Minha razão de viver tocar a alma com os dedos das palavras. Carinhos ou tapas, depende de quem lê
EdLua.Artes
quarta-feira, 30 de maio de 2012
Notícias
Sei que ando sumido, mas minha ausência é antes fruto de muito trabalho do que falta vontade de estar aqui.
Tenho algumas notícias para partilhar.
O video da entrevista para o programa Litteratudo já está no ar pelo YouTube, quem quiser ver clique AQUI.
O projeto de continuar escrevendo "Velhos Testamentos" está em processo de cozimento de ídéias, então, resolvi aproveitar o tempo de elaboração prática na construção do 4º Livro de Poesias, "Enigma". Já desenvolvi toda a parte poética do trabalho, ou seja, a seleção e organização das poesias em uma sequência, não totaçlmente lógica, mas que transmite uma mensagem. Quem á leu meus trabalhos na ordem que eu proponho nota que não se trata de algo aleatório; realmente tem um pensamento ou uma história acontecendo no decorrer das poesias. É uma filosofia minha de que as poesias não são pra ser jogadas por acaso, uma tem sim relação com outra e há relações entre os livros também.
Outra coisa que fiz nesse tempo foi um projeto de uma oficina de criação literária para concorre ao edital do Projovem municipal. Se for contemplado, atenderrei a 20 jovens com encontros para falar de lingua portiuguesa e prática da escrita, sobretudo, no âmbito da poesia.
E, para finalizar, ontem dei uma palestra sobre minha trajetóiria para professores de um curso de Educação Especial para profossores da rede pública de Taboão da Serra. Foi um succeo!!
Abraços!
Ed
sexta-feira, 18 de maio de 2012
A Borboleta Azul

Edgar Izarelli de Oliveira
Três crianças brincavam de pega-pega numa tarde ensolarada de um verão simples. Época em que tudo ainda era fácil; o gostar era simplesmente gostar por que havia o não-gostar. Meninos e meninas só se diferenciavam pelos brinquedos. Mas pega-pega não dependia de brinquedos. Eram todos iguais: a mesma correria entre as árvores daquele bosque, a mesma graça, o mesmo riso e os mesmo tombos.
A tarde e o tempo também corriam para pegar a energia dos infantes, mas estes pareciam desprezar completamente a chegada da noite e do sono. A tarde passou. Já era o anoitecer, o Sol já estava se pondo, mas ainda havia luz, quando as crianças se sentaram na grama baixa para descansar antes de voltar para casa.
As crianças cansadas estavam sentadas no alto de um morro, olhando na direção do campo florido que ficava monte a baixo, se estendendo até um pequeno lago. Parecia que a graça do dia tinha acabado, mas a noite traria de novo o riso na manhã seguinte. A hora do sono se aproximava, como uma borboleta: suave e inconstante no ar.
Os últimos raios de Sol, porém, trouxeram uma última surpresa para aquele dia feliz. Surpresa em forma de borboleta e de cor azul! Uma borboleta azul dançava entre as flores brancas do campo de dente-de-leão e aquele vento suave de suas asas espalhava as sementes destas flores. Uma borboleta azul, de azul de céu noturno brincava antes da noite chegar!
As três crianças observaram aquilo com a impressão de estarem diante de um fato novo, mágico, inexplicável. A borboleta dançava...
A primeira das crianças se levantou ao ver um espanto tão grande no rosto de seus amigos, disse ser apenas uma borboleta e nada mais, se despediu e ficou criança, não cresceu. Com o passar dos anos, ficou sozinho e foi se sentido triste, passando a não gostar das borboletas azuis, depois de nenhuma borboleta, depois de ninguém, depois nem de si mesmo.
A segunda criatura humana juvenil não entendeu como era possível alguém não crer na mágica de uma borboleta azul, diziam-lhe que essa borboleta traria muita coisa boa a quem conseguisse conquistá-la. A pobre criança se fascinou com a possibilidade e se pos a correr cegamente atrás da borboleta que fugia da captura como o vento foge das mãos. A criança não desistiu e, quando tocou no inseto, de tanto correr olhando para o céu fora de seu alcance, acabou tropeçando numa pedra, caindo e rolando até o lago. Na queda, quebrou os braços, não conseguiu nadar, mas ainda sabia boiar... E boiou a vida toda, sem direção, sem entender “como’s” e “porquês”.
A terceira criança, após salvar o amigo do lago e levá-lo ao alto do morro, pôs-se a esperar, com muita fé, a dançarina azul se aproximar por vontade própria. A criança deitou e ficou bem quietinha para não assustá-la e esperou que a borboleta pousasse em seu corpo. Como ela não vinha, a criança decidiu oferecer um presente... Foi até um campo de violetas do outro lado do morro, pegou uma flor, a maior e mais bonita, a colocou em seus cabelos e deitou-se de novo no meio dos dentes-de-leão.
