EdLua.Artes

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Blog mantido por Lua Rodrigues e por mim. Trata de Artes, Eventos Culturais, Filosofia, Política entre outros temas. (clique na imagem para conhecer o blog)
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sábado, 9 de fevereiro de 2013

Idéia nova...



"Escolhas
Vida normal: Passar meia vida estudando pra passar na faculdade pra ter o diploma pra ter status pra ter trabalho fixo pra ter dinheiro pra ter bens pra ter a mulher certa pra ter filhos pra sustentar, envelhecer pra lembrar de ser um pouco feliz, depois esquecer e morrer.

Vida de artista: Sair da bolha, passar a vida TODA se mantendo criança pra sempre estar apto a aprender a prática da própria vida pra aprimorar sua arte pra, de vez em quando, conseguir um trabalho, pra, de vez em quando, arranjar um dinheiro pra rodar pelo mundo pra conhecer pessoas pra, lá um dia, achar que se conhece o bastante pra ser feliz sozinho pra aí então amar verdadeiramente alguém pra firmar algum compromisso pra ter com quem partilhar o aprendizado da vida e atingir a eternidade de ser lembrado e relido e querido por tudo que sempre cultivou: a arte.

Agora, escolha: Estoure de vez a rolha e se permita derramar a essência da existência numa incrível liberdade de apostar crenças numa vida instável e perigosa, ou se contente com corrente que te leva a crer na aparente segurança dos caminhos trilhados pelos passos perdidos, marcados com lagrimas, dentro da bolha que vive com borrachas apagando borras e não deixa uma só letra escrita na folha com a porra tão desejada e tão mal-encarada da felicidade?

Edgar Izarelli de Oliveira"


Boa tarde, Gente! O texto acima repercutiu bastante no face, desde que o postei lá, hoije, durante os debates, tive a idé de escrever uma série de contos em forma de depoimento pra analizar situações sociais...  A série vai se chamar: Desabafos de uma Sociedade Anônima. O primeiro texto já está pronto e é esse aqui abaixo. Estou criando um novo marcardor para essa série.  Abraços


Desabafo de uma menina de olhos escuros como a noite, cabelos castanhos curtos e cacheados, que anda por aí usando um vestido lilás simples de algodão e levando sempre uma bolsa grande o suficiente pra caber um caderno de desenho:    

“Eu amo escrever e quero fazer isso profissionalmente, mas meus pais querem que eu faça medicina porque um médico ganha "mais" que um escritor, eu detesto sangue, mas meus pais me colocaram, a custa da própria saúde, nas melhores escolas contra minha vontade pra eu estudar medicina e ter uma condição de vida melhor do que a deles... Todos os meus amigos falam que me dou bem em biologia, mas poucos sabem que é por medo de decepcionar meus pais, não é por prazer. Na verdade eu detesto biologia! Amo artes, português, história, filosofia! Se eu falar isso pros meus pais, eles não vão entender e vão brigar comigo... A única hora que tenho pra estudar alguma coisa que eu realmente gosto é de madrugada e aí vem meu pai me mandar dormir por que madrugada não é hora de ler! DETESTO ISSO, TENHO VONTADE MANDAR ESSA MERDA PELOS ARES, FALAR MINHAS VERDADES! Só por que eles não gostam dos artistas, dizem que são vagabundos, e um médico salvou a vida de meu tio uma vez, lá nos raios que os partam do interior, agora eu tenho que ser médica! ABSURDO ISSO! Mas, se eu falar, meu pai revida com um tapa na minha boca e baixa a lei que eu devo salvar vidas pra agradecer a sorte que ele teve... Por que ele mesmo não virou um médico então ele é inteligente. Gente, amo meus pais e sei que eles querem o melhor pra mim, mas eu não vou ser feliz se seguir o que eles acham que é minha felicidade! Hoje tive que falar que eu ia fazer um trabalho na casa de um amigo e dar meu celular meu celular pra esse amigo me cobrir pra poder vir pra cá, mas já estou ficando sem desculpas... Se eles me souberem que estou me conhecendo com vocês, provavelmente vão me internar numa casa de viciados em drogas e até provar que não uso drogas... Outro dia, mostrei pra minha mãe uma poesia que escrevi pra tentar mostrar minha angustia, ela riu e perguntou se eu não estava velha demais pra ficar brincando com palavras... QUE RAIVA! Eu me mato pra deixar o mais claro e suave possível e eles ainda assim não entendem! Eu queria ter o apoio deles pra fazer o que me deixa bem. Seguir sozinha por um caminho difícil exige muita força, talvez seja mais fácil se render à pressão... Esse ano presto vestibular, a pressão sobre meus ombros está maior do que nunca, parece que minha vida se resume a passar ou não numa prova, o sentido da vida em uma nota... Ridículo! Eu quero algo alem da mediocridade dessa vida que já está embalada pra presente sendo distribuída, feito esmola, pra população! Fogão, geladeira, casa, televisão, carro, celular, tudo tem que ser da última geração senão não presta! Quanta banalidade! Vou boicotar tudo isso e fazer uma boa escola de artes!”

Edgar Izarelli de Oliveira

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Exercício de Teatro que transformei em Conto

Boa Madrugada, gente!
Para contextualizar. Faço Curso de Teatro com Almir Rosa, tenho aprendido muito com ele. Na última aula, ele dirigiu micro-cenas baseadas em situações fictícias e pediu para que os alunos continuassem somente e especificamente as suas personagens como eles agiriam após a cena, para isso não poderíamos nos apegar a escrever qualquer expressão da personagem com quem contracenamos. Mesmo tendo prática na área prosaica, meus contos sempre procuram relatar ao máximo todas a expressões de todos os personagens para que o entendimento seja apurado em todas as dimensões. Ação e reação são constantes nos meus trabalhos prosaicos. Pra ser sincero, nunca tinha penando em deixar uma parte escondida e tentar mostrá-la à partir da reação. Decidi encarar como um novo desafio. O resultado está neste pequeno conto, posto também o perfil que o professor deu para a minha personagem. Comentem. Abraços!
Ed


Perfil: um homem de alta classe social, por volta de 35 anos, dono de uma grande empresa, casado, sem filhos.   

Despedida

Ângelo chega animado em sua casa e vai ao encontro de sua mulher, abraçando-a com ímpeto, mas carinhosamente. Ele se afasta um pouco, cruza as pernas em sua cadeira de rodas e comunica em tom claramente eufórico, olhando no rosto de sua esposa: “A grana da viagem saiu, podemos ir amanhã mesmo!”. Fica sem palavras ao ouvir a resposta de sua esposa e, apenas depois de algum tempo olhando para chão, volta o olhar para ela e indaga num tom descrente e visivelmente alterado: “Mas... é a viagem que você sempre quis fazer...!”. Diante da resposta, Ângelo vira a cadeira de lado para a esposa, como se estivessem sentados num sofá, e seus gestos e postura indicam tanto desnorteio e tristeza, quanto certo distanciamento. Ele não chora nem ri, apenas, olha vagamente para as coisas. Sem reação imediata, ele procura não olhar para a esposa, tentando se orientar em alguma coisa mental, algo só dele. Finalmente, Ângelo gira as rodas de sua cadeira, com certa fraqueza, lentidão, mas sem se demonstrar abalado, até um piano, abre a tampa das teclas, respira fundo, dedilha bruscamente um glissando e algumas notas de uma música. Para, também bruscamente, abaixa as mãos até as coxas, lentamente, e fala, numa voz baixa, olhando para as teclas do piano: “Tudo bem, eu assino. Já está tarde, dorme aqui... amanhã a gente vê o que faz.” Volta a tocar a música de onde parou. Não dirige mais o olhar nem a palavra à esposa. Só se retira do piano para dormir. Dorme na sala, tirando o casaco e usando-o como cobertor.

