o que é mesmo que podem fazer essas razões incoerentes?    
O ridículo, o absurdo, o trágico, o extremo, o intimo, o humano e o divino
São coisas que só o grito e o silêncio podem alcançar!
Procura-se a derradeira arte de amar e espero encontrar,
Antes que sobrem fatias da humanidade
Numa mesa de autópsia!

terça-feira, 6 de novembro de 2012

De volta aos Classificados



Procura-se algumas moedinhas de esperança
                                                                                   Edgar Izarelli de Oliveira
 

Procuram-se algumas moedinhas de esperança
Pra continuar pagando os juros e as prestações
Que a sociedade impõe sobre a minha loucura
E escolher preservar a liberdade das crianças!

Procuram-se algumas migalhas de inteligência
Pra continuar alimentando meus sonhos orgânicos
E não matar de fome a minha maneira artesanal
De ser artista e não fazer da arte um artigo industrial!

Procura-se qualquer resto de sapiência líquida
Pra matar a sede que me sobrou das ilusões destruídas
E me permita ter força pra ainda surpreender a ciência
No grito da velha voz da experiência de vida!
 
Procura-se alguém pra dividir comigo
O peso do fardo e a leveza emocional de carregar a humanidade no coração
E ter que sustentar sobre os ombros toda mecânica de um mundo sem auto-estima
Onde sobrevivemos como escravos da nossa própria depressão
E reprimidos pelas expectativas dos desejos alheios!

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Saindo um pouco dos classificados



Canção que precede a Nova Era
Edgar Izarelli de Oliveira


Séc.XXI ou 1600 e bolinha!?
Onde é mesmo que estou vivendo?
A política uniu forças com o clero universal
E estão instaurando uma nova inquisição...
É, pobreza virou bruxaria, você sabia?
Pau de barraco agora não se chuta mais,
Se transforma em lenha e se queima
Homens, traficantes, trabalhadores, pais de família, bêbados, desempregados,
Mulheres, prostitutas, donas de casa, empreguetes, piriguetes, maltratadas,
Jovens, todos drogados e dopados pela pressão sem sentido de um mundo de modinhas,
Massa formada a em-prego que prega fácil o tênis de marca no pé, o smartpod na mão,
Produtos industriais no coração, prontos a serem traficados pela falta de opinião,
Usados no mercado, aposentados, jogados fora, alguns artistas, muitos egoístas,
Todos destinados à distimia da solidão individualista da vida sem auto-estima,
E crianças sem-futuro e sem-presente, aviõezinhos, bolas de futebol, grávidas, mortas,
Tudo junto na mesma fogueira!
Os professores bem que protestam, assim como os alunos, os funcionários,
As pessoas-de-bem, o pessoal do greenpeace e dos direitos humanos, os bancários,
Os banqueiros, os correios, os caminhoneiros, o movimento sem-terra e os poetas,
Mas o toque de recolher acalma o manifesto e anuncia tiroteio...
Assassinatos em ruas e praças públicas continuam na moda dos jornais matinais.
Com seus sucessos populares “eu quero boooom eu quero baaaaa”...    
Quem prefere violência alternativa pode relaxar ao som de um bom blues-sertanejo,
Gritos de suicídio ecoam numa floresta quase imaginária, muito alheio da rede globo,
Terra-do-nunca-mostrado-na-tv, nem no Pânico nem no CQC:
Os bandeirantes ainda chacinam os selvagens e impõem a lei à sua cobiçosa vontade!
No nordeste ainda tem trabalho escravo em plantação de cana-de-etanol! 
Estranho! Com tantos computadores ligados em rede, com tantas luzes na cidade,
Acho que não li a postagem, já inventaram a máquina do tempo?
Quando foi que voltamos à era das trevas!?
Eu quero ver chegar NOVA ERA!