A borboleta viu a violeta como algo especial, era o que ela procurava na sua dança: a flor que lhe tinha dado a cor linda que levava nas asas. E pousou na flor.
Essa criança foi feliz e cresceu forte e cheio de amor para com as borboletas, tornando-se um adulto mais vivo, com a mente madura, o coração aberto e o espírito de criança preservado.
quinta-feira, 17 de maio de 2012
Inspirada na própria Inspiração
Isso se chama inspiração:
É este olhar em ação, em vã ação,
Em vária ação e variação de reação
Independente da relação de crença ou hesitação;
É este olhar que acalenta o peso da convicção,
Quando a arte está em confecção,
E se assoma à estranha interseção
Dos fatos que rompem a convenção
Pra completar a entranha da conversão
E tornar possível essa minha convecção.
A saída da minha bifurcação:
É uma união, um aperto de mão
Que parece assinalar uma concessão
Na dualidade habitual da decisão,
Pra me liberar de vez da sensação
De estar preso entre a intuição e a razão;
Entre cortar os pulsos, a forca ou a decapitação...
Sem destilação simples, fracionada, ou decantação...
E o que dizer de quem canta e encanta enquanto é são?
Será que é chão? Vai ver seja coração ou, talvez, pulmão...
Está muito louca essa equação?
Ora, pra que pensar se sim ou se não!
Afinal, por que não assim: Sim & Não?... Ou, senão,
Quebrar logo em partes todo esse sermão!
Prefiro, então, mudar de canal, ir pra outra estação,
E deixar-me ser, num átimo, um ato de concepção
Que formula sempre, da arte, uma nova acepção
Pra aliviar a dor estúpida e estupenda da concentração,
Com ou sem atração, com ou sem traição, com ou sem tração,
E evacuar, num único grito, tudo o que pode ser emoção!
E todo esse movimento presente é apenas Inspiração!
Não falei do futuro iminente da expansão em espiral, expiração,
Nem mostrei a possibilidade que pressente a cura total da ex-piração.
Edgar Izarelli de Oliveira
quarta-feira, 16 de maio de 2012
Eventos e Combinados
Só pra combinar com vocês, leitores... A partir de agora, esses avisos de eventos e as fotos dops mesmos serão postados pelo Facebook. Este Blog será para a divulgação de trabalhos literários ou filósoficos, ou, ainda, para discussões acerca de temas variados. Assim ficará mais fácil administrar as coisas, espero que entendam.
Abraços
Ed
sexta-feira, 11 de maio de 2012
Pensamento Complicado
Pensamento Complicado...
Edgar Izarelli de Oliveira
Podes até deixar as coisas a Deus dará
Até podes tu de Deus se rebelar
Se mantiver teus Eus do lado de cá
Só não deixe tua Deusa ao Deus de lá
Se a Deusa adeus dar
Teu Deus adeus dará
E tu do Deus mais nada terá
E tudo mais Deus não será
E mais Eus de tu não haverá
E o tempo então dirá
Adeus à Deusa e desaparecerá!
E quando mesmo teu Deus aparecerá?
Só teu tempo de ser poderá dizer e o fará
Num Domingo qualquer enquanto meditar
E me ditar algum texto teu sobre um dito popular!
quinta-feira, 10 de maio de 2012
Poesia para Capitu (Abertura de Passos Sobre Passos)
Poesia para Capitu
Edgar Izarelli de Oliveira e Bento Santiago (Dom Casmurro)
Oh! Flor do Céu! Oh! Flor cândida e pura!
Desça à Terra, traz-me cá o teu encanto,
Confessa-me uma nova aventura,
Que por ti hei de cultivar meu canto!
Que por ti hei de lhe mostrar bravura...
Que por ti hei de derramar meu pranto
E rir meu riso livre de censura,
Fazendo teu nome, nome Santo!
Oh! Musa bela! Oh! Olhos de Ressaca!
Tira-me a alma da tristeza, da dor!
Inspira-me os sonhos, sem falha!
Enquanto o mundo nos fere, ataca...
Por ti hei de lutar, pelo nosso amor!
Perde-se a vida, ganha-se a batalha!
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Boa Tarde Gente!
Bom, pra relembrar um pouco de poesias antigas... Essa é a poesia de abertura de Passos Sobre Passos, meu segundo livro.
Curiosidades: Chamo de "poesia de abertura" a primeira poesia dos meus livros, aquela que vem logo após a "Dedicatória", pois, no meu esquema de livro, a poesia inicial dá a tônica de todo o livro; é como se à partir dela o leitor pudesse entender a história que vai se passar durante o livro. A poesia de abertura é segunda mais importante no meu processo de montagem do livro, só perde para a Poesia-Chave que é a que dá o título do obra geral. "Essência" é a única que tem confluência, sendo, ao mesmo tempo, a abertura e a chave, na minha primeira obra.
