Boa Tarde, Gente!
Isso é uma brincadeira poética que saiu de uma outra poesia minha, a "Um tempo pra mim", na qual escrevo:
Minha razão de viver tocar a alma com os dedos das palavras. Carinhos ou tapas, depende de quem lê
Bom dia!
Desejo que hoje quebres o ciclo dos acontecimentos e pensamentos que te conduzem a uma zona depressiva, introduzindo um simples sorriso, um recado de alegria, um pouco de esperança na face de quem gostas, para que a vontade de retribuir possa se espalhar como luz nos espelhos do olhar.
Afinal, é introduzindo uma mudança que mudamos todo o ciclo e são as pequenas mudanças feitas por nós que podem trazer grandes surpresas para nós!
E é assim, retribuindo a alegria que me causas com tua presença em meu coração, que eu quero espalhar um riso aberto que mude teu dia para alguma variante mais feliz!
Edgar Izarelli de Oliveira
O Oitavo Espectro da Saudade
Edgar Izarelli de Oliveira
Passar o dia desanimado não me seria tanto problema
Se, ao menos, eu conseguisse converter o tédio em ócio criativo,
Mas a saudade domina meus pensamentos até que eu canse da luta
E comece a lembrar de datas, dos horários, dos tons de voz, dos abraços, dos sonhos...
Na verdade, já faz algum tempo que sinto se aproximar de mim,
Pacificamente e sem me deixar saídas plausíveis ou reações cabíveis,
Essa sensação estranha que força um elo a mais para correntes, já separadas,
De coisas abstratas que ainda parecem fantasmas tomando formas vagamente visíveis
Só pra que eu não esqueça que o oitavo ciclo do inferno é o paraíso mais perfeito.
No começo, eu achei que era algo passageiro que, depois, foi parecendo desespero,
Mas hoje eu sei que é saudade pura, daquela que pulsa nas veias, nos músculos, nervos.
E quem diria que, depois de tanto tempo, me faria tanta falta esperar por alguém?
Quem diria que eu passaria horas criando pretextos inexistentes pra combater o medo
De telefonar só pra ouvir a voz da pessoa amada, como se isso fosse crime inafiançável?
Quem diria que o querer por querer um dia não bastaria pra pessoas que se gostam...
E seria preciso querer precisar pra poder reatar as linhas da comunicação possível?
E quem diria que eu repetiria, algum dia, a mesma pergunta sorrateira:
Só por que a relação acabou o amor, agora, é carta rasgada que ninguém nunca lerá?
É tão proibido assim mostrar afetividades sinceras a quem não nos integra mais?
Sei lá, mas essa saudade me induz a querer precisar querer estar por perto...
Só pra descobrir que o oitavo espectro da saudade é a própria saudade.A Matéria-prima
Engana-se quem acha que a poesia é feita de palavras.
Palavras são pregos, pinceladas, toques, canais, coisas fortes e banais.
Palavras são os instrumentos, não a música.
Palavras são os atores, não a cena.
Palavras são os tijolos, não a casa.
Palavras são os passos, não a dança.
Palavras são os atos, não a filosofia.
Palavras são os sentimentos, não a sensação.
Palavras são as armas, não a guerra.
Palavras são esculturas numa base de papel, não a matéria-prima.
A poesia pode ser feita de areia, de barro, de plástico, de cerâmica,
De argila, de madeira, de mármore, de metal, de vidro, de gelo...
Poesia pode ser feita de material reciclado, de lixo, de restos, de sobras, de faltas.
Poesia pode ser feita de ar, de fogo, de raios solares, de neblina, do luar...
A água é sempre boa matéria, maleável e inconstante, mas sempre presente,
Pode nos dar lágrimas, poças, poços, lagos, o movimento dos rios e as ondas do mar.
Poesia pode ser feita de amor, de prazer, de tristeza, de alegria, de raiva, de pensamento.
Poesia pode ser feita de pólvora negra.
Há poesias feitas de penas.
Poesia pode ser feita de pessoas, de lugares, de situações, de vidas, de mortes, de sortes...
Poesia pode ser feita de cores, flores, fotos, de fatos, de contos, de muros, de murros,
De telefonemas, de cheiros, de olhares, de sorrisos, de cabelos brancos, pontes, pontos,
Folhas, carrosséis, medos, lutas, conquistas, cidades, doenças, campos, solidão, fé...
Há até poesias feitas de poesias. Poesias feitas de nada, de silêncio, de possibilidades.
A poesia pode ser feita de qualquer coisa, mas sempre acaba por ser a mesma coisa...
A lápide de cristais lapidados a lápis ligada por uma linha lilás à leveza das estrelas,
Onde repousa o peso das palavras que encontram olhos numa correnteza de sentidos!
Edgar Izarelli de Oliveira