EdLua.Artes

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Blog mantido por Lua Rodrigues e por mim. Trata de Artes, Eventos Culturais, Filosofia, Política entre outros temas. (clique na imagem para conhecer o blog)

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Outro texto de reflexão!

Simplicidade egoísta?

Às vezes, uma palavra é suficiente pra desencadear uma profunda reflexão. Às vezes se trata de uma frase solta que capturamos na rede do inconsciente e guardamos. Às vezes a reflexão já está nos trilhos, mas andando lentamente e, de repente, aparece a palavra que nos afunda de vez... Foi o que aconteceu comigo hoje...

Depois de uma briga com minha companheira por causa de uma sensação que eu tenho de falta de carinho e excesso de bronca por parte dela, comecei a pensar se seria mesmo ela o problema ou se eu é que não aceito o jeito dela.

Na dúvida, procurei uma amiga que me conhece muito bem e com quem tenho pacto de sinceridade natural devido a irmandade amigável de nossas almas. Perguntei a ela se eu sou muito difícil de agradar, se sou muito complexo. Ela me respondeu que não, que gosto das coisas simples, das coisas que lembram a essência humana: pequenos gestos, atos sinceros.

Graças a essas palavras descobri uma coisa que me aterrou: Sim, é verdade que gosto das coisas simples, dos pequenos gestos sinceros, mas não de qualquer simplicidade ou qualquer gesto. Gosto de carinho, mas me lembrei que carinho tem várias formas de se mostrar (quantas vezes eu já não dei broncas em pessoas que amo porque, naquela hora, era o melhor que eu tinha pra dar ou achei ser isso o que a pessoa precisava?) e eu não sei aceita-lo em todas as suas expressões. Minha simplicidade é egoísta! Eu é que não aceito; eu é que me machuco.

Por outro lado, será mesmo tanto egoísmo se, às vezes, preciso de um abraço ou de um carinho no rosto? Todo mundo precisa disso de vez em quando, ao menos todos os que escolheram uma vida normal dentro dos padrões sociais. E aqui vai uma grande ironia, posto que dedico grande parte das minhas horas inventivas a quebrar paradigmas, não é mesmo? Então, como posso querer me inserir no meio deles? Devia estar feliz mesmo sem carinho... Ou melhor, em ter carinhos que se apresentam fora dos padrões convencionais e, no entanto, só consigo desafiar minha companheira a ser outra pessoa, eu a chateio demais, a enfado, e me frustro.

Não devia esperar dela algo que ela não tem para oferecer, devia aceitar isso e eu juro que já tentei, mas minhas lembranças insistem em trazer de volta tempos, não tão remotos assim, em que tinha o carinho que eu gosto e era muito feliz, porém, reclamava por falta de alguns detalhezinhos bobos. Pois bem, hoje tenho todos os detalhes que eu um dia sonhei, mas parece que falta a essência. Então acho que devia parar de machucar a mim mesmo e a minha companheira, principalmente a ela por quem tenho grande carinho; devia terminar a relação e deixar ela procurar alguém que a faça feliz, alguém que se encaixe com a personalidade forte dela. E, quem sabe, encontrar alguém que reflita mais minha natureza gentil.

Mas, se esse meu desejo por carinhos mais sensíveis for exigência do meu ego, eu estaria sendo mais egoísta do que eu posso suportar pra mim mesmo. Imagina, terminar com alguem que tem tudo que eu preciso só porque ela me da broncas certas, só porque tem um jeito diferente de me segurar. Porém, se for uma necessidade da minha alma, alguma coisa mais profunda, mais, sei lá, primordial e vital para minha felicidade... Então, eu não deveria temer mais nada...

Mas como saber, afinal, se meus desejos são a felicidade da alma ou capricho do ego? É uma reflexão tardia, mas que ainda pode mudar os caminhos do mundo.

E mergulho dentro de mim pra saber se minha simplicidade é mesmo egoísta ou se é minha descoberta que se finge de importante...

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Um texto para reflexão...

