EdLua.Artes

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Blog mantido por Lua Rodrigues e por mim. Trata de Artes, Eventos Culturais, Filosofia, Política entre outros temas. (clique na imagem para conhecer o blog)

terça-feira, 31 de maio de 2011

Para refletir enquanto acabo o conto.

Good Dawn, People... (boa madruagada deveria mesmo existir) ...
Hum... Seguinte, estou postando essa poesia por um motivo a mais do que minha consideração por ela... Estamos discotindo em outro blog, o blog da minha Rosa (alias ainda to devendo a Rose theory pra vocês), acerca dos efeitos do tempo e da dor na nossa vida... Ai me lembrei desta poesia, escrita a mais ou menos um mês quando descobri que a dor ajuda mais que atrapalha... Bom, pra quem gostava do Ed sentimental e romântico cho que vão se decepcionar bastante com a nova fase da minha "lírica", se é que dá pra chamar assim... Mas, de coração, espero que se não gostarem ao menos pensem nisso. Essa nova fase tem tendências a ficar bastante tempo comigo, intercalada com o romantismo mórbido do inicio do ano, pois uma provém da outra. Não esperem muito mais poesias como "Epifania" ou "Poesia Feliz" ou "Ninho das Certezas"... Bom, ai vai!

Carpen Nocten
Ed

Dor Amiga

Edgar Izarelli de Oliveira


Não sou masoquista...

Que bobagem! Sou poeta...

Pertenço à arte e dizem que o sofrimento inspira,

Mas, a verdade é que sou humano, não máquina de escrever!

Nenhum humano gosta de sofrer e não sou masoquista,

Mas a dor me trouxe tanta coisa boa...

Eu parei de lutar...


A dor me trouxe novas pessoas em novas experiências,

A dor me levou a novos lugares onde sou melhor recebido,

A dor me fez quebrar as regras e me soltar das correntes,

A dor me deu novos olhos e olhares, novos objetos de apreciação...

A dor inaugurou meus novos estilos, novos meios de me expressar!


A dor me ensinou tanta coisa que eu nem supunha existir,

Me mostrou o valor que eu tenho e o valor que as coisas têm...

Como as pessoas podem ser diferentes, como o silêncio pode ser barulhento....

Como a fome pode não significar muita coisa para quem tem carência de amor...

Como as circunstâncias, os pensamentos, as certezas e erros são coisas dúbias...

Como uma promessa quebrada pode machucar menos que uma jura cumprida...


A dor me ensinou a viver sem coisas completas, só com metades...

A dor me deu de presente uma lente de aumento,

Pude enxergar milimetricamente onde estão meus pontos fracos...

Mas perdi a capacidade de julgar o que é meu e o que sou eu...

Perder contornos e sentidos diluídos em lágrimas

Até que não é tão ruim quanto parece...


A dor que quase me matou foi minha salvação...

Foi meu casulo e meu fermento...

Apenas acho que cresci, mas a confirmação só daqui a algum tempo...

A dor me ensinou outros valores de fé, mas não foi assim tão tirana

E pude escolher o que fazia a minha esperança brilhar mais alto...


A dor me ensinou a construir e destruir defesas e ataques...

Deixando a mim apenas a sabedoria de, quem sabe, notar momentos certos...

Deixar meu templo aberto, meu livro sagrado aberto,

Mas eu, o grande mago, reservo uma hora para descansar...

E me mantenho vigilante dos meus segredos, minha vida, meu tempo...


A dor é sempre sábia, se sábia for a alma que vive...

É preciso ter a coragem de ver depois do choque

O que ainda pode se aproveitar dos cacos no chão...

E é preciso aguçar o dom da observação para perceber

As pequenas pétalas de vida desabrochando embaixo das cruzes do cemitério...

É preciso ter paciência para ver a beleza nascer

Depois dos sustos necessários da névoa da madrugada...

E, acima de tudo, a humildade de aceitar e agradecer até o que fere...


Eu agradeço, dor, minha nobre amiga, por me acolher e me aquecer...

E não deixar que meu coração endurecesse, virasse gelo eterno!

Agradeço, dor, por tudo, do fundo de um coração que já gritou muito,

Mas agora conserva sempre uma foto tua na carteira e a lembrança na mente...


Mas todo esse conhecimento ainda me parece premio de consolo, ilusão...

Quando me lembro da felicidade daquela vida que andava sozinha,

Sem força nem bengala, e hoje rasteja implorando alguma piedade.