Essa poesia nasceu de um desafio de Machado de Assis. Em "Dom Casmurro", Bentinho é apaixonado por Capitu, mas sua mãe o manda para o seminário (internato para formação de padres) devido a uma promessa. No seminário, Bentinho formula o primeiro e o último verso de um soneto e diz que nunca concluiu o poema, lançando-o como desafio a qualquer poeta desocupado. Tive que tentar, mas acho que falhei. Não sou um bom sonetista. XP
Estou postando por que esses dias, num sarau, contei ao amigo Emerson Santana, poeta aqui de Embu, sobre essa poesia enquanto discorrimos sobre Dom Casmurro. Ele se interessou em ler. Então está aqui!
Abraços!
Ed
quinta-feira, 3 de maio de 2012
Poesia que nasceu de uma dança
Dança de um Sarau
Edgar Izarelli de Oliveira
E, ao som vibrante de cordas estiradas,
Me arrisco a entrar numa linha expressiva de dança
Que impressiona pela leveza do improviso genuinamente artesanal
E me permito me deixar um pouco nas curvas das cinturas, nos braços, nas pernas,
Nas bocas, nas faces, nas mãos, nos pés, nos passos, nos movimentos rápidos
Dos olhos que me aceitaram como sou...
E, em cada giro, eu atiro ao ar mais correntes de pensamentos defensivos já inúteis
Me liberando me libertando me restaurando me reconhecendo me revivendo
E por mais de sessenta segundos rodopio sobre meu eixo original
E sinto a poesia sacudir o peso empoeirado do raciocínio normal
E sinto a poesia desgrudando dos meus ossos
E reverberar por todos os músculos dos meus corpos
Até se abrir em forma de sorrisos nos reflexos desmontados dos meus rostos
E tudo de repente gira em torno da minha felicidade tão simples e tão presente
Que parece ainda me fazer flutuar em direção ao meu mais alto astral...
E, enquanto tudo vai parando, sobra ainda o assombro de perceber
O quanto uma dança pode me soprar, como só vento em pena
Pode tentar explicar numa metáfora viva e bailarina
A sensação que dissolve em si toda a rigidez que dissimula o mundo
E disfarça, por trás de más caras sérias e indiferentes, as almas mais contentes.
A dança me leva ao que é do meu universo essencial...
E tudo isso me faz sentir o quão feliz serias se desfrutasse e compartilhasse
Deste momento de vertigem que dá flores novas às estradas
E mantém sempre virgem a força vital da esperança!
sábado, 21 de abril de 2012
A Poesia cuja Perfomance me derrubou da cadeira num sarau!
Confabulações de Escape (boa tarde)
Edgar Izarelli de Oliveira
E eu podia ter acordado, tranquilo, às nove, nove e meia, no máximo,
Se tivesse dormido quando deitei e fechei os olhos da primeira vez,
Mas o homem é um bicho complexo...
E, se orgulhando da fraqueza de poder pensar,
Acaba perdendo valiosas horas de sonho.
Passando noites em claro, tentando dominar-se ou entender-se,
Numa retórica íntima sem método nem nexo,
Inicia a imitar, na cama, o círculo sem fins de seus pensamentos;
Depois, percebendo a inutilidade do processo, corrompe-se a tentar fugir de si mesmo,
Numa boa hipnose que sempre falha e se chama, vulgarmente falando: aceitação.
Termina, o homem, a levantar-se pra descontar contra uma parede qualquer
Toda sua ira, sua culpa, sua tristeza, seu medo, sua frustração e descontentamentos,
Na sutil esperança de que o ruído oco de seus murros possa evocar a lembrança
Do grito angustiado que, silenciado por força do horário, acaba virando arte ou leitura...
Às vezes, até a falsa companhia de uma tv ligada alivia a impressão de solidão...
Por fim, exausto de viver sentimentos antagônicos, dorme o homem sem sonhar.
Tudo isso a troco ilusório de confabular futuros escapismos, calcular defesas e rotas
E formular ensaios de alguns conformismos pra dizer ao amor, ao trabalho, aos amigos.
E eu acordo ainda tenso depois do meio-dia.........................................................................................................................
Good Dawn, people!