Pergunta-se: Qual outra arte, além da suposta "arte do afeto", não exige tudo isso de seu artista? Toda essa entrega e desdobramento de si mesmo para uma outra existência? Toda e qualquer arte é feita de afetos, não vive sem eles... E, muito além disso, toda arte troca uma vida inteira, reiventando-se em cada obra ou momento de criação, com seu artista. Como num casamento compartilham-se mutualmente entre amores, raivas, desejos e incertezas... Toda arte é, naturalmente companheira pra todas as horas em qualquer dimensão! Não existe arte sem afeto nem arte do afeto, existem pessoas que demonstram afeto em artes diferentes, caminhos, rotas de escape, portas, buraquinhos na parede de lã que separa as vidas das pessoas... Mas, todo afeto tem uma arte escondida que, se for refreada e trancada pessoa a dentro, não causará mais que a escuridão de uma noite sem lua e sem estrelas.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Acabei de Escrever

Karma Findado (Erros, Escolhas Certas e Esperanças)


Olha só como é deprimente a depressão:

Rasguei, entre sinceras lágrimas,

Tudo o que me lembrava a pessoa amada.

Cartas, número de celular, e-mail, perfis em redes sociais, retratos...


E conservei, como divinas relíquias,

As fotos da pessoa errada..

Seus desenhos, suas idéias, suas palavras...

Só me serviram para aumentar a minha ilusão.


O tempo passou e as memórias me trouxeram o que tentei expurgar de mim,

Aquilo que, na verdade absoluta, nunca rasguei:

O sentimento que as trevas de uma chuva de verão sopraram...


O tempo passou e minhas memórias me deram a certeza da qual nunca duvidei:

De baixo daquela casca fina de arte, magia e perfeição, havia só miragens e desenganos;

E sua imagem partida agora partindo já não significa muito diante da minha vida atual...

Ou, vai ver, nunca tenha sido mais que uma lembrança viva de algum passado sombrio

Que, ainda não devidamente resolvido, voltou para ser relembrado, revivido, repassado.



E, apesar disto, eu reafirmo minha escolha... A mesma daquela noite de tempestade.

A mesma diante da lua minguante de hoje: viver a minha vida presente,

Viver daqui para frente, viver o meu futuro da melhor maneira que eu puder,

Se é que, depois do encontro dos turbilhões do tempo, ainda me sobrou alguma coisa...


Separo, sem chorar, minhas roupas, minhas aventuras, minhas palavras sagradas,

Minhas decisões, minhas pequenas artes, minha alma, minha vida e meu amor sincero...

Vou tentar recomeçar, sem olhar pra trás, mas deixo na estante a caixinha mágica...

E arrebento as correntes desse karma separador, tarde de mais, admito...

Mas ainda tenho algumas moedinhas de Lugh pra pagar um táxi.

Me despeço dessa vida passada, fecho a porta e saio sorrindo forte.

Vendo as esquinas onde eu posso ter errado o caminho.


E se o mal não pode mais ser corrigido, desfeito ou esquecido,

Ainda me resta a esperança de, algum dia, ser perdoado,

Aceito como um erro humano, como qualquer um, como qualquer outro.

Erro de quem tinha a felicidade e se encantou com uma aparente perfeição,

Mas, no último instante, pode reavaliar tudo e fazer o certo...



E, quem sabe, um dia poder me entregar de corpo e alma,

Novamente, à pessoa que amo e ser aceito como sua metade.


Edgar Izarelli de Oliveira

domingo, 21 de agosto de 2011

A verdadeira Arte

Quando se tem alguem para amar é que se descobre a verdadeira, a mais integra, a mais completa e equilibrada entre alma e técnica, a humanidade e a divindade, a derradadeira arte!

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

poesia de homenagem a uma coisa sem a qual ninguem vive

À Arte

Arte não é para ser entendida,

Apenas grita os anseios e dores

Da ausência de sentidos

Ou do sobressalto destes

Quando, chegada a hora de alguma morte

Experimentada de tantas maneiras em tantas vezes,

Chega, também, o peso da descoberta, revelação, epifania...

"Arte, sem você não dá para viver! Não em paz! Não nesse mundo descozido e moído!”

E, nas ondas dos porquês e como's, enigmas atrás das respostas,

Encontrar-se em outro corte, outra maestria, outra poesia

Cantando um outro choque, sabedoria, uma outra vida em seu desmontar e despertar!
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Boa noite, ou, como já é de prache, Good Dawn!!!
Essa poesia me veio como resposta a um texto, um poema, que um colega poeta escreveu e que se encontra AQUI. Aproveitem para apreciar outros trabalhos dele, são realmente excelentes. Nossas linhas são opostas, mas admiro e me inspiro com o trabalho dele. Assim como divulgo o trabalho da Minha Rosa Naiara, divulgarei todo aquele que for um colega de poesia. A arte é realmente sagrada demais para ser guardad a sete chaves. Acho que esse colega não concorda muito com isso ... XD mas... Vamos ver como ele reage... Bem-vindo, Supper Egg!