A luz daquela estrela brilhante hoje é buraco negro egocêntrico.

Mas a dor, amiga, me trouxe o que de melhor sobrou para mim...

E eu agradeço a injustiça já que, ao menos, me deixou a tristeza de companhia!

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Sumido eu, né?

Boa tarde, gente.
Eu estou aqui preparando um conto muito complexo. Talvez, o grau de complexidade de um conto esteja na vida de quem o escreve e na instabilidade que um final indefinido pode trazer. Quem retrata mentes tem sempre que ter um cuidado a mais. Eu devia me isolar do mundo exterior até acabar este conto, mas não consigo. O mundo me ajuda a pensar e refletir e cada conversa pode conter uma chave para o segredo da narrativa. Mas tudo que é bom tem seu lado ruim. E, aqui, os dois lados se coincidem, ja que ao pensar e interagir com o mundo atrás da chave, eu entendo as coisas de maneira diferente, e não consigo fixar um ponto final para onde me guiar. Como se não bastasse as interferências externas, há também as que a própria narrativa faz, aparecem personagens e objetos que não faziam parte da idéia original, mas, de algum modo, se fizerem necessários ao desenrolar da trama... Mas , creio que está ficando interessante. Aguardem.

Abraços

Ed

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Pensamento de uma madrugada de trabalho.

"Quem quiser entender a mente de um escritor, deve entender que, para nós, amarelo-ouro não é amarelo-tempo nem amarelo-sorriso; que não é igual ao amarelo-areia, nem amarelo-alegre; mas, também, não é amarelo-milho ou amarelo-sol, muito menos amarelo-banana ou qualquer outra fruta que possa ser amarela. Amarelo-ouro é amerelo-ouro, diferente de dourado. Achou complcado? Que pena, o mundo nem é só amarelo. Tem branco, preto, azul, verde, vermelho, roxo (que não é nem lilás nem púrpura), laranja, marrom, e rosa (que pode, ou não, ser mistura de paixão e paz)... E isso está parecendo mente de pintor..."

Post dedicado a uma conversa com uma certa Srta. Rosa que escreve suas memórias no blog ao lado...

domingo, 15 de maio de 2011

Narração - Início 1

Boa tarde, gente!
Finalmente consegui começar o novo conto. Devo dizer que o ofício de escrever com alma, às vezes, exige semanas de intensa reflexão. O enredo eu tinha na mente há muito tempo, o problema era por onde começar. A forma interfere, sim, no conteúdo. Meu dilema: começo, meio ou fim, qual a melhor parte pra se começar a narrar um conto tão complexo e trincado na linha temporal? Muitos dirão que o começo é sempre o começo... Será? É antiga a ideia de se começar "in media res" (no meio da coisa, da ação) e, falando francamente, tirando os contos de fadas, quase todos os outros textos narrativos que já li começam a ser narrados do meio ou do fim da ação a que se propõem contar, por que isso dá a possibilidade do flashback nas memórias dos personagens; uma experiência deliciosa de se fazer. Essa é uma característica muito forte da literatura nacional, cujo o maior estopim deve ter sido com o Grande Mestre, o Bruxo das Letras, Machado de Assis em "Memórias Póstumas de Brás Cubas", onde o autor defunto começa a narrar sua vida a partir de sua morte. Clarisse Lispector também... Toda vez que me lembro do conto "Amor" a primeira cosa que me vem à mente é a cena de abertura, onde há uma mulher sentada num banco de bonde com uma rede tricô cheia de compras no colo, e embora a ação principal do conto se inicie ai, Clarisse nos leva para dentro da vida da personagem, para depois continuar a narração do fato principal. E para demonstrar a minha paixão por esse recurso, temos o meu querido "O Retorno de Saturno", onde, na verdade, há dois fatos sendo narrados. um é do momento de referência presente, que se passa na igreja matriz, e conta o reencontro, e outro no passado que conta como foi vida do personagem até aquele momento.

Quando o "in media res" não acontece, geralmente temos os chamados prólogos. Prólogos são a inversão do "in media res", por assim dizer. Trata-se de uma parte de duração variável, podendo ser uma frase num conto mais curto até um capítulo num romance, que conta algo que aconteceu antes do fato pricipal e que causa toda a história, permitindo ao escritor, uma linearidade temporal mais ampla, sem cortar os flashbacks. Aqui a narração começa pelo fato que a desencadeia, por isso é mais usado em gêneros ligados ao suspense clássico, aquele em que as ações, a descoberta ou não de um fato, interferem na resolução do mistério. Diferente, portanto, do suspense psicológico onde lembranças e pensamentos, ou a falta destes, são a causa e a resolução da trama narrativa,, o que explica que, neste gênero, o " in media res" e prólogo podem se combinar. O prólogo pode ser um flashback da ação principal ou outras inúmeras variações.