Fato inusitado sobre essa poesia: Acabo de acrescentar esse (boa tarde), pois, nessa noite de 20 de Abril, estava eu no sarau Tearte de abertura da SELIC (SEmana LItero-Cultural) no Centro Cultural Mestre Assis, aqui no Embu das Artes, e resolvi apresentar essa poesia em form a de dramtização. Para começar a perfomance eu dei boa tarde pra cada uma das pessoas que estavam dispostas no primeiro círculo (mesmo sendo noite, porque tarde combina mais com poesia, não sou louco não XD) e fui para o meio para começar a primeira fgrase da poesia em si, quando, inesperadamente, a roda da cadeira se solta e caio no chão!!! XD Felizmente, tenho muitops amigos que me ajudam quando caio, literalmente falando... XD E não me machuquei, continuei a poesia depois e ainfda fiz mais três perfomances durante o sarau ^^ Sem mais quedas... E aí um amigo meu pediu para ler essa poesia por que gostou muito, mas sabem que sou da teoria de compartilhar arte com todos. E espero que gostem!
Abraços
Ed!
Ah! Domingo, 22/4, das 10:00 às 12:00 e, também, das 15:00 às 17:00 tem sarau itinerante no Largo 21 de Abril, a praça central de Embu! Venha participar na companhia de Poetas da cidade!
quarta-feira, 11 de abril de 2012
Apredizado que somente a experiência fornece...
Trilhas Sensíveis (aprendizado, equilíbrio exagerado e surpresas emocionantes)
Edgar Izarelli de Oliveira
Com o passar dos anos, vamos aprendendo as virtudes que nos convém
E repreendendo particularidades sinceras pra, quem sabe, apreender um futuro melhor...
E, neste processo, acho que acabei levando a serenidade muito a sério
E exagerei no equilíbrio frontal da minha vida..
Acho que deixei o controle emocional me controlar,
Formando labirintos de razões para não chorar.
Infelizmente, me esqueci que não dá pra separar muito bem lágrimas e sorrisos;
Com isso, só o que consegui foi ir construindo silêncios e especulações,
Trocando minha espontaneidade, meus impulsos e meus instintos,
Por blocos de concretismos e grandes falhas entre meus pulsos,
Até esgarçar completamente a fina linha lírica de poesias
Que mantinha meu coração um pouco acima da linha alcançada pelo meu olhar terreno
E me permitia a convivência tolerável com a normalidade.
Posso até ter conquistado uma base sólida de sabedoria e sensatez,
Mas de que me vale tudo isso, se, sem ímpeto, a ação se limita à reflexão;
E mesmo a sinceridade foi trincada devido aos choques consecutivos com a realidade?
Hoje, tudo o que posso fazer é assistir os acontecimentos através de janelas fechadas;
E, com um sorriso irônico nas faces, esperar algo que, num lance surpreendente,
Quebre a repulsão estática que criei com essa corrente de pessimismos semi-novos
E rasgue a rede de raciocínios regulares que impede a explosão da expressão escrita.
E, no final, eu reconheço: Preciso da expansão das emoções que já ofereci como esmola
A qualquer um que as quisesse ou necessitasse ter um pouco mais de sensibilidade;
Mas descobri recentemente que o vazio me dói mais que a angústia ou tristeza...
Eu tinha medo. Medo de que a decepção, sempre sádica, me apanhasse desprevenido.
E, mesmo parecendo cinismo, assumo, sou eu quem mais precisa de trilhas sensíveis!
quinta-feira, 29 de março de 2012
minha amiga Lívia coloca algumas coisas minhas nesta page!!!
Curtam... são algumas estrofes de poesiuas minhas e frases famosas, tem um bom conteúdo!
domingo, 18 de março de 2012
Inspirada en Mi Amor
Trajetórias
Edgar Izarelli de Oliveira
Saí do caminho torto, comum e passional das emoções
E trilhei apostas retas e razoavelmente seguras,
Tendo comigo apenas a mísera coragem
De um mapa de pensamentos construídos a improviso
E uma pequena gaiola de julgamentos feitos em cima da hora,
Pra tentar manter sob minha custódia e companhia
A frágil linha de vida deste pássaro canoro.
Mas todas as estradas cederam à pressão do senso-comum
E dos fatos, contra-sensos e contra-cenas da realidade.
O piso do penhasco presente já está se esfarelando
Pelo peso das expectativas frustradas que transporto no peito.
Grito ao precipício profundo que se abre logo em frente, a um passo de mim:
“Como soltar um sonho de amor para que ele se disperse no ar?”
E uma voz serena e sábia me responde ecoando de algum lugar futuro:
“Como se solta um pássaro para que ele volte a voar?”
E com a expectativa despedaçada pela arte do instante,
Eu abro os braços e a porta da gaiola...
O pássaro até alça um vôo tímido e desajeitado,
Mas parece estranhar com frieza a hostilidade do horizonte,
E, sem que eu possa entender, ele muda a trajetória
E vem cantar maviosamente triste ao meu ouvido:
Volta comigo ao caminho belo e antigo
E vai consertando esse coração partido,
Pois, é seu todo o meu amor nativo!”