No dia seguinte, Ângelo acorda e, com movimentos lentos, olha o relógio, se espreguiça, veste o casaco, vai até o piano, pega um porta-retrato, admira a foto por algum tempo, deixa o porta-retrato virado pra baixo. Pensa por algum tempo, olha redor de si como se estranhasse o local, mas com um ar de saudade. Ângelo, então, pega um bloquinho-de-notas e uma caneta em cima do teclado, escreve um recado, descarta a folhinha do bloco, amassa, joga ao chão, suspirando e balançando negativamente a cabeça, e torna a escrever. Descarta essa folhinha, deixa o bloquinho e a caneta em cima do piano. Torna a pegar o porta-retrato, prende a folha junto à foto, deixa o porta-retrato em pé sobre o piano. Toca a mesma música. Vai até a mesa do telefone e liga para alguém, dizendo: “Remarque todas as reuniões deste mês para conferência de vídeo e me encontre em Paris semana que vem. Tout ira bien, Tout ira bien!” Ângelo pega seu passaporte e seu cartão de crédito, guarda no bolso do casaco e sai, rodando lentamente sua cadeira de rodas, com um leve sorriso de agradecimento. 

Edgar Izarelli de Oliveira
      

sexta-feira, 18 de maio de 2012

A Borboleta Azul












A Borboleta Azul
Edgar Izarelli de Oliveira

Três crianças brincavam de pega-pega numa tarde ensolarada de um verão simples. Época em que tudo ainda era fácil; o gostar era simplesmente gostar por que havia o não-gostar. Meninos e meninas só se diferenciavam pelos brinquedos. Mas pega-pega não dependia de brinquedos. Eram todos iguais: a mesma correria entre as árvores daquele bosque, a mesma graça, o mesmo riso e os mesmo tombos.
A tarde e o tempo também corriam para pegar a energia dos infantes, mas estes pareciam desprezar completamente a chegada da noite e do sono. A tarde passou. Já era o anoitecer, o Sol já estava se pondo, mas ainda havia luz, quando as crianças se sentaram na grama baixa para descansar antes de voltar para casa.
As crianças cansadas estavam sentadas no alto de um morro, olhando na direção do campo florido que ficava monte a baixo, se estendendo até um pequeno lago. Parecia que a graça do dia tinha acabado, mas a noite traria de novo o riso na manhã seguinte. A hora do sono se aproximava, como uma borboleta: suave e inconstante no ar.
Os últimos raios de Sol, porém, trouxeram uma última surpresa para aquele dia feliz. Surpresa em forma de borboleta e de cor azul! Uma borboleta azul dançava entre as flores brancas do campo de dente-de-leão e aquele vento suave de suas asas espalhava as sementes destas flores. Uma borboleta azul, de azul de céu noturno brincava antes da noite chegar!
As três crianças observaram aquilo com a impressão de estarem diante de um fato novo, mágico, inexplicável. A borboleta dançava...
A primeira das crianças se levantou ao ver um espanto tão grande no rosto de seus amigos, disse ser apenas uma borboleta e nada mais, se despediu e ficou criança, não cresceu. Com o passar dos anos, ficou sozinho e foi se sentido triste, passando a não gostar das borboletas azuis, depois de nenhuma borboleta, depois de ninguém, depois nem de si mesmo.
A segunda criatura humana juvenil não entendeu como era possível alguém não crer na mágica de uma borboleta azul, diziam-lhe que essa borboleta traria muita coisa boa a quem conseguisse conquistá-la. A pobre criança se fascinou com a possibilidade e se pos a correr cegamente atrás da borboleta que fugia da captura como o vento foge das mãos. A criança não desistiu e, quando tocou no inseto, de tanto correr olhando para o céu fora de seu alcance, acabou tropeçando numa pedra, caindo e rolando até o lago. Na queda, quebrou os braços, não conseguiu nadar, mas ainda sabia boiar... E boiou a vida toda, sem direção, sem entender “como’s” e “porquês”.
A terceira criança, após salvar o amigo do lago e levá-lo ao alto do morro, pôs-se a esperar, com muita fé, a dançarina azul se aproximar por vontade própria. A criança deitou e ficou bem quietinha para não assustá-la e esperou que a borboleta pousasse em seu corpo. Como ela não vinha, a criança decidiu oferecer um presente... Foi até um campo de violetas do outro lado do morro, pegou uma flor, a maior e mais bonita, a colocou em seus cabelos e deitou-se de novo no meio dos dentes-de-leão.
A borboleta viu a violeta como algo especial, era o que ela procurava na sua dança: a flor que lhe tinha dado a cor linda que levava nas asas. E pousou na flor.
Essa criança foi feliz e cresceu forte e cheio de amor para com as borboletas, tornando-se um adulto mais vivo, com a mente madura, o coração aberto e o espírito de criança preservado.




Foto by Eliseu da Costa

quarta-feira, 7 de março de 2012

Explicando a enquete acima...

Boa noite, gente!

Este post é para apresentar a enquete que acabei de criar, por favor votem, a opinião de vocês será de grande peso na minha escolha.

Bom... Estou em um dilema profissional atualmente e gostaria da ajuda de vocês para escolher em que projeto me focar com maior afinco neste ano. Tenho quatro projetos para apresentar no momento, mas talvez esteja na hora de inovar um pouco e, por isso, me abro à idéia de criar algo novo. Bem, vamos lá.

Projeto 1 Continuar “Gênesis” (Velhos Testamentos): “Gênesis” é o título da “pseudo”-novela que postei aqui de Dezembro 2011 a Fevereiro 2012 (quem quiser ler clique AQUI). “Gênesis” atingiu bom sucesso e, particularmente, considero este o meu melhor texto em prosa; no entanto, de acordo com o plano original, se trata de uma das cinco partes de um romance cujo todas as partes já têm um titulo e uma idéia geral a ser desenvolvida, porém o livro como um todo ainda não tem um nome definido. Pretendo manter a linha psico-dramática e utilizar basicamente os mesmos recursos de descrição espacial e “flashbacks” e “analises psicológicas” enquanto se narra um acontecimento no presente. Este projeto ocorre linearmente no tempo cronológico, o que significa, em outras palavras, que cada parte do livro segue o tempo do relógio. Os personagens principais continuam a aparecer durante o desenrolar das cinco tramas de cada parte e da “trama global” do livro. Por ser cronológico, os personagens vão envelhecendo e mudando algumas características tanto físicas quanto psíquicas. Talvez o maior desafio, como escritor, seja a pesquisa na área de psicologia para escrever o personagem principal, Carlos Magno Vieira, e todas as suas análises, posto que as três protagonistas têm um modelo vivo pra seguir. A próxima parte, que eu até já escrevi duas páginas e parei por motivos puramente pessoais, é intitulada “Velhos Testamentos” e se passa quase três anos depois do tempo presente em “Gênesis”.