Só pra lembrar: Dia 27, à partir das 15 horas, farei o lançamento de "Infinitvos - Onde Tudo É Possível" no Pvailhão do Parque do Lago Francisco Rizzo, Embu das Artes. Entrada franca, não precisa de convites pra entrar.

Ps: Hoje, recitei "Medo, Nunca Mais!" numa espécie de assembléia civil que discutia os direitos das pessoas com necessidade especias aqui no Embu. Foi bem legal!

Abraços

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Medo, Nunca Mais! - Infinitivos: Onde Tudo É Possível



Medo, Nunca Mais!

Medo, nunca mais...

Eu disse nunca mais,

Nunca mais entrarás em meu coração!

Nunca mais reinarás!

Nunca mais me fará prometer coisas

Que para mim são impossíveis de se cumprir

Medo, afasta as garras de mim!

Nunca mais sentirei medo

De escrever meus versos!

Medo de mim mesmo é um passado sem volta!

Medo de tudo e de todos, agora inexiste!

Medo, tu não atrapalharás meu amor!

Não me separarás das pessoas!

Não me impedirás de olhar nos olhos!

Não me fará perder beijos e abraços!

Não impedirá minha existência plena!

Nem sequer habitarás o meu futuro

Porque vivo do presente!

Nem sequer tens um quarto no escuro

Da minha alma!

Desaproprio-te de minha voz

De minha mente, de meu ser inteiro!

Desaproprio-te agora e pra sempre!

Chega de ficar preso a ti,

Chega de perder os melhores momentos de minha vida!

Chega dessas mortes lentas,

Desses passos em círculo

Diante da vida e do infinito!

Chega de tremer, pulo do precipício de olhos fechados!

Com Coragem de quem Vive, voa, dança, canta e Ama

A vida com todo seu resplendor!

Tu, Medo, estás sem armas, e sem voz, e sem discurso!

Leva contigo essa infelicidade,

Essa fragilidade,

Essa desconfiança!

Coragem, Vida e Amor, apropriem-se de mim!

Porque agora começo a VIVER de Verdade!

Medo, Nunca Mais!

Edgar Izarelli de Oliveira

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Boa noite, galera! Hoje eu vim dar uma palhinha do que será o lançamento de Infinitivos - Onde Tudo É Possível que, só para reforçar o convite, será no dia 27 de agosto, às 15:00 horas, no pavilhão do Parque Francisco Rizzo, no Embu das Artes.

A grande novidade é que ocorrerá um sarau.

Como podem verm já estou praticando a arte de recitar poesia. Prometo recitar no mínimo duas. "Medo, nunca mais", ao meu ver, é o ápice; a poesia que mais vai causar impacto. Sua posição central mp corpo do livro diz muito, embora, claro, as poesias bases desse novo trabalho sejam outras... As poesias bases são aquelas a partir das quais eu monto a obra, aquelas que dão o título ao livro e, na teoria, seriam as mais importantes. Nos meus livros , porém, tem acontecido um fato curioso. as poesias base estão ocupando um papel de coadjuvante ou de protagonista externa. Do livro "Essência" a poesia que realmente marcou foi "Aquela foto". De "Passos Sobre Passos" foi "Abril 2008" e "Ambição". Dessa vez, eu aposto nessa ai acima. Vamos ver o que a crítica vai dizer.


Agradeço meu tio Isac da Costa pelo video.


Um abraço

Ed


domingo, 7 de agosto de 2011

Repost de Desnickado (coisa séria)





PL 84/99. Ja ouviu falar nele ? É um projeto de lei que visa “regulamentar” o uso da INTERNERT no Brasil, mas como toda boa lei brasileira, ela é nos foder.

O PL84/99 com a fachada de “regulamentar o uso da internet no Brasil” quer acabar com a liberdade que ainda temos nesse meio. Lá está dito que eu poderia utilizar nenhum dado de outra pessoa sem autorização. Quer dizer, eu não poderia utilizar essa imagem ai acima sem encontrar quem a fez e pedir uma autorização, com pena de detenção até UM ANO.

Se eu baixar uma música, a pena é de até 2 anos e ainda tem uma multa….
Isso sem contar que os sujeitos ainda querem acabar com o anonimato na internerd.