E o vento sussurrante me restitui toda a leveza de um corajoso “sim!”
quarta-feira, 7 de março de 2012
Explicando a enquete acima...
Boa noite, gente!
Este post é para apresentar a enquete que acabei de criar, por favor votem, a opinião de vocês será de grande peso na minha escolha.
Bom... Estou em um dilema profissional atualmente e gostaria da ajuda de vocês para escolher em que projeto me focar com maior afinco neste ano. Tenho quatro projetos para apresentar no momento, mas talvez esteja na hora de inovar um pouco e, por isso, me abro à idéia de criar algo novo. Bem, vamos lá.
Projeto 1 Continuar “Gênesis” (Velhos Testamentos): “Gênesis” é o título da “pseudo”-novela que postei aqui de Dezembro 2011 a Fevereiro 2012 (quem quiser ler clique AQUI). “Gênesis” atingiu bom sucesso e, particularmente, considero este o meu melhor texto em prosa; no entanto, de acordo com o plano original, se trata de uma das cinco partes de um romance cujo todas as partes já têm um titulo e uma idéia geral a ser desenvolvida, porém o livro como um todo ainda não tem um nome definido. Pretendo manter a linha psico-dramática e utilizar basicamente os mesmos recursos de descrição espacial e “flashbacks” e “analises psicológicas” enquanto se narra um acontecimento no presente. Este projeto ocorre linearmente no tempo cronológico, o que significa, em outras palavras, que cada parte do livro segue o tempo do relógio. Os personagens principais continuam a aparecer durante o desenrolar das cinco tramas de cada parte e da “trama global” do livro. Por ser cronológico, os personagens vão envelhecendo e mudando algumas características tanto físicas quanto psíquicas. Talvez o maior desafio, como escritor, seja a pesquisa na área de psicologia para escrever o personagem principal, Carlos Magno Vieira, e todas as suas análises, posto que as três protagonistas têm um modelo vivo pra seguir. A próxima parte, que eu até já escrevi duas páginas e parei por motivos puramente pessoais, é intitulada “Velhos Testamentos” e se passa quase três anos depois do tempo presente em “Gênesis”.
Projeto 2 “O Retorno de Saturno” (Versão Stella): “O Retorno de Saturno”, publicado aqui entre Maio e Junho 2010, é também a primeira parte de um romance maior (quem quiser ler ou reler clique AQUI). Na época, era o melhor trabalho em prosa da minha carreira. Basicamente, é uma típica história de amor em que um casal é separado por uma terceira pessoa e acaba voltando depois dez anos; porém a trama tratará, dentro do tema das relações humanas, uma vasta gama de assuntos que com certeza trará polêmicas a se debater na sociedade brasileira. A grande sacada deste trabalho é que cada uma das partes apresenta a versão de uma personagem diferente sob o mesmo espaço de tempo e sob a mesma cena principal. O diferencial deste formato é justamente a variação do narrador que possibilitará a identificação do leitor com variados tipos humanos. Eu já estava escrevendo a segunda versão, a de Stella, quando fui brutalmente interrompido pela depressão de 2011 que, posteriormente, acabou se tornando o texto de “Gênesis”, por isso creio que terei de rever todo o texto já escrito e fazer um reformulação geral. O maior desafio com certeza será manter o estio de escrita distante das intensas análises psicológicas tão presentes no primeiro projeto.
Projeto 3 “Enigma”: “Enigma” é o quinto livro de poesias na minha lista imaginária de publicações. Reúne poesias de quase todas as fases da minha poética, mas, em especial, a parte mais “intimista” e “conflituosa” de 2009, que foi suprimida de “Infinitivos: Onde tudo é possível” por alteração de objetivo neste último, e, também, parte da produção mais “secreta” do segundo semestre de 2010. Basicamente a idéia do livro é quase parnasiana, pois, se trata da poesia falando da poesia, da relação entre poeta/poesia e do prazer contraditório obtido através do fazer poético. Grande maioria de poesias inéditas.
Projeto 4 “Porta Encostada”: “Porta Encostada” seria o sétimo livro de poesias e revelaria, se colocada na ordem certa, toda a evolução filosófica pela qual passou toda a minha lírica romântica. Contando com poesias já apresentadas aqui no blog, datadas de 2011 pra cá, que, na minha modesta opinião, apresentam um refinamento muito superior no que diz respeito ao trabalho em si e à bela riqueza de sentido obtida pelos novos jogos de palavras, o livro também apresentaria poesias que ainda serão produzidas.