Projeto 2 “O Retorno de Saturno” (Versão Stella): “O Retorno de Saturno”, publicado aqui entre Maio e Junho 2010, é também a primeira parte de um romance maior (quem quiser ler ou reler clique AQUI). Na época, era o melhor trabalho em prosa da minha carreira. Basicamente, é uma típica história de amor em que um casal é separado por uma terceira pessoa e acaba voltando depois dez anos; porém a trama tratará, dentro do tema das relações humanas, uma vasta gama de assuntos que com certeza trará polêmicas a se debater na sociedade brasileira. A grande sacada deste trabalho é que cada uma das partes apresenta a versão de uma personagem diferente sob o mesmo espaço de tempo e sob a mesma cena principal. O diferencial deste formato é justamente a variação do narrador que possibilitará a identificação do leitor com variados tipos humanos. Eu já estava escrevendo a segunda versão, a de Stella, quando fui brutalmente interrompido pela depressão de 2011 que, posteriormente, acabou se tornando o texto de “Gênesis”, por isso creio que terei de rever todo o texto já escrito e fazer um reformulação geral. O maior desafio com certeza será manter o estio de escrita distante das intensas análises psicológicas tão presentes no primeiro projeto.

Projeto 3 “Enigma”: “Enigma” é o quinto livro de poesias na minha lista imaginária de publicações. Reúne poesias de quase todas as fases da minha poética, mas, em especial, a parte mais “intimista” e “conflituosa” de 2009, que foi suprimida de “Infinitivos: Onde tudo é possível” por alteração de objetivo neste último, e, também, parte da produção mais “secreta” do segundo semestre de 2010. Basicamente a idéia do livro é quase parnasiana, pois, se trata da poesia falando da poesia, da relação entre poeta/poesia e do prazer contraditório obtido através do fazer poético. Grande maioria de poesias inéditas.

Projeto 4 “Porta Encostada”: “Porta Encostada” seria o sétimo livro de poesias e revelaria, se colocada na ordem certa, toda a evolução filosófica pela qual passou toda a minha lírica romântica. Contando com poesias já apresentadas aqui no blog, datadas de 2011 pra cá, que, na minha modesta opinião, apresentam um refinamento muito superior no que diz respeito ao trabalho em si e à bela riqueza de sentido obtida pelos novos jogos de palavras, o livro também apresentaria poesias que ainda serão produzidas.

Os livros de poesia são projetos a longo prazo já que ainda temos vários exemplares de “Infinitivos” a serem vendidos. Já os trabalhos prosaicos, creio que em um ano eu acabo pelo menos mais uma parte de “Gênesis” ou duas versões de “O Retorno de Saturno”, se a vida permitir... Não estou lá muito otimista, mas preciso trabalhar! Para efeito de curiosidade, o quarto e o sexto livros de poesia trariam versões de romantismo. “Bárbaras Paixões”, como o próprio nome sugere, é constituído de poesias mais “picantes”, mais apaixonadas e intensas. “Tsunami – A Cripta” mostra a história completa de um amor mais calmo e suave desde o encontro inesperado à separação dolorosa. São dois livros bem fortes, mas que fogem um pouco da minha real proposta literária, por isso perderam espaço.

Bom, passei a madrugada aqui escrevendo por que é realmente importante. Por favor, votem. Começo os trabalhos em Abril, até lá creio que não postarei mais nada de muito novo.

Abraços

Ed

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Uma pessoa especial me pediu para ler... Resolvi partilhar com todos!