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Discussão Acadêmica


Discussão acadêmica: Oswald de Andrade escreve:
"Amor
Humor"
Pois bem, quando estudei literatura em Letras, os literatos discutiam como uma oposição, um choque; até pela divisão de versos. Na época me pareceu incontestável, mas, hoje, emocionalmente um pouco mais maduro e com a ajuda de um sopro de lucidez espiritual, me parece muito mais uma explicação simplista para o fenômeno do amor, tipo X=X... Algo por volta de: "O amor só existe onde também há humor". Melhor ainda, "Onde há humor pode haver amor". É como se o humor fosse, e realmente é, a plataforma que cria e sustenta o amor ou, mais profundamente, como se o amor coubesse dentro do humor. Não sei explico bem, mas, basicamente, para amar alguém é necessário haver admiração. O que CATIVA essa admiração é justamente o estado de humor do "objeto" amado e como este estado de humor interfere no nosso próprio estado de humor. Isso mesmo, ESTADO de HUMOR, não humor cômico, como aprendi na faculdade. Não é "Amor(coisa séria)  X Comicidade" o que está em jogo no poema, é simplesmente "Amor é simplesmente estado de Humor". Só que isso seria mais uma frase de efeito do que uma poesia, o que Oswald resolve com um mecanismo de linguagem que pode ser descrito em três passos. Primeiro, substitua o verbo da frase, que é de ligação, portanto, desnecessário ao entendimento da sentença, por uma vírgula: "Amor, simplesmente estado de humor". Depois corte o excesso de informação, o advérbio de modo é totalmente dispensável na linguagem simples de Oswald, “Amor, estado de humor”. Mas “estado de humor” pode ser expresso como “HUMOR”, assim temos: "Amor, humor". E, por fim, substitua a vírgula por quebra de verso. Não se precisa de pontuação para marcar o ritmo de uma poesia, o tempo de passagem de um verso a outro pode marcar o tempo da pontuação. E assim chegamos ao célebre:

"Amor
Humor"

Simples, não?

sábado, 27 de outubro de 2012

Para Viver Melhor



Procura-se a melhor maneira de viver o momento
Edgar Izarelli de Oliveira

Procura-se a alternativa mais controlada
Pra acreditar que tudo vai dar certo,
Sem ter que inventar falsos fatalismos
Ou me render aos conformismos vazios.

Não quero uma dose mortal de expectativas
Jogada a uma possível dimensão futurística...
Nem me contenta entregar tudo na mão da fé,
Pois, não abro mão de acreditar em mim!

Procura-se a melhor maneira de viver o momento
Pois, quero fazer com que o próximo momento flua naturalmente,
Como a corrente de dias e noites que se segue eternamente!

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

A Sombra por trás de “Guernica” “dell’Arte”!



A Sombra por trás de “Guernica” “dell’Arte”!

O título é uma junção de duas expressões muito famosas no reino das artes: “Guernica”, famoso quadro de Pablo Picasso que retrata um ataque de bombardeiros alemães à cidade espanhola de Guernica, em 1937 (os alemães apoiavam a ditadura de Francisco Franco) e Commedia Dell’Arte, forma de teatro popular improvisado que nasceu na Itália, séc. XV, e tinha como principal característica as apresentações feitas a céu aberto, em ruas ou praças públicas; até hoje se encontram grupos de teatro que fazem este tipo de apresentação. Juntando os dois títulos, eu queria passar a idéia de uma luta para sobreviver indo contra a ditadura (midiática) que nos bombardeia de arte comercial junto com a idéia de que a longevidade da verdadeira arte só é possível com o reconhecimento popular. E, para alcançar este objetivo, se faz necessário que os artistas vão à rua para demonstrar ao povo o que a arte pode fazer se levada a sério, mesmo que para isso os artistas tenham que se sujeitar a algumas coisas que consideram erradas no sistema gestor econômico que “DEVERIA” existir para remunerar quem trabalha com arte.