Os livros de poesia são projetos a longo prazo já que ainda temos vários exemplares de “Infinitivos” a serem vendidos. Já os trabalhos prosaicos, creio que em um ano eu acabo pelo menos mais uma parte de “Gênesis” ou duas versões de “O Retorno de Saturno”, se a vida permitir... Não estou lá muito otimista, mas preciso trabalhar! Para efeito de curiosidade, o quarto e o sexto livros de poesia trariam versões de romantismo. “Bárbaras Paixões”, como o próprio nome sugere, é constituído de poesias mais “picantes”, mais apaixonadas e intensas. “Tsunami – A Cripta” mostra a história completa de um amor mais calmo e suave desde o encontro inesperado à separação dolorosa. São dois livros bem fortes, mas que fogem um pouco da minha real proposta literária, por isso perderam espaço.
Bom, passei a madrugada aqui escrevendo por que é realmente importante. Por favor, votem. Começo os trabalhos em Abril, até lá creio que não postarei mais nada de muito novo.
Abraços
Ed
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
Gênesis - 21º Capítulo - Final

Eu dei um beijinho no rosto dela e, logo depois, me distanciei em choque. Ela só podia estar brincando... Decidi nem dar muita bola, mas uma coisa é certa ela me conhece e me entende como ninguém. E o silêncio dela no resto do trajeto até chegar aqui, a hesitação toda, aquela conversa sobre escolhas e a carta em minhas mãos que estou desdobrando e lendo, minhas emoções girando. Tudo parece assumir outras conotações, outros sentidos...
”Carlos, se eu estiver chorando, abra os braços por que eu vou te abraçar na certeza do presente. Se eu estiver séria, abra os braços por que eu vou te abraçar na certeza do presente. Se eu estiver sorrindo... Feche os olhos e sinta meu calor por que eu vou te abraçar e te dar a certeza de que está tudo bem, tudo certo! Se você quiser ir fazer uma visita pra Felícia pra descobrir suas próprias respostas, me chame, se precisar de companhia, e eu estarei com você! Marília”
E minha escolha é obvia, embora seja regida também pelas emoções dessa noite fria de maio. Felícia é passado. Marília é quem me faz bem. Eu abro os braços pra acolher de novo o equilíbrio das partes. “Na verdade, é esse jogo de sentidos maleáveis que torna as emoções plausíveis de serem analisadas e, consequentemente, influenciadas pelo ato de refletir sobre elas, após a conscientização de sua existência. Podemos, por assim dizer, concluir que as emoções são capazes de criar relações, mas é a consciência do que ocorre com elas que permite à mente julgar se tudo o que sentimos está realmente acontecendo. Emoção e razão não são inimigas, são duas contrapartes em uma conversa mutua dentro e fora dos campos mentais ou inter-pessoais.” O último parágrafo da introdução às relações humanas; li enquanto caminhávamos do ponto de ônibus até aqui. E eu concordo. É outono, mas tudo parece florescer. Tudo bem, ta tudo certo!
Paulo e a mulher já entraram e fecharam a porta. Marília finalmente se virou de frente pra mim e está levantando as mãos e passando elas na frente dos olhos... Agora está levantando a cabeça e vindo, sorridente, em passo leve e rápido e já me abraça muito forte.
- E então? Qual é a resposta?- pergunto bem baixinho e correspondendo o abraço, dessa vez, sim, com toda a sinceridade do mundo.
- Ela está grávida de cinco meses e ele é um grande homem por resolver assumir o filho dele, mas estava morrendo de vergonha de assumir pra mim, que estive com ele por seis anos, o que fez, por isso, não serve pra mim. Não é sincero como você e eu quero paz e segurança, sem perder o amor!- responde ela e emenda rindo com um olhar sedutor e aproximando o rosto do meu.- Me leva pra casa?
E mesmo com a proximidade, ainda me sobra tempo de analisar... Ela sofreu tanto se colocando no papel de traidora e, na verdade, ela acaba de descobrir que o homem a quem ela fazia questão de provar que não escondeu nada é quem tinha muita coisa escondida. Ela deve estar tão carente, embora seu tom, sua postura, suas palavras e seu sorriso, concordem entre si e, por isso, não mostram nada além de uma mulher segura daquilo que quer e disposta a lutar por isso até conseguir. Mesmo assim...
- Não é cedo demais pra começar algo?? Você pode tá querendo só esquecer ele! Acabou de descobrir tudo isso. - pondero eu num último relance de medo.
- Carlos, você pensa demais, confabula demais... - diz ela em tom de brincadeira e muda para o tom compenetrado de seu olhar.- A única coisa que descobri hoje foi o começo de uma história que eu quero viver!
E enquanto ela me rouba esse beijo ardente e incontrolável, com a calma de quem sabe amar sem perder o seu valor, eu me entrego sem esperar muito, apenas o bastante pra criar um laço que não machuque, e concluo: emoções são voláteis demais, o próximo beijo já terá um outro sabor. Não é possível dar uma segunda chance a uma mesma emoção nem a uma mesma relação, mas é possível dar uma segunda chance às emoções em geral e abrir uma porta para o que o mundo pode nos dar de melhor!