O guarda-chuva
Existem momentos inesquecíveis na vida da gente, momentos que marcam alguma coisa, seja ela boa ou ruim... mas na tristeza sempre há alegria e vice-versa. Faz pouco tempo que passei por um momento que sei que não me esquecerei, um momento de decisão. As escolhas do coração às vezes não parecem ter razão, mas, se Deus escreve torto por linhas certas, o que impede de trocar o coração pela cabeça e pensar certo com órgãos trocados?
Bom, vou lhes contar o que houve comigo, julguem-me por si mesmo, não é uma história tão cumprida... penso eu.
Me chamo Rafael, sou um jovem homem, cresci há poucos dias atrás, era uma tarde de chuva, a manhã desse dia foi ensolarada, a chuva começou por volta de meio-dia... puro azar meu, tinha um compromisso inalterável, inadiável, ia ajudar um amigo a preparar uma festa de aniversário para a irmãzinha, digo irmãzinha por carinho, era, na verdade, um pouco mais nova que eu, mas era a mais nova da família dela, era minha amiga a muito tempo. Bom, pra complicar eu teria que ir a pé, minha família estava viajando e os carros foram com ela, e a casa desse meu amigo ficava do outro lado da cidade, a festa seria naquela noite, meu amigo, Gabriel, contava comigo, não ia decepcioná-lo por causa de uma chuva fraquinha daquela; alem do mais, a cidade é pequena...
Eu ia e eu fui! Apanhei algumas moedas, na verdade foram dez reais, caso precisasse de condução, e um guarda-chuva, sai, eram por volta de meio-dia-e-meio. Tranquei a casa, abri o guarda-chuva e sai... esse guarda-chuva merece algumas palavras...
Era de uma menina, minha amiga de infância, a primeira mulher da minha vida, ou o primeiro amor, pelo menos isso, não a primeira mulher, o primeiro amor! Bom, ela, Silvia, havia me emprestado o guarda-chuva quando tínhamos doze anos de idade, sete anos se passaram, e ele ainda estava inteiro e ainda me protegia.
A vida, às vezes, tem meios estranhos de nos fazer mudar, digo isso, pois, no caminho vi Silvia andando na chuva sem guarda-chuva, corri até ela, oferecendo-lhe proteção, ela aceitou.
- Meu guarda-chuva!- disse ela se encostando a mim, claro que pra se proteger da chuva, não a interprete de torto.
- Pra onde vai na chuva, Silvia?- perguntei eu.
- Tava na casa de uma amiga, mas, agora vou pra casa, me arrumar pra festa da Lu, irmã do Gabriel!- respondeu e emendando, me perguntou, com carinho.- E você pra onde vai?
- Por coincidência, tô indo ajudar o Gabriel.- respondi e também emendei com carinho.- sua casa fica no caminho, né?
- Sim, fica sim.- disse ela sorrindo entre a ingenuidade de menina e a sensualidade de mulher.
- Vem comigo... te deixo na sua casa.- disse e justifiquei-me.- Se você andar muito na chuva pode ficar doente.
Ela simplesmente aconchegou-se a mim e me deu um beijinho no rosto. Esse era o sim, o não seria um desvio do olhar e um caminhar chuvoso debaixo da chuva. Claro, nos conhecíamos bem, éramos amigos de infância, mas advirto ao leitor que já está esperando algo mais quente... advirto que nunca nem sequer um beijo nos lábios trocamos... embora já tivéssemos chegado perto disso numa brincadeira de verdade ou desafio, tão comum na minha época essa brincadeira... bom, mas nem assim, nem na hora dessa brincadeira, eu a beijei, por medo, que fique claro, não era falta de desejo.
Alias, esse dia de verdade ou desafio não me saia da cabeça. Todas as outras meninas, todos outros beijos que não tive o prazer de desfrutar, toda minha adolescência se consumiu nesse desafio, beijar os lábios de Silvia.
Mas, na rua, a chuva aumentou de repente, por volta das 13:00 horas. Achamos melhor pegar um ônibus, pegamos, tive ainda que pagar por ela, estava sem dinheiro a garota... mas, bem, isso não vem muito ao caso. Sentamos num dos primeiros bancos, o ônibus estava vazio, avistava-se algumas pessoas dormindo lá nos últimos lugares, mas era só. Sentamos e ficamos de bate-papo.
No ponto seguinte entra uma pessoa que me abordou com um docíssimo “oi”, ao olhar para cima vejo que se trata, agora sim, da primeira mulher da minha vida.
- Oi, Paula.- respondi com carinho.
Paula, a conheço a tão pouco tempo, cerca de quatro meses, e já a amo, ela invadiu minha vida com uma presença tão forte, de uma maneira tão linda e bárbara que me era impossível não ama-la.
- Posso me sentar?- perguntou Paula gentilmente.
- Claro.- respondi e me ajeitei para ela sentar-se ao meu lado direito. Depois que ela se sentou, fiz as apresentações necessárias. Ela e Silvia não se conheciam.
Elas se cumprimentaram, de maneira cordial, mas de longe. Dei um pouco de atenção pra cada uma, como um cavalheiro, mas juro-lhes que para mim estava sendo difícil, não só dividir a atenção, mas também, por me sentir preso a Silvia e querer estar com a Paula. Me sentia entre o passado e o futuro.
No meio dessa conversa, ficamos sabendo que Paula também estava indo para a festa da Lu, mas ela, como eu, tinha planos de ir direto para lá.
Descemos no terceiro ponto após o embarque de Paula, abri o guarda-chuva, não era grande, mas dava para nós três nos protegermos da chuva. Ai começou a polemica, Silvia precisava ir pra casa que ficava pelo caminho mais comprido para casa do Gabriel. Já Paula queria ir pelo caminho mais curto. Depois de dez minutos de argumentação, eu só ouvindo, não chegaram a lugar nenhum. Foi então que Paula disse pra mim numa voz muito feminina:
- Rafa, tome um partido... Afinal o compromisso é seu!
Por um instante meu coração parou, eu sabia que eu tinha que tomar uma decisão. Olhei para ambas, olhei para dentro de mim... e quando estava quase decidindo ir com a Paula, Silvia me lembrou:
- Você disse que me levaria pra casa sem que me molhasse, lembra?
- Lembro.- respondi e virando-me para Paula, perguntei, depois de alguns momentos de reflexão.- Preciso leva-la pra casa, sem se molhar, você se importa de pegar chuva?
Paula, olhando-me bem no fundo dos olhos, respondeu:
- Com você, não!
A olhei bem no fundo dos olhos também. Tomei minha decisão, cresci. O momento chegou, era hora de crescer. Dei o guarda-chuva para sua dona, Silvia, que ainda murmurou que precisava me pagar a passagem de ônibus, que não gostava de ficar devendo nada, palavra que não retruquei, simplesmente a abracei e lhe disse no ouvido:
- Qualquer dia você me paga, tá bom? Tenho que ir ajudar o Gabriel...
Ela me olhou nos olhos e me deu um beijinho no rosto. Depois desviou o olhar e foi andando, levando consigo o guarda-chuva; não sei se olhou pra trás. Eu fui pelo caminho mais curto, debaixo da chuva; mas de mãos dadas com a Paula nem parecia chover, chegamos por volta de 13:35 à casa de Gabriel, arrumamos tudo. Lu chegou do cabeleireiro e do shopping, fomos os primeiros a cumprimentá-la e comemorar com ela. Foi muito divertida essa tarde, durante ela a chuva parou, eram 18:00 horas quando a lua apareceu.
E à noite a festa começou animada, Silvia chegou por volta das 20:40, se divertiu também. A Lu não é o tipo de garota que reclama quando alguém chega atrasado, recebia a todos, animava a todos, é mesmo uma cativante menina!
E num canto escuro da festa, sem mais demoras, de mãos dadas, beijei os lábios de Paula!
Edgar Izarelli de Oliveira

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Outro texto de reflexão!

Simplicidade egoísta?

Às vezes, uma palavra é suficiente pra desencadear uma profunda reflexão. Às vezes se trata de uma frase solta que capturamos na rede do inconsciente e guardamos. Às vezes a reflexão já está nos trilhos, mas andando lentamente e, de repente, aparece a palavra que nos afunda de vez... Foi o que aconteceu comigo hoje...

Depois de uma briga com minha companheira por causa de uma sensação que eu tenho de falta de carinho e excesso de bronca por parte dela, comecei a pensar se seria mesmo ela o problema ou se eu é que não aceito o jeito dela.

Na dúvida, procurei uma amiga que me conhece muito bem e com quem tenho pacto de sinceridade natural devido a irmandade amigável de nossas almas. Perguntei a ela se eu sou muito difícil de agradar, se sou muito complexo. Ela me respondeu que não, que gosto das coisas simples, das coisas que lembram a essência humana: pequenos gestos, atos sinceros.

Graças a essas palavras descobri uma coisa que me aterrou: Sim, é verdade que gosto das coisas simples, dos pequenos gestos sinceros, mas não de qualquer simplicidade ou qualquer gesto. Gosto de carinho, mas me lembrei que carinho tem várias formas de se mostrar (quantas vezes eu já não dei broncas em pessoas que amo porque, naquela hora, era o melhor que eu tinha pra dar ou achei ser isso o que a pessoa precisava?) e eu não sei aceita-lo em todas as suas expressões. Minha simplicidade é egoísta! Eu é que não aceito; eu é que me machuco.

Por outro lado, será mesmo tanto egoísmo se, às vezes, preciso de um abraço ou de um carinho no rosto? Todo mundo precisa disso de vez em quando, ao menos todos os que escolheram uma vida normal dentro dos padrões sociais. E aqui vai uma grande ironia, posto que dedico grande parte das minhas horas inventivas a quebrar paradigmas, não é mesmo? Então, como posso querer me inserir no meio deles? Devia estar feliz mesmo sem carinho... Ou melhor, em ter carinhos que se apresentam fora dos padrões convencionais e, no entanto, só consigo desafiar minha companheira a ser outra pessoa, eu a chateio demais, a enfado, e me frustro.