Há, também, narrativas que contam somente a ação principal, o que havia antes é por conta da suposição feita através dessa ação.

E há o estilo "Era uma vez..." onde se conta a ação por inteiro, do início ao fim, sem cortes temporais na narração...

Pois bem, pra que todo esse tutorial sobre início de narração? O post era só pa avisar sobre o novo conto, mas, já que as idéias foram vindo, eu fui escrevendo... E agora vou explicar porque foi tão difícil escolher que tipo de início usar e porque optei pelo "in media res".

Bom, além da preferência por este recurso, pela identificação e impacto, acho que o próprio estilo do conto exigia que fosse assim. É um conto psicológico, mas não tem clima de suspense, o estilo parece o "O Retorno de Saturno", porém o enredo é muito diferente. "O Retorno de Saturno" é mais um capítulo de um livro do que propriamente um conto isolado, por isso, tive que me preocupar apenas com uma visão, um foco, daquilo que estava sendo narrado, ou seja, o conto tem apenas uma história que vai se se desdobrando até atingir o presente. Em outras palavras, é uma versão de uma história, um ponto de vista sobre uma coisa determinada a partir da qual todos os outros personagens vão se desdobrar e ganhar versões próprias, futuramente será um romance de recortes.

Mas, sobre o novo conto, se eu abrisse com um prólogo, teria de ser a cena chave da trama. Clímax no começo pode até funcionar... Mas é melhor deixar para mais adiante. Até por que é um enredo complexo onde serão contadas, no mínimo, quatro coisas em tempos diferentes... O "in media res" valoriza os flashbacks que é o recurso a ser utilizado largamente em contos como esse,. descartando o começo pelo começo. Assim restava saber se começava do meio a cena que acaixa tudo ou do fim. Começando do final, eu ganho efeito de suspense e retiro a tensão e atenção da cena principal, que liga as coisas e ganho também espaço de correção narrativa... Resolvi, começo pela última cena!

Um abraço
Ed

terça-feira, 10 de maio de 2011

Outra alucinação da madrugada..

Esporte Radical

Edgar Izarelli de Oliveira



É... Ler virou esporte radical!

E eu não sei mais o quanto posso suportar dessa adrenalina sentimental,

E eu que sempre admirei os saltos mortais, curvas estreitas, queda livre, decida de corredeiras.

Eu que sempre brinquei de empinar cadeira de rodas, sempre caí nas tentativas...

Eu estou com medo de pular do alto da minha esperança,

E acabar morto!


Tenho medo de ler qualquer coisa hoje em dia,

Conversa virtual, reportagem de jornal, letra de música internacional,

Poesia ou prosa de autor que se diga clássico, moderno ou marginal!

Qualquer palavra de outdoor hoje me assusta,

Letreiros de néon vermelho ofuscam minha noite,

Carta, e-mail, blogs, livros, revistas, bulas, cardápios, realidades ou imaginações...

Cada palavra pode ser a última volta no ar antes de capotar e quebrar a espinha...


Meu corpo, de repente, não me parece tão vulnerável...

Agüenta tanta pancada, batida, briga de rua, queda, freada brusca,

Mas minha alma de poeta é frágil e não resiste ao peso de uma palavra qualquer...


Tenho medo dos hematomas e ferimentos que as palavras fortes me causam...

A sensação de risco iminente de morte me faz refletir se viro a página do novo livro

Se abro aquele e-mail de piadas que meu amigo sempre manda,

Ou aquela corrente de orações chata que sempre chega não sei de onde...

A próxima frase que minha melhor amiga está digitando me alucina,

Mas o meu triplo mortal pra trás, é mesmo aquela cartinha perfumada com letra de mulher amada...


Prefiro nem arriscar certos saltos...

Prefiro não descer a rampa do medo...

E guardar um pouco de esperança à vida,

Enquanto ainda ninguém me empurrou para um salto no escuro...

Eu tenho medo de ler o que não sei ler...

Eu tenho medo de morrer na próxima frase,

Mas a adrenalina ainda me chama para o que pode haver de bom,

Por isso ainda me conservo no avião sobre o mar,

Preparado para pular de olhos fechados...