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Obrigado por terem acompanhado e compartilhado essa história comigo ao longo destes dois meses. Eu espero que tenham gostado. Por favor, comentem. Desculpem por quaisquer erros não-intencionais que tenham passado batido durante as revisões.
Quero anunciar que pretendo continuar essa série, já tenho idéias para a continuação, mas não prometo nada...
Abraços Ed
sábado, 18 de fevereiro de 2012
Gênesis - 20º Capítulo
Minha tentativa de afastamento e retração falhou por que logo que acordou, minha acompanhante começou a fazer perguntas sobre mim. Eu estava inseguro, mas ela soube como se mostrar confiável. Confiável ela sem dúvida é, sempre me olhou nos olhos enquanto conversávamos. Mesmo assim eu resistia, e para que? Proteger minha razão? Ora, pra que tive tanto medo de perder o controle? Minhas respostas, que começaram o mais breves possível, foram se alongando no decorrer da conversa, mesmo assim eu puxava tudo para o presente. Falei das aulas desafiadoras do professor Sérgio, da minha amiga Letícia, das outras matérias, de como eu gostava de psicologia... Marília percebeu minha grotesca insistência em fugir do meu passado. Eu não falava com ninguém a respeito da minha ex-namorada, exceto com os poucos amigos daquela fase que, de vez em quando, ainda falam comigo. De fato, nem mesmo Letícia sabia da existência de Felícia. Tudo que a pessoa que mais me conhecia sabia é que tinha acontecido algo muito grave com minha mente. Mas Marília soube exatamente o que falar para me deixar sem saída nenhuma...
- Mas, Carlos, quando nos conhecemos, você me disse que fazia Letras e você foi o primeiro a fazer uma análise profunda e boa do meu livro, devia ser ótimo em literatura.- disse ela me olhando nos olhos após ter escolhido muito bem as palavras, movendo levemente e fixando por um segundo, os olhos pro canto superior direito das órbitas, indicando atividade na região lírica do cérebro.- Por que decidiu fazer psicologia?
E, então, eu podia até dizer que as pessoas mudam e fazer uma brincadeirinha boba, dizendo que, apesar de tudo testemunhar contra mim, eu ainda era humano, portanto, sujeito a mudar... Eu pensei mesmo em fazer isso, mas, sei lá, acho que considerei que seria estúpido com ela, que havia compartilhado comigo toda aquela dor e todo o passado dela. Pode ser que a sinceridade dela já havia me transformado em outra pessoa, mais próxima do que eu era antes de tudo isso começar. Mesmo assim, eu ia jogar toda a culpa nos meus chamados amigos, aqueles que me abandonaram depois de uma denúncia falsa de que eu era falso, mas Marília colocou minha mão entre as dela e apertou me olhando nos olhos, como se pedisse com todo o coração pra mim dizer a verdade e talvez fosse isso mesmo que eu precisava achar, uma mulher que me deixasse sem saída nem racional e nem emocional, pra que, eu tivesse somente a opção de dizer a verdade. E eu queria muito conversar com alguém que me entendesse. Quando me dei conta eu estava trocando carinhos com ela... E contando toda a verdade da minha vida, enquanto eu chorava aquele choro de limpeza emocional e ela quase sorria de me ver chorando, feliz por ter descoberto que eu ainda tinha salvação.
Contei tudo, toda a minha vida, olhando sempre nos olhos dela. Era mesmo a minha sinceridade absoluta que tinha me separado da Felícia, agora, depois de tanto tempo esquecida num canto da minha mente, estava criando vínculos com Marília Buonicelli, a escritora do meu livro de cabeceira, é a vida trazendo surpresas! Contei como conheci meus amigos no intervalo do colegial e como foi duro ver que eles nem sequer procuraram saber meu lado da história quando uma ex-namorada de um deles disse a eles que eu havia dito a ela que eles não eram confiáveis; quando eu já havia avisado eles que, dias antes, ela havia me dito que eu é que não podia confiar neles. Até hoje, nem eu consigo acompanhar direito essa história, mas ali já comecei a ver que a sinceridade nem sempre é garantia de que a relação vai funcionar.
Contei que fiquei três semanas me preparando pra sair de casa, depois daquela confusão e, mesmo assim, levei uns bons dois meses procurando algum sentido nessa história toda, sem sucesso. Contei que minha vida só tinha voltado ao normal quando conheci a minha ex-namorada que me cobrava a sinceridade, mas, na hora h, não aguentou e nem entendeu o que eu estava tentando dizer, como o namoro inteiro também tinha sido instável. E contei como havia sido sofrida a separação, por que eu era totalmente dependente dela. E foi aí que realmente percebi como Marília é especial pra mim e rara para o mundo.