Então, vamos nós assinar uma “listinha de abaixo assinado”, enviar um email para o deputado em questão, depois dizer para o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor [IDEC] que não estamos contentes.

Segue os links:

Abaixo assinado via AVAAZ
https://secure.avaaz.org/po/save_brazils_internet
[preencha os campos do lado direito da pagina e clique em enviar]

Petição via IDEC
http://www.idec.org.br/campanhas/facadiferenca.aspx?idc=24
[preencha os campos com estrelinha do lado direito e clique em enviar]

Texto completo do Projeto de Lei 89/99
http://www.brdatanet.com.br/infocenter/biblioteca/pl8499.htm

Eu, seu vizinho e meu futuro filho agradecemos sua colaboração.

[]‘s

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Convite para Lançamento em Embu

No sábado, dia 27 de agosto, o poeta e escritor Edgar Izarelli de Oliveira lançará sua mais recente obra poética “Infinitivos – Onde Tudo É Possível”, no pavilhão do Parque Francisco Rizzo, Embu das Artes, às 15:00 horas e convida a todos para prestigiarem uma tarde de muita arte.

O novo trabalho visa causar uma profunda reflexão sobre a vida e seus valores. Para tanto, contando com 33 poesias, a maioria de cunho filosófico, o livro busca, num primeiro momento, aproximar-se gentilmente do leitor com poesias que, utilizando uma linguagem mais afável, tenta chamar atenção do leitor para o valor do instante. Num segundo estágio, as poesias ganham intensidade, se tornando mais sérias e mais intimas, embora algumas tratem da realidade crua, ainda que vestida com um certo grau de cuidado. O autor também se utiliza de outros recursos para dar a reflexão desejada, recorrendo, em primeira estância, às formas diversificadas como meio de choque visual. Certamente, é uma obra que busca unir o novo ao antigo, o inovador ao conservador, em um jogo de contrastes muito envolvente e real.


Por favor, ajudem a divulgar!

Abraços,

Ed

domingo, 31 de julho de 2011

Uma poesia de Esperança

Pequenas Poesias da Esperança

Edgar Izarelli de Oliveira


E me surpreendi ao abrir a janela do quarto

Depois de uma noite de finas garoas e firmes abraços...

Parece que a tempestade durou mais que o previsto,

Mas as gotas leves do inverno abrandaram um pouco os traços;

As feições do tempo e da distância parecem continuar a improviso

Numa cena já mais suave e, com certeza, mais bonita e com mais sorrisos,

Aquilo que a fúria e o desespero haviam inundado.

E parece que a fé dos sobreviventes finalmente chama a estrela para o palco.

Te chamo para assistir, acolhida nos meus braços, a um céu nublado.

A estrela, discreta e tímida, ainda se esconde entre algumas dúvidas e mágoas,

Ainda parece não saber se sai ou não para nos dar o paraíso,

Para mudar o destino e anunciar o fim das águas...

Mas seus raios de luz já nos provam que ela existe e parece disposta a perdoar.

É seus raios de luz, ainda inconstantes, já me mandam pequenas poesias da esperança,

Enquanto iluminam nossos olhos e a as terras encharcadas...

Te fazendo derramar em meu ouvido a voz fluida do amor, líquido sagrado da vida,

Inspiração maior para tudo que eu já vi a fé trazer e a poesia cantar!

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Engaiolado -poesia nova

Engaiolado




Edgar Izarelli de Oliveira







Hoje, caminhando uma caminhada reflexiva,




Me deparei com as grades azuis de uma creche...




E, sem que me desse conta, me agarrei a elas procurando o melhor ângulo.




Algo lá dentro me chamou e eu encostei o rosto,




Olhando nos quadradinhos regulares da grade. Do outro lado:




Crianças brincavam no gira-gira, corriam, gritavam, caiam, apostavam corrida em triciclos.




Alguns minutos se passaram e eu parecia um amante dos pássaros.




Observava as criaturinhas engaioladas com um olhar de pena e a expressão serena,




Mas as criaturinhas continuaram a brincar sem nem notar a minha existência e persistência...




De repente meu olhar ganha desejo e perde penas e pernas.