E seja o que deus quiser!


Água pode salvar ou matar...

Lágrima pode ser de felicidade ou tristeza...

Mas palavra é só palavra, e depende de quem escreve e de quem lê!

segunda-feira, 9 de maio de 2011

A poesia de hoje...

Boa tarde, gente!
A poesia de hoje ainda continua discutindo comunicação... Como vocês poderão perceber. Ela faz referência a um novo conto. Parece que ultimamente a prosa está mais forte dentro de mim. Esperava começar um novo conto hoje, mas a frase de abertura ou o parágrafo de apresentação ainda deve estar flutuando no reino das idéias perdidas... E, enquanto essa parte essencial do conto não chega, aproveitei a tarde para poetizar. Essa nova poesia é fruto do estado em que acordei hoje e de uma coisa mais importante... Alguém mais importante, na verdade: A MUSA. Falando franca e abrtamente, poesia nenhuma sabe seu rumo se não for seguindo esse anjo sagrado até o sentido certo que ela quer passar. Até mesmo as poesias realistas ou intimistas precisam de uma guia que indique e ajude a juntar as palavras em um trilho estreito que os literatos chamam de "poema". A poesia de hoje teve um longo caminho de trilhos, longo mesmo, tecidos com muito carinho pelo ser que vos escreve... Claro, todas as poesias que eu escrevo, eu escrevo com carinho. Mas, de mais de 450 poesias que já escrevi, acho que essa de hoje foi a que escrevi com mais cuidado e dedicação à arte de escrever. Demorei quatro horas escrevendo e corrigindo... Está Linda, realmente traduz meu sentimento por essa Musa! Não sei se ela lerá esse texto, mas, se ler, ela saberá que falo dela! Por isso a posto aqui.

Mudando de assunto, antes de postar a poesia, preciso dizer que como escritor eu conheço o talento necessário para se escrever, portanto, posso ter a honra de relembrar esse nome aqui no meu querido "Palavras d'Alma". Falo de uma Grande Amiga que começou a escrever e confiar no que escreve. Ela é a "Minha Rosa" Naiara! Quem acompanha este blog se lembra que pedi para guardarem esse nome que ia despontar como uma escritora talentosa. Dito e Feito. Convido a todos para conhecerem o trabalho dessa minha querida amiga no Blog... "Memórias de uma Rosa"
Vale muito a pena conferir!

Só para avisar, não tem ligação entre os dois parágrafos. Antes que pensem que a Naiara é a Musa de que falo. Não é!

Bom... Chega de papo, fiquem com a poesia... Leiam-na com carinho!

Abraços



Hoje eu já acordei assim...

Link Edgar Izarelli de Oliveira


Hoje, eu já acordei distante...

Em um outro mundo longínquo

Onde, por ventura, se formam as narrativas.

Não, não estou naquela terra quebrada,

Meus pés não estão no chão...


Hoje, eu acordei já à deriva do vento,

Flutuando num balão descontrolado acima do reino das dúvidas...

Não sei onde estou, mas vejo, lá embaixo, parecendo formigas no campo,

Muitas metades de tantas histórias plausíveis de realidades

Carregando, como folhas para alimentar uma rainha inescrupulosa,

Dois pontos de interrogação de inalcançáveis resoluções:

Um começo, trilha que se perdeu atrás de cada meia vida,

E um destino, castelo onde a rainha espera para sagrá-las cavaleiras...


Hoje, eu acordei já numa interrogação medrosa...

E me distraio a procurar um caminho, um primeiro passo perdido na multidão,

Por onde eu possa começar a narrar um destes meios contos...

Um que rodeia a minha cabeça já há algum tempo,

Pois, de algum modo, se transformou em mosquito incômodo,

E está zunindo suas palavras ao meu ouvido, como um sussurro de amante...


Hoje, eu acordei já taciturno como a noite...

Mas, alheio a tudo isso, o carteiro veio entregar a carta mais esperada da minha vida...

Ah! Como admiro o carteiro! Cumpre sua missão alheio das consequências!


Eu, hoje, já acordei com essa carta nas mãos,

Um mundo lacrado que somente eu posso abrir...

E eu poderia ignorar a carta recebida,

Poderia rasgá-la em pedaços sem ler...

Toda carta escrita precisa ser lida!


Eu, hoje, acordei já na caixa de correios...

Mas me falta coragem para abrir o envelope,

Tenho medo, será, minha deusa, de entrar na santidade das tuas palavras?