Eu mostrei a carta para ela, depois de contar toda a história da relação e da carta, ou quase toda. Ainda não havia contado exatamente o que causou a tal separação. Ela abriu a carta com cuidado e leu só para si, depois devolveu o papel ao envelope e lacrou de novo com um pequeno adesivo que tirou da capa do caderninho dela, me entregando de volta.
Ela suspirou, me olhou no fundo dos olhos e disse que eu tinha que ler a carta, mas quis saber o que, de tão grave e sincero, eu tinha dito a ela. Eu abaixei a cabeça com medo de falar e foi a vez dela de levantar carinhosamente a minha cabeça e com um sorriso me fazer o carinho mais sincero que eu já senti, sem nada de malícia ou pena, dizendo que para ela eu podia contar tudo. Eu me senti seguro como nunca havia me sentido nos braços dela, foi de longe a melhor sensação que eu já tive, por isso decidi contar ela. Acho que ela teve de se segurar pra não rir, mas a verdade é que eu disse a minha ex-namorada que havia outra mulher me encantando, mas que eu não queria trair ela por que, realmente, sabia que aquele encanto não poderia substituir a história que nós já havíamos construído. Eu esperava que Marília fosse fazer o que todas as outras pessoas pra quem contei essa história fizeram. Me perguntar qual a finalidade disso, o que eu esperava que Felícia entendesse?
Mas Marília é excepcional. Ela me sondou naquele olhar espantado e carinhoso que só ela tem e, por alguns instantes, ficou calada, me admirando... Eu pensava que ela estava me achando completamente doido e me surpreendeu quando ela pediu uma folha emprestada por que precisava escrever uma carta pra alguém especial. Eu emprestei a folha certo de que seria para o Paulo... Agora percebo que minha arrogância me servia de auto-afirmação, funcionava como um simulador de segurança, mas era mais um pedido de socorro, já que minha auto-estima estava lá embaixo desde que meus amigos cortaram os laços daquela maneira.
E, quando Felícia apareceu, eu acabei jogando todas as esperanças de um relacionamento bom em cima dela. Nós tínhamos sim quase o mesmo projeto de vida, achei que eu podia me entregar, mas essa entrega, na relação afetivo-amorosa eu ainda não sabia fazer. Eu não conservei nada pra mim. Todos os meus projetos, meus sonhos, toda a minha vida estava baseada na presença dela... Quando ela saiu da minha vida, meu chão imaginário caiu... E foi uma queda tão brusca que não consegui me reerguer de verdade, tive que inventar uma outra pessoa pra continuar viva por mim, mas... Marília sempre fez parte do processo e, nessa noite de maio, ela me reergueu definitivamente.
- Ela não entendeu nada, não é? Se sentiu traída?- disse Marilia se referindo à minha ex e me olhando nos olhos com um olhar de mulher decidida que me envolveu, enquanto dobrava a carta já escrita e a colocava na bolsa sem cuidado nenhum, e eu concordava com a cabeça.- Você usou as palavras com o sentido exato do que queria dizer. Você também só queria proteger o que valia a pena e eu entendo...- e aprofundando ainda mais o olhar.- Eu não viraria as costas pra você assim. Não viraria, não... Eu não virarei nunca.- eu abaixei a cabeça pensando que ela estava dizendo aquilo pra me consolar, mas, sem temer nada nem ninguém, ela levantou meu queixo e me fez carinho.- Carlos, olha pra mim! Eu sei que vou ter que lutar muito pra te convencer que seja lá o que aconteça nessa madrugada é com você que eu quero acordar amanhã!- ela fez uma pausa e observou minha reação. Eu olhava fixamente nos olhos dela, sem querer acreditar no que ela estava fazendo. Uma mulher do nível de Marília...- Carlos, sabe do que devemos cuidar em primeiro lugar?- continuou ela colocando a mão no meu peito.- De nós mesmos, sim, mas para isso não é necessário não sentir nada! E você conseguiu! Você cuidou de mim quando nem eu mesma acreditava em mim, me fez companhia a noite toda e ainda é sincero a ponto de fazer o que fez. E você, Carlos, me provou que ainda existem pessoas boas e inteligentes no mundo.- ela me abraçou e disse no meu ouvido.- Eu vou atrás da nossa resposta, da minha resposta, pra me libertar de algumas dúvidas que me prendem a essa história. Fica ao meu lado, fica ao meu lado, ta?
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Continua... 21/2/12 às 15:00... Último capítulo...
Por favor comentem o que acharam do capítulo de hoje.
Abraços Ed