E ai, eu já não sei se a inocência prende ou liberta,




Mas eu é que pareço prisioneiro das desilusões do mundo,




Olhando passarinhos voarem despreocupados no céu nublado de um dia qualquer.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Mais um pensamento (diante de uma descoberta)

A vida é uma imensa ironia muito bem construida sobre a teia má das interpretações errantes. Uma mesma frase pode causar riso, choro, desconfiança ou raiva, mas sempre acaba com sugestivas reticências, chaves de portas amplas...

sábado, 9 de julho de 2011

Conto de Fadas?

As Rosas do Amor
Edgar Izarelli de Oliveira

Eu ouvi, uma vez, essa história antiga e quero repassar suas mensagens secretas a todos que se perguntam, assim como eu: afinal, o que significa o amor? Loucura ou devoção?

Há muito tempo atrás, numa época, mais nobre, em que cultivar flores era considerado arte maior, pois que havia tamanho carinho pela vida e suas belezas que era impossível considerar belo algo que não pudesse ser apreciado com todos os sentidos, havia também um homem capaz de cultivar qualquer flor, um nobre jardineiro (nobre mesmo, de brasão folhado a ouro fechando a capa e tudo) capaz de não só cultivar, mas também criar novas variedades de plantas cada vez mais maravilhosas. Era mesmo um magnífico trabalho.

Esse jardineiro morava num pequeno castelo, nos campos próximos a uma grande floresta que todos achavam ser lar de uma das mais terríveis bruxas do mundo, um lugar quase deserto, mas só ali encontrave-se a terra fértil de que precisava, por isso não era de se estranhar que fosse um tanto quanto recluso e solitário. Os poucos amigos que freqüentemente se maravilhavam com as flores eram camponeses e mercadores. De vez em quando, algum nobre da corte real, de passagem por aquela cercania, via de longe o castelinho e vinha ver a quem pertencia. Estes últimos sempre lhe diziam para expor suas obras de arte para a nova realeza, afirmando que lhe seria consagrado o posto de Jardineiro Real, mas ele sempre ignorava; dizia que as terras da corte não davam flores bonitas e ficava ali, dia-a-dia dedicado a suas flores.

Eis que um dia, ao acordar de manhã e sair ao jardim, encantou-se ao ver uma mulher admirando suas obras de arte com a delicadeza campestre de que tanto gostava, as roupas mostravam que ela tinha certa posse material, mas era simples de coração. O único detalhe que a tornava desagradável aos olhos dele, era o que certamente movia muitos olhos cobiçosos para ela, o atestado de sua perfeição. Além da beleza sutil, da simplicidade, das boas roupas, havia o brasão da Família Real em ouro maciço entre seus seios. Era uma princesa que, de tanto ouvir rumores sobre um floricultor fantástico em seu reino, fora averiguar com seus próprios olhos e, agora maravilhada pela beleza e saúde das flores, pedir para que ele lhe desse uma flor.

O jardineiro, calado, ia pegar uma rosa vermelha, mas a princesa o impediu, alegando que rosas ela já conhecia todas. Ela queria algo feito só para ela e queria acompanhar a criação. O jardineiro, apontando para um canteiro de plantas sem flores, disse que aquelas eram as melhores flores que ele já tinha feito para uma nobre antes. Infelizmente só abriam de sete em sete anos, durante um único dia do início do outono e só crescia ali na cercania, por isso tinha se mudado da corte e perdido sua dama nobre para um cavaleiro sanguinário que estava mais presente.

Mostrando um outro canteiro, onde se viam flores murchas, ele explicou que havia amado mais uma vez; uma garota do campo que adorava lírios, e ali estavam os lírios tristes da morte súbita por envenenamento que a levou no dia em que iam se casar. Os lírios floresceram durante a primavera tão felizes, mas, com as primeiras chuvas de verão, eles murchavam e ficavam tristes e vazios.

Depois que ela viu o resto do jardim, todo florido e cheio de vida, se lembrou que já era final do outono; perguntou ao jardineiro pra quem eram todas essas flores que ainda estavam abertas, ao que ele respondeu “para as virtudes e emoções de um homem sofrido”, ela entendeu. As flores eram a companhia feminina dele. E soube que seria impossível ganhar uma flor a troco de riqueza ou poder, o que ele queria e precisava era uma mulher. Mas já não fazia diferença por que ela, conforme contou a ele, também já tinha sofrido muito por amor e só queria um homem que não a quisesse por dinheiro e poder, mas, sim, por ela mesma.