Não devia esperar dela algo que ela não tem para oferecer, devia aceitar isso e eu juro que já tentei, mas minhas lembranças insistem em trazer de volta tempos, não tão remotos assim, em que tinha o carinho que eu gosto e era muito feliz, porém, reclamava por falta de alguns detalhezinhos bobos. Pois bem, hoje tenho todos os detalhes que eu um dia sonhei, mas parece que falta a essência. Então acho que devia parar de machucar a mim mesmo e a minha companheira, principalmente a ela por quem tenho grande carinho; devia terminar a relação e deixar ela procurar alguém que a faça feliz, alguém que se encaixe com a personalidade forte dela. E, quem sabe, encontrar alguém que reflita mais minha natureza gentil.

Mas, se esse meu desejo por carinhos mais sensíveis for exigência do meu ego, eu estaria sendo mais egoísta do que eu posso suportar pra mim mesmo. Imagina, terminar com alguem que tem tudo que eu preciso só porque ela me da broncas certas, só porque tem um jeito diferente de me segurar. Porém, se for uma necessidade da minha alma, alguma coisa mais profunda, mais, sei lá, primordial e vital para minha felicidade... Então, eu não deveria temer mais nada...

Mas como saber, afinal, se meus desejos são a felicidade da alma ou capricho do ego? É uma reflexão tardia, mas que ainda pode mudar os caminhos do mundo.

E mergulho dentro de mim pra saber se minha simplicidade é mesmo egoísta ou se é minha descoberta que se finge de importante...

sábado, 9 de julho de 2011

Conto de Fadas?

As Rosas do Amor
Edgar Izarelli de Oliveira

Eu ouvi, uma vez, essa história antiga e quero repassar suas mensagens secretas a todos que se perguntam, assim como eu: afinal, o que significa o amor? Loucura ou devoção?

Há muito tempo atrás, numa época, mais nobre, em que cultivar flores era considerado arte maior, pois que havia tamanho carinho pela vida e suas belezas que era impossível considerar belo algo que não pudesse ser apreciado com todos os sentidos, havia também um homem capaz de cultivar qualquer flor, um nobre jardineiro (nobre mesmo, de brasão folhado a ouro fechando a capa e tudo) capaz de não só cultivar, mas também criar novas variedades de plantas cada vez mais maravilhosas. Era mesmo um magnífico trabalho.

Esse jardineiro morava num pequeno castelo, nos campos próximos a uma grande floresta que todos achavam ser lar de uma das mais terríveis bruxas do mundo, um lugar quase deserto, mas só ali encontrave-se a terra fértil de que precisava, por isso não era de se estranhar que fosse um tanto quanto recluso e solitário. Os poucos amigos que freqüentemente se maravilhavam com as flores eram camponeses e mercadores. De vez em quando, algum nobre da corte real, de passagem por aquela cercania, via de longe o castelinho e vinha ver a quem pertencia. Estes últimos sempre lhe diziam para expor suas obras de arte para a nova realeza, afirmando que lhe seria consagrado o posto de Jardineiro Real, mas ele sempre ignorava; dizia que as terras da corte não davam flores bonitas e ficava ali, dia-a-dia dedicado a suas flores.

Eis que um dia, ao acordar de manhã e sair ao jardim, encantou-se ao ver uma mulher admirando suas obras de arte com a delicadeza campestre de que tanto gostava, as roupas mostravam que ela tinha certa posse material, mas era simples de coração. O único detalhe que a tornava desagradável aos olhos dele, era o que certamente movia muitos olhos cobiçosos para ela, o atestado de sua perfeição. Além da beleza sutil, da simplicidade, das boas roupas, havia o brasão da Família Real em ouro maciço entre seus seios. Era uma princesa que, de tanto ouvir rumores sobre um floricultor fantástico em seu reino, fora averiguar com seus próprios olhos e, agora maravilhada pela beleza e saúde das flores, pedir para que ele lhe desse uma flor.

O jardineiro, calado, ia pegar uma rosa vermelha, mas a princesa o impediu, alegando que rosas ela já conhecia todas. Ela queria algo feito só para ela e queria acompanhar a criação. O jardineiro, apontando para um canteiro de plantas sem flores, disse que aquelas eram as melhores flores que ele já tinha feito para uma nobre antes. Infelizmente só abriam de sete em sete anos, durante um único dia do início do outono e só crescia ali na cercania, por isso tinha se mudado da corte e perdido sua dama nobre para um cavaleiro sanguinário que estava mais presente.

Mostrando um outro canteiro, onde se viam flores murchas, ele explicou que havia amado mais uma vez; uma garota do campo que adorava lírios, e ali estavam os lírios tristes da morte súbita por envenenamento que a levou no dia em que iam se casar. Os lírios floresceram durante a primavera tão felizes, mas, com as primeiras chuvas de verão, eles murchavam e ficavam tristes e vazios.

Depois que ela viu o resto do jardim, todo florido e cheio de vida, se lembrou que já era final do outono; perguntou ao jardineiro pra quem eram todas essas flores que ainda estavam abertas, ao que ele respondeu “para as virtudes e emoções de um homem sofrido”, ela entendeu. As flores eram a companhia feminina dele. E soube que seria impossível ganhar uma flor a troco de riqueza ou poder, o que ele queria e precisava era uma mulher. Mas já não fazia diferença por que ela, conforme contou a ele, também já tinha sofrido muito por amor e só queria um homem que não a quisesse por dinheiro e poder, mas, sim, por ela mesma.

E fizeram um trato. Se ela provasse que era digna de uma flor, ele faria tudo pra conseguir uma que abrisse todos os dias durante todo o ano e fosse tão linda quanto ela. E se ele conseguisse essa flor, os dois se casariam.

A princesa decidiu ficar ali já que ele precisava daquela terra para cultivar suas flores. Durante todo o inverno, os dois cuidaram juntos pra que as plantas não morressem de frio. Com os primeiros raios de sol da primavera, veio a ele a idéia da flor que faria sua princesa suspirar de amores. Seria uma trepadeira de pétalas macias que exalassem um perfume não muito forte, de coloração branca com manchas rosas bem quentes, em forma de rosa.

Com a ajuda da princesa e da engenharia botânica foi fácil conseguir a tal semente e plantá-la no jardim. A planta criou raízes, cresceu, ganhou folhas e botões, mas durante um ano as flores não abriram. O inverno chegou de novo e aquela planta foi protegida do frio com mais cuidado e atenção que todas as outras. Na primavera, algumas flores estavam fracas e doentes, assim como alguns aspectos da relação de casal. O jardineiro então, concertou o erro, começou a cuidar de todas as plantas igualmente, e pediu para que a princesa ficasse mais um ano com ele. Certamente a florzinha se abriria. Vendo aquele jardim ficando bonito e vivo novamente, ela decidiu ficar, mas não sem antes refletir alguns dias.

Mais um ano se passou e a tal flor não abriu apesar da planta estar cada vez mais bonita e forte, cobrindo todo o muro do jardim com botõezinhos brancos. Era tão bonito que a princesa decidiu que não precisava da flor pra se casar com um homem que a fazia tão feliz, mesmo numa vida campestre que ela nunca sonhara ter.