Uma amiga minha perguntou o que é a verdadeira arte, e eu respondi assim:   

Bom, creio que a sociedade curte certo ""padrão artístico de baixa qualidade"" por que é isso que a mídia acaba transmitindo para criar massificação. Considero que "Arte de baixa qualidade" é arte feita pra vender sem qualquer cuidado realmente artístico ou, tecnicamente falando, “arte comercial”. Arte que não transmite nada, que leva não a nenhuma reflexão. Coisa que qualquer pessoa faria... Por exemplo, na música temos "eu quero tchu eu quero tcha" e a letra da música não sai disso (é o que chamo “Falsa Arte”, pois, até faz algumas funções sociais da verdadeira arte, como relaxar e colocar o cidadão um pouco em êxtase, mas falta muito ainda pra ser arte como era a Commedia Dell’Arte, onde, apesar de ser uma comédia, muitas vezes, os atores se dedicavam a vida inteira a aprimorar seu personagem e, não obstante, esses personagens, comumente, representavam uma região ou cidade do país). Muitas pessoas escutam isso, ou qualquer pop, por não saberem que pode haver muito mais poesia em uma música como, sei lá: "Procuro esconderijo, encontro um novo abrigo, como a arte do teu jeito e tudo faz sentido" (pra ser moderno, na verdade ia colocar Chico Buarque, mas quem ainda o conhece, não é!?) Enfim, olha qual é a música que tem mais refinamento tanto no que é tocante à letra quanto ao instrumental, qual a letra que exige mais do cantor e, em contrapartida, olha qual a que tem maior repercussão para a grande massa.   Isso por que é só através da música que se pode pensar em algo como poesia na mídia; e alguns comerciais mais inteligentes que fazem por aí, também, mas, neste caso, é arte posta sob a função de vender produtos alheios aos artistas...

Não sei se vocês já viram, mas colocaram "Linda" do ROUPA NOVA em propaganda da Skol. Aquela música, embora pop, é arte, tem todo um refinamento musical. O publicitário que fez a propaganda vai ganhar milhões porque Skol agora vai vender feito camisinha em carnaval! O Roupa Nova certamente vai ter algum lucro, mas vocês já viram fazer propaganda anunciando o CD do Roupa Nova? Já teve, mas qual vocês acham que vai render mais por passar mais vezes? Bom, o que é pior nessa história é que isso vai criando uma identidade cultural massificada muito pobre, mas muito forte, e isso não é péssimo só artística ou culturalmente, mas é um desastre também politicamente.
Quem mora na Grande São Paulo deve se lembrar da propaganda do senhor José Serra: “Eu quero Sé, eu quero Ra, eu quero Serra já serra já”. Isto deveria ser proibido, é praticamente uma lavagem cerebral, pois usa uma música da massa como base pra gravar uma segunda mensagem subliminar em mentes que não reconhecem isso. É golpe baixo que só pode ser aplicado pela elite que sabe usar as potencialidades da arte para o mal, tanto que nenhum dos outros candidatos, que eu me lembre, fez uso desta técnica. Queria ver o que aconteceria se o senhor Serra usasse uma música cuja original tivesse uma letra boa, tipo “Ideologia” de Cazuza ou “Perfeição” do Renato Russo. Sabem por que isso nunca vai acontecer? Primeiro porque não são músicas fáceis de parodiar por causa do trabalho poético que elas possuem. Segundo por que não são músicas populares; quem escuta este tipo de músicas tem uma visão mais ampla e gosta do sentido que as letras têm mais do que do ritmo dançante. E, terceiro, por que, se “colar” e o povo for atrás das originais, a política estará com a corda no pescoço. Também por estes motivos, músicas com teor político são raras mesmo nas raras rádios que tocam música de maior qualidade.

Enquanto isso, na Terra do Nunca, a arte realmente trabalhada que tem intenção artística fica cada vez mais isolada na elite. Tenho rodado saraus por aí e, quando faço alguma coisa de um nível mais elevado, as pessoas que não estão adaptadas a isso ficam encantadas e dizem que não sabiam que a poesia tinha tanto poder e tanta expressão. Acho que devemos repensar alguns conceitos antes de dizer algo do tipo: “o povo só quer porcaria!”, o povo não sabe que existe outra coisa, por isso, não tem condição de procurar. Pegamos Globo, Record e Bandeirantes. Quanto tempo, somando as três, passa alguma coisa sobre a verdadeira arte? No máximo, eu arrisco, 5 horas por semana! Passa bem mais violência do que arte! E ainda dizem que não existe mais censura no Brasil! A arte é muito poderosa para o povo, sabe...