E fizeram um trato. Se ela provasse que era digna de uma flor, ele faria tudo pra conseguir uma que abrisse todos os dias durante todo o ano e fosse tão linda quanto ela. E se ele conseguisse essa flor, os dois se casariam.

A princesa decidiu ficar ali já que ele precisava daquela terra para cultivar suas flores. Durante todo o inverno, os dois cuidaram juntos pra que as plantas não morressem de frio. Com os primeiros raios de sol da primavera, veio a ele a idéia da flor que faria sua princesa suspirar de amores. Seria uma trepadeira de pétalas macias que exalassem um perfume não muito forte, de coloração branca com manchas rosas bem quentes, em forma de rosa.

Com a ajuda da princesa e da engenharia botânica foi fácil conseguir a tal semente e plantá-la no jardim. A planta criou raízes, cresceu, ganhou folhas e botões, mas durante um ano as flores não abriram. O inverno chegou de novo e aquela planta foi protegida do frio com mais cuidado e atenção que todas as outras. Na primavera, algumas flores estavam fracas e doentes, assim como alguns aspectos da relação de casal. O jardineiro então, concertou o erro, começou a cuidar de todas as plantas igualmente, e pediu para que a princesa ficasse mais um ano com ele. Certamente a florzinha se abriria. Vendo aquele jardim ficando bonito e vivo novamente, ela decidiu ficar, mas não sem antes refletir alguns dias.

Mais um ano se passou e a tal flor não abriu apesar da planta estar cada vez mais bonita e forte, cobrindo todo o muro do jardim com botõezinhos brancos. Era tão bonito que a princesa decidiu que não precisava da flor pra se casar com um homem que a fazia tão feliz, mesmo numa vida campestre que ela nunca sonhara ter.

Se casaram e foram muito felizes durante um certo tempo, depois todo o amor que ele dedicava ao jardim foi deixando a princesa enciumada e nostálgica de homens que lhe davam toda a atenção sempre e sempre. O jardim já não tinha mais tanto encanto. Um dia, logo ao despertar, eles brigaram e, num ataque de raiva, ele se armou de uma tesoura de jardinagem e saiu ao jardim com a intenção de cortar a planta que havia feito para ela. O dia estava raiando e, ao ver o jardim brilhando de orvalho que parecia chorar daquela intenção mesquinha, ele parou pra respirar e observar toda a beleza daquela manhã de tormenta.

O jardineiro reparou que haviam pequenos insetos dourados voando, aos pares e freneticamente, ao redor de todas as flores ainda fechadas. Achou muito estranho nunca ter visto aqueles insetos e se aproximou para ver melhor. Não eram insetos. Eram pequenos serezinhos semelhantes a anjos de orelhas pontudas que espalhavam um pó colorido nas plantas que começavam a abrir. Como faziam também as fadas e os elfos na floresta próxima a mando de um grande mago bondoso. Era o pó da fertilidade que dava tanta vida à terra.

O jardineiro impressionado, percebeu que depois de cumprirem sua missão, os pequenos anjinhos iam para a floresta. Seriam fadas? Só então olhou para a trepadeira de seu amor. Havia uma daquelas criaturinhas, já sonolenta, fechando as rosas em botão para que estas dormissem. O jardineiro olhou aquilo com muita atenção. Quando o sol saiu totalmente detrás das montanhas, a última rosa se tornou um botão e o resto do jardim floresceu. Era o primeiro dia primaveril, totalmente aberto e receptivo ao amor.

O jardineiro largou toda a maldade do corte brusco de rosas tão lindas e, naquela noite, teve todo o trabalho de manter sua princesa acordada, ainda que ela estivesse de cara fechada e inóspita ao seu abraço mais amoroso, só para presenteá-la com as rosas do sentimento, finalmente abertas, e uma frase sábia e romântica:

“Hoje eu percebi que nosso amor, exatamente como as rosas que o demonstram, só pode ser apreciado em seu máximo esplendor quando todas as outras virtudes estão dormindo. Fica muito mais visível e bonito assim, do contrário seria só mais uma flor no meio do jardim. Quer se casar comigo, minha princesa?”

E, como terminam os contos de fadas, cheios de metáforas e portas escondidas... Afinal. eles foram felizes para sempre, apesar de, às vezes, brigarem e terem que ficar um pouco longe um do outro! Acontece... Vai se fazer o que? É impossível evitar o inverno, mas é possível cuidar do jardim. E nós, seremos felizes?