Se casaram e foram muito felizes durante um certo tempo, depois todo o amor que ele dedicava ao jardim foi deixando a princesa enciumada e nostálgica de homens que lhe davam toda a atenção sempre e sempre. O jardim já não tinha mais tanto encanto. Um dia, logo ao despertar, eles brigaram e, num ataque de raiva, ele se armou de uma tesoura de jardinagem e saiu ao jardim com a intenção de cortar a planta que havia feito para ela. O dia estava raiando e, ao ver o jardim brilhando de orvalho que parecia chorar daquela intenção mesquinha, ele parou pra respirar e observar toda a beleza daquela manhã de tormenta.

O jardineiro reparou que haviam pequenos insetos dourados voando, aos pares e freneticamente, ao redor de todas as flores ainda fechadas. Achou muito estranho nunca ter visto aqueles insetos e se aproximou para ver melhor. Não eram insetos. Eram pequenos serezinhos semelhantes a anjos de orelhas pontudas que espalhavam um pó colorido nas plantas que começavam a abrir. Como faziam também as fadas e os elfos na floresta próxima a mando de um grande mago bondoso. Era o pó da fertilidade que dava tanta vida à terra.

O jardineiro impressionado, percebeu que depois de cumprirem sua missão, os pequenos anjinhos iam para a floresta. Seriam fadas? Só então olhou para a trepadeira de seu amor. Havia uma daquelas criaturinhas, já sonolenta, fechando as rosas em botão para que estas dormissem. O jardineiro olhou aquilo com muita atenção. Quando o sol saiu totalmente detrás das montanhas, a última rosa se tornou um botão e o resto do jardim floresceu. Era o primeiro dia primaveril, totalmente aberto e receptivo ao amor.

O jardineiro largou toda a maldade do corte brusco de rosas tão lindas e, naquela noite, teve todo o trabalho de manter sua princesa acordada, ainda que ela estivesse de cara fechada e inóspita ao seu abraço mais amoroso, só para presenteá-la com as rosas do sentimento, finalmente abertas, e uma frase sábia e romântica:

“Hoje eu percebi que nosso amor, exatamente como as rosas que o demonstram, só pode ser apreciado em seu máximo esplendor quando todas as outras virtudes estão dormindo. Fica muito mais visível e bonito assim, do contrário seria só mais uma flor no meio do jardim. Quer se casar comigo, minha princesa?”

E, como terminam os contos de fadas, cheios de metáforas e portas escondidas... Afinal. eles foram felizes para sempre, apesar de, às vezes, brigarem e terem que ficar um pouco longe um do outro! Acontece... Vai se fazer o que? É impossível evitar o inverno, mas é possível cuidar do jardim. E nós, seremos felizes?

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Sumido eu, né?

Boa tarde, gente.
Eu estou aqui preparando um conto muito complexo. Talvez, o grau de complexidade de um conto esteja na vida de quem o escreve e na instabilidade que um final indefinido pode trazer. Quem retrata mentes tem sempre que ter um cuidado a mais. Eu devia me isolar do mundo exterior até acabar este conto, mas não consigo. O mundo me ajuda a pensar e refletir e cada conversa pode conter uma chave para o segredo da narrativa. Mas tudo que é bom tem seu lado ruim. E, aqui, os dois lados se coincidem, ja que ao pensar e interagir com o mundo atrás da chave, eu entendo as coisas de maneira diferente, e não consigo fixar um ponto final para onde me guiar. Como se não bastasse as interferências externas, há também as que a própria narrativa faz, aparecem personagens e objetos que não faziam parte da idéia original, mas, de algum modo, se fizerem necessários ao desenrolar da trama... Mas , creio que está ficando interessante. Aguardem.

Abraços

Ed

domingo, 15 de maio de 2011

Narração - Início 1

Boa tarde, gente!
Finalmente consegui começar o novo conto. Devo dizer que o ofício de escrever com alma, às vezes, exige semanas de intensa reflexão. O enredo eu tinha na mente há muito tempo, o problema era por onde começar. A forma interfere, sim, no conteúdo. Meu dilema: começo, meio ou fim, qual a melhor parte pra se começar a narrar um conto tão complexo e trincado na linha temporal? Muitos dirão que o começo é sempre o começo... Será? É antiga a ideia de se começar "in media res" (no meio da coisa, da ação) e, falando francamente, tirando os contos de fadas, quase todos os outros textos narrativos que já li começam a ser narrados do meio ou do fim da ação a que se propõem contar, por que isso dá a possibilidade do flashback nas memórias dos personagens; uma experiência deliciosa de se fazer. Essa é uma característica muito forte da literatura nacional, cujo o maior estopim deve ter sido com o Grande Mestre, o Bruxo das Letras, Machado de Assis em "Memórias Póstumas de Brás Cubas", onde o autor defunto começa a narrar sua vida a partir de sua morte. Clarisse Lispector também... Toda vez que me lembro do conto "Amor" a primeira cosa que me vem à mente é a cena de abertura, onde há uma mulher sentada num banco de bonde com uma rede tricô cheia de compras no colo, e embora a ação principal do conto se inicie ai, Clarisse nos leva para dentro da vida da personagem, para depois continuar a narração do fato principal. E para demonstrar a minha paixão por esse recurso, temos o meu querido "O Retorno de Saturno", onde, na verdade, há dois fatos sendo narrados. um é do momento de referência presente, que se passa na igreja matriz, e conta o reencontro, e outro no passado que conta como foi vida do personagem até aquele momento.

Quando o "in media res" não acontece, geralmente temos os chamados prólogos. Prólogos são a inversão do "in media res", por assim dizer. Trata-se de uma parte de duração variável, podendo ser uma frase num conto mais curto até um capítulo num romance, que conta algo que aconteceu antes do fato pricipal e que causa toda a história, permitindo ao escritor, uma linearidade temporal mais ampla, sem cortar os flashbacks. Aqui a narração começa pelo fato que a desencadeia, por isso é mais usado em gêneros ligados ao suspense clássico, aquele em que as ações, a descoberta ou não de um fato, interferem na resolução do mistério. Diferente, portanto, do suspense psicológico onde lembranças e pensamentos, ou a falta destes, são a causa e a resolução da trama narrativa,, o que explica que, neste gênero, o " in media res" e prólogo podem se combinar. O prólogo pode ser um flashback da ação principal ou outras inúmeras variações.

Há, também, narrativas que contam somente a ação principal, o que havia antes é por conta da suposição feita através dessa ação.

E há o estilo "Era uma vez..." onde se conta a ação por inteiro, do início ao fim, sem cortes temporais na narração...

Pois bem, pra que todo esse tutorial sobre início de narração? O post era só pa avisar sobre o novo conto, mas, já que as idéias foram vindo, eu fui escrevendo... E agora vou explicar porque foi tão difícil escolher que tipo de início usar e porque optei pelo "in media res".