Testemunhei pessoas que tem descoberto os saraus. E, gente, elas ficam maravilhadas com o que a arte pode fazer! Chega a ser triste ver que as pessoas não têm contato com a arte! Essas pessoas começam a ir a todo sarau de que têm noticia, a procurar saraus, a se envolver com os artistas, e isso é lindo! Como uma única noite muda completamente a cabeça de uma pessoa! Tudo isto ocorre, simplesmente, por que o sarau prova que a arte em prática é totalmente diferente da idéia corrente de arte complicada e acadêmica que ninguém entende. Algumas pessoas começam até a se tornar artistas depois que descobrem a verdadeira arte!

Sabem por que isso não acontece em maior escala? Porque os artistas não podem viver em função da arte porque arte, para grande maioria dos artistas, não é nada rentável! Esta situação gera um imenso conflito, uma vez que a arte verdadeira é pouco valorizada, usurpada para beneficio de terceiros e porcamente remunerada para quem faz, alguns artistas estão deixando de lado a função social (ás vezes, até a pessoal) da arte para se dedicar a negócios, aos estudos, ou simplesmente por ideologias como: Fazer sarau em Shopping Center (sim, aqui no Embu, TEMOS ESPAÇO PARA ISSO, mas A MAIORIA DOS ARTISTAS PROFISSIONAIS NÂO COMPARECEM porque) sem receber para isso, não dá!" E aí aumenta-se o abismo entre o povo que vai no shopping por falta de opção cultural e a arte que vai se isolar cada vez mais entre os artistas e os poucos que já a conhecem, entendem a gravidade da situação? Ou a arte arma um levante ou os artistas não recebem dinheiro pra continuar sendo artistas na TERRA DAS ARTES, pois não serão reconhecidos; ENTRETANTO, os artistas querem ser reconhecidos para depois fazer algo a respeito.

Processos históricos provam que movimentos populares é que tem poder necessário para mudar a política (Diretas Já, Revolução Russa, Revolução Francesa a Independência da maioria das colônias européias nas Américas) Todos começaram com um grupo de pensadores e artistas, mas foi a força do povo que pôs o movimento a frente. O mesmo vale pra Embu das Artes, quando toda a comunidade artística se reuniu pra aprovar os 2%(ridículo pra uma cidade que, supostamente, vive de arte, mas fazer o que? Foi uma vitória...) do orçamento municipal para a cultura e arte, não houve político capaz de dizer não. Imagina se tivesse o povo do nosso lado e não jogado nas esquinas da cidade, como seria? Está na hora de parar de frescura e utilizar os espaços que ganhamos!

Abraços.
Ed. 

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

"Guernica" "dell'Arte"

"Guernica" "dell'Arte"
Edgar Izarelli de Oliveira

Talvez um dia o povo aprenda a valorizar a verdadeira arte e não engula mais a porcaria que lhe é empurrada, mas pra isso a verdadeira arte deve agir. E, para agir, precisa se desligar das correntes impostas pela ciência; se livrar do maldito chiclete sabor cola-quente ou super-bonder feito de politicagens bio-estragáveis, sócio-intragáveis e capta-imprestáveis que está preso em seus all-stars, grudando seus cabelos e condenando sua língua ao silêncio mordente dos escravos; abdicar um pouco do falso-moralismo intelectual de seus padrastos e padrinhos, e relembrar a liberdade de seus pais: conhecer e ultrapassar fronteiras do orgulho; transar com pessoas do povo; encher a cara com os amigos num barzinho; invadir as escolas atirando beleza pra todo lado pra chacinar a ignorância; parar a Paulista com a cara pintada de preto; encarar tropa-de-choque; pixar as paredes do governo; depredar o clichê estrutural dos shoppings e dominar a praça pública, nem que pra isso seja preciso se prostituir, se corromper, ou fazer greve de fome pra tornar mais humano o que é divino! Não se ama o que não se conhece!

terça-feira, 23 de outubro de 2012