Bom, além da preferência por este recurso, pela identificação e impacto, acho que o próprio estilo do conto exigia que fosse assim. É um conto psicológico, mas não tem clima de suspense, o estilo parece o "O Retorno de Saturno", porém o enredo é muito diferente. "O Retorno de Saturno" é mais um capítulo de um livro do que propriamente um conto isolado, por isso, tive que me preocupar apenas com uma visão, um foco, daquilo que estava sendo narrado, ou seja, o conto tem apenas uma história que vai se se desdobrando até atingir o presente. Em outras palavras, é uma versão de uma história, um ponto de vista sobre uma coisa determinada a partir da qual todos os outros personagens vão se desdobrar e ganhar versões próprias, futuramente será um romance de recortes.

Mas, sobre o novo conto, se eu abrisse com um prólogo, teria de ser a cena chave da trama. Clímax no começo pode até funcionar... Mas é melhor deixar para mais adiante. Até por que é um enredo complexo onde serão contadas, no mínimo, quatro coisas em tempos diferentes... O "in media res" valoriza os flashbacks que é o recurso a ser utilizado largamente em contos como esse,. descartando o começo pelo começo. Assim restava saber se começava do meio a cena que acaixa tudo ou do fim. Começando do final, eu ganho efeito de suspense e retiro a tensão e atenção da cena principal, que liga as coisas e ganho também espaço de correção narrativa... Resolvi, começo pela última cena!

Um abraço
Ed

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Um conto

Sonho de Outono

Edgar Izarelli de Oliveira

Era um final tarde de Outono, o chão triturado de folhas coloridas parecia refletir a luz alaranjada do poente, era maravilhoso... Encantador... Mas nem todos os casais presentes ali, naquela praça, pareciam concordar com minha descrição... A maioria aproveitava o encanto pra se beijar ou conversar coisas suaves e sem sentido, mas um casal, apenas um casal, insistia em permanecer intocado pela beleza e inspiração daquela tarde...

- Então foi pra isso que você me chamou aqui, Edson? Toda aquela história de querer me mostrar uma coisa maravilhosa era uma mentirinha travessa pra me fazer vim aqui e ouvir você me pedir desculpa pela milésima vez? – dizia uma jovem mulher aos berros enquanto se levantava ríspida e alterada do lugar distante de um banco.- Eu já disse e vou repetir mais uma vez, EU NÃO VOLTO ATRÁS, NÃO DESSA VEZ!!! ACABOU!!! Entenda, nosso amor está no passado. Eu te amei muito, mas você não me valorizou... Não soube me amar...- ela parou a frase parecendo zonza e sem orientação.

- Você tem toda a razão, Francesca, toda a razão... Eu não soube te dar o valor que você merece, eu procurava a perfeição, admito, tá bom? Mas eu posso dizer o mesmo, ou quase, de você. Posso dizer que você não soube interpretar nem minhas palavras, e olha que as escolhi com cuidado de mestre, nem minhas ações...- disse ele calmo e sereno ainda sentado, a atitude dele parecia até fria e calculista, mas pela gravidade das palavras, pude perceber que a emoção saia inteiramente. Ele a amava e ainda ama... Ele ia dizer mais alguma coisa, mas ela não permitiu.

- Ok, ME DIZ ENTÂO COMO ERA PRA MIM INTERPRETAR ISSO... – e fazendo aspas com os dedos, ela continuou, ainda mais brava.- Francesca, estou apaixonado por outra mulher, alguém que tem tudo pra me fazer feliz. COMO VOCÊ QUERIA QUE EU INTERPRETASSE ISSO, EDSON? Eu te amo, Francesca? Acho que não...- ela parou e ficou olhando para ele.

- A questão é que EU NÂO DISSE ISSO, ou, ao menos, não exatamente isso, Francesca. Não usei essas palavras, usei!? O que eu disse foi: Francesca, estou encantado por outra pessoa que parece ter tudo pra me fazer feliz...- replicou ele em tom corretivo e, de novo. foi cortado por ela antes de acabar a explicação...

- Que diferença isso faz??? Encanto ou paixão?? No final são dois nomes para a mesma coisa: amor! Você que se considera o craque em matéria de sentido deveria saber disso. – disse ela muito zangada.

- Por mais que possa vir a ser amor, encanto é leviano. Paixão é mais profundo. E se você quer mesmo falar de sentidos, amor, pensa que sentido tem o verbo PARECER TER, pense se é diferente de TER DE FATO. Por que, pra mim, o que eu disse foi meio que uma ironia... Séria, mas feita pra se ler ao contrário... E não é segredo pra ninguém que quem tem tudo pra me fazer feliz é você e mais ninguém, Francesca!- disse ele finalmente mais alterado e se levantando do banco. Ela riu um riso forçado e discreto.

- Quer dizer que eu entendi muito mal mesmo, heim... Sabe qual é a questão? A questão não é o que você disse, nem que palavras usou, nem o que quis dizer com elas, Edson. A questão é que nunca se deve dizer à sua namorada que está encantado por outra pessoa, mulher ou não... Não se deve dizer certas coisas que... Esquece... Você não entenderia nunca mesmo.- ela o olhou com tanta raiva que parecia que queria matá-lo.

- Certas coisas que a sociedade desaprova porque a maioria não consegue entender... Desculpa se não te considerei parte da maioria e achei que você fosse entender... Mas tem razão! Não se deve ferir a etiqueta e protocolo do amor nem mesmo se for pra defendê-lo.- disse ele com força.

- Defender??? Você destruiu tudo o que sentia por você. Tudo. Mas, mesmo assim, ainda quis te deixar um pouco feliz, e te deixei livre pra perseguir a garota dos seus sonhos. – disse ela ironicamente calma.- Vai ser feliz, ela te ama mais do que eu te amei, não é? Ela sabe te entender, não sabe? Ela tem tudo que eu não tenho, não tem? Desejo felicidade ao casal...

- Seria melhor ter escondido de você e deixar o encanto crescer ao ponto de se tornar uma traição, não é mesmo, Francesca?? Você me pediu sinceridade e eu dei. Realmente, você me deixou livre pra perseguir a garota dos meus sonhos, você!- disse ele olhando nos olhos dela.- Pouco importa as imperfeições ou perfeições, se o que vale é o amor... É você que eu amo! Sempre escolhi ficar com você. E mesmo quando tudo se quebrou por um ou dois erros... Eu continuo amando e escolhendo você, o amor mais verdadeiro e sincero. Encantos todo homem tem, poucos são os que assumem... É a diferença.

- Olha, Edson, nada do que diga ou faça vai mudar as mágoas que você me causou nesses últimos meses... Você me excluiu de todas as redes na internet...

- E sempre te adicionei de novo!- retrucou ele com muita força.

- Desligava o telefone quando eu te ligava...- continuou ela.

- E sempre ligava de volta chorando...- respondeu ele já com lágrimas nos olhos.

- Me escreveu uma carta pedindo pra mim te odiar... Eu gosto de você, não poderia te odiar nem se eu quisesse...- disse ela chorando e virando de costas para ele.- Eu vou embora, tá bom? É isso o que você quer, meu anjo, então tô saindo da sua vida! Queria poder ser sua amiga... Manter ao menos um contato com você, você é especial pra mim... E sempre será...- entre soluços, ela deu alguns passos, depois disse mais uma frase em voz tão chorosa que quase não deu pra entender.- Seja muito feliz.

Ele caiu de joelhos ao chão e disse também de dentro de um choro desesperado:

- Francesca, fiz tudo isso pra que você me esquecesse e fosse feliz, mas olha pra nós, estamos chorando ainda, eu só serei feliz com você! Entenda, pelo amor de Deus, Eu amo você!! Mesmo você tendo dito que eu seria capaz de te fazer mal pra que você voltasse pra mim. Mesmo você achando que eu não presto mais pra nada, que sou o dono da verdade. Eu não quero sua amizade porque te amo como mulher Francesca... Perdoa minhas loucuras, mas por você só tenho o amor que nos quer juntos pra casar!

- Eu te amava assim, agora cresce e percebe que acabou... Parece criança mimada ai no chão berrando...- disse ela se virando num olhar fuzilante,

- È isso que eu sou! Uma criança...- respondeu ele olhando ternamente nos olhos dela, não se importando de ser fuzilado.- Uma criança que precisa do teu amor!

Ela até pensou em partir, pensou em deixá-lo sabendo que algum dia ele se recuperaria, ou assim ela esperava, mas essa última frase a deixou curiosa e ela não sabia qual o motivo... Ela se aproximou dele, devagar e incerta, mais de uma vez se perguntando se aquilo era certo... Ela olha nos olhos dele e seus olhos mudavam muito depressa de expressão. Ora maltratavam-no com sessões de raiva, ora acariciavam-no com a ternura da fé, ora não tinham ação nenhuma. Mas, era fato... Ódio e Amor se misturavam tão bem... E ela se deixou voltar rindo e perguntando a ele o que significava aquilo: um homem feito admitindo ser apenas uma criança mimada. Ao que ele responde com a mesma cortesia da época em que se conheceram, ali mesmo, naquele banco de praça:

- Perto de ti, não adianta tentar ser adulto, pois, sinceramente, você me faz feliz feito criança correndo até cair... E a dor, a dor é infantil. Absurdo te perder porque quis nos proteger.

- É paixão pura...- disse ela abaixando os olhos para dentro de si.- Ou amor de verdade? Mas eu posso tentar... Um pouco de fé...

Ela estendeu a mão a ele e ajudou-o a se levantar, depois apontou pra uma folha caindo ao vento e depois apontou pra uma estrela bem brilhante, a primeira no céu daquela noite. Os dois se abraçaram e se beijaram. E era simples assim, perdoar e recomeçar, por que as certezas são folhas ao vento, mas o amor dos dois corações era uma estrela forte pregada ao céu. De repente acordei da minha fantasia, meu sonho de outono... E a realidade me lembrou que as coisas, por aqui, são diferentes...

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Novidades do meu universo criativo!

Boa noite, galera!
Eu sei, eu sei... E ando meio desaparecido... Calma.. estou escrevendo pra avisar que fui sequestrado!! Sequestrado pelas novidades existentes no meu universo criativo! Ai, ai, como explicar a vocês... Digamos que até ontem eu estava vivendo um periodo de reflexão profunda sobre minha vida... Estava decidindo se tentava acabar os contos que tenho começados antes de de começar outros ou se relaxava e começava outros antes de acabar os primeiros... Olha , tive que recorrer até às ciêcias ocultas pra decidir isso... Pra mim é pecado deixar um conto por acabar, mas as idéias essênciais daqueles trabalhos guardados n os arquivos do meu computador. me foram "roubadas", por assim dizer, e, sem elas, os contos ficariam sem sentido ou abstratos demais para aquilo que chamo de meu estilo. Por isso, resolvi começar novos trabalhos.

O primeiro deles, no qual trabalho desde ontem à tarde, vai gerar certa, polêmica, muitos vão me perguntar por que não deixar algum mistério para que o leitor desvende... E eu responderei que o mistério existe e está lá, bem escondido, na relação das obras... Sim, estou falando do meu querido conto "O Retorno de Saturno"! Pode parecer ironia, mas O Retorno de Saturno retornará! rsrsrsrsrs

Tenho um grande desafio a se cumprir com aquele conto... Suas personagens abrem leques para uma discução muito forte sobre a psique humana... E eu, como um bom adimirador do trabalho de Machado de Assis e Clarice Lispector, não posso deixar de enveredar-me por esses caminhos misteriosos da alma.

Desafio atual: escrever como uma mulher...

Podem achar estranho, mas é muito interessante se passaar por uma mulher para escrever um conto... Na minha opinião, ajudaria bastante nas relações amorosas, se nós, homens, pensásemos, um pouco mais como as mulheres... E o contrário também ajuda, viu, gatinhas de plantão? Me despus a fazer isso, mas confesso que há uma dificuldade... Estou distante do modelo feminino que criou a personagem, então está ficando meio que com a cara de outra pessoa muito mais próxima... Talvez seja até bom pra dar a idéia de diferença exterior\interior...
Vamos ver no que vai dar...

Abraços...
Ed

terça-feira, 16 de novembro de 2010

"Carrinho Sem Rodas"

Boa noite, gente!
É o seguinte, foi publicado um conto meu numa revista eletrônica de Ubatuba, por acidente... Ou nem tanto! Bom, mas já que já está lá mesmo, resolvi partilhar com as pessoas que conhecem meu trabalho pelo "Palavras d'Alma"... Não tem sentido esconder um trabalho daqueles que me conhecem a tanto tempo, posto que a palavra dita não tem volta... Mas, antes de colocar o link para a revista "O Guaruçá", permitam-me apresentar o trabalho de maneira apropriada aos mundos que o aguardam.
"Carrinho Sem Rodas" é a parte final de uma trilogia escrita, se não me engano, no final do ano passado. Inspirada em coisas que aconteceram na minha vida, a trilogia é composta, além do título citado, por: "O Guarda-Chuva" e "A Carta". O conjunto total da obra conta, com outra visão, menos madura porque o personagem central é adolescente, a história d"O Retorno de Saturno". Quem é leitor deste blog desde que eu comecei a escrever, talvez se lembre da poesia "O Nosso Guarda-chuva" que escrevi para uma peça que estava adaptando dessa trilogia para o teatro, e certamente reconhecerá os nomes Rafael e Silvia.
Há duas razões para não ter postado a trilogia inteira aqui. A primeira razão é que julguei que "O Retorno de Saturno" era mais adulto do ponto de vista da construção ideológica das personagens, embora a trilogia apresente mais estilo no que diz respeito à forma de se escrever. A segunda razão é que, assim como "O Retorno de Saturno", essa trilogia ainda pode crescer até se transformar em um romance.
No conto "Carrinho Sem Rodas", o personagem Rafael faz uma auto-análise de suas ações e acaba por concluir uma coisa que o choca e, talvez, o faça mudar seu modo de agir e pensar.


Quem quiser ler o conto é só clicar AQUI


Peço apenas que os comentários sejam aqui no "Palavras d'Alma"... Fiquem à vontade, amici miei!
Abbracci
Ed