Não, tenho medo de que, ao entrar, eu descubra apenas a morte do que é sagrado...

E leia, ali, apenas as mil coisas que nunca entendeste das minhas rezas...

Tenho medo... Medo de chorar de novo tudo o que as palavras já me machucaram...

E tenho medo de não ler e jogar fora a última chance de ser feliz...

E medo de não saber ler o sentido por trás de tudo que você deve ter dito...

E medo de não ter os significados e formas certas pra uma boa resposta.


Acordei, hoje, já tão inseguro que não sei mais o que considerar...

Acho que não estou pronto pra ler esta carta...

Acho que prefiro guardar em local seguro, dentro da parede de tijolos...

E, quem sabe, nunca mais encontrar, deixar pro futuro revelar o segredo

A quem possuir a minha senha de entrada e minha lágrima de herança...

E acho que penso que para qualquer outro seria fácil ler sem se emocionar...

Mas pra mim não, pra mim não, pra mim não, não!

As minhas emoções se fazem daquilo que é escrito e lido, mal de poeta...


Já acordei, hoje, me sentindo uma incógnita inconstante...

Sou bonito ou feio aos seus olhos? Será mesmo que sei me expressar?

E minha alma sensível acha fácil perdoar e difícil não ser perdoada...

Tenho medo de ler as palavras que tanto amo, de quem amo tanto,

Podem ser palavras mordazes, palavras que me julguem monstro...

Pela aparência de meus atos... Qualquer um me julgaria monstro, qualquer um!

Mas minha balança ainda pesa o que há por dentro das aparências, das pessoas...

E este, talvez, seja o erro da minha interpretação...


... Tão tranquilo, eu, hoje, acordei..

Procurando o início perdido de um conto que quero escrever...

Meu coração, finalmente, parece ter aceitado a solidão como irmã...

E acolhido, como partes pertencentes a mim, as minhas angustias noturnas...

A tristeza endurecida nas minhas faces...

As dores musculares que um simples sorriso pode me causar...

Não, não estou pronto pra chorar de novo,

E meus olhos ardendo sobre os versos que escrevo pra tentar te explicar

Razões pelas quais ainda não respondi tua carta como deveria

Me fazem mentir pra mim mesmo e chorar de insegurança...

Choro palavras no papel, chuva de sentidos...


Poeta e escritor, hoje, acordei, já pronto pra sentir meu punho doer à noite...

Mas, se estou mesmo escrevendo versos e não contos,

É por que lá, no fundo do baú das minhas esperanças guardadas,

Eu ainda espero te ver entrando por esta porta,

E ainda quero dividir tudo o que tenho com você...

E, sinceramente, acho que esta esperança ainda não está pronta para morrer!


Eu, hoje, já acordei com esses versos nas pontas dos dedos...

E, se sussurrei aos ouvidos do vento que sopra meu balão pra longe de mim,

E, se escrevi na parede instável de ar em movimento,

E, se estou te mandando esses versos com o carinho de um viajante perdido,

É por que, ainda tenho a certeza versificada das estrelas de um deus,

Nosso romance ainda não teve um ponto final da mão do grande escritor de vidas!

sábado, 7 de maio de 2011

Bom, aqui vai a poesia de Hoje...

Mas, antes, algumas palavras de explicação absurda.... faz tempo que não "falo" com vocês meus amigos. Bom, Começo do conto "Sonho de Outono", gostaram dele? Espero que sim... Não é segredo pra ninguém que meus contos falam de relações humanas em situações estranhas, geralmente vividas na pele por esse escritor que vos escreve. Certo, os personagens são inventados...
Esse conto tem, como qualquer outro, um objetivo. Quem gosta de ler meus contos sabe que procuro mostrar partes de pessoas que nem sempre são visíveis... Mas, nesse conto, o que está em foco não é a pessoa do Edson nem da Francesca, e sim a comunicação entre elas. Escrevi esse conto pra causar uma discussão sobre a comunicação... E, acreditem, eu precisava escrever na tentativa de entender o que aconteceu na cabeça de uma pessoa... Não consegui com o conto... teve que ser uma lição mais dura...
Ilustro-a na poesia a seguir! Espero que apreciem... E quero agradecer à pessoa que me fez entender tudo isso... Não posso dar nome, mas ela saberá que falo dela...

Somente Às Vezes, Compaixão...

Edgar Izarelli de Oliveira


Às vezes, acho que ninguém me entende!

Compaixão alheia quase sempre vem pela metade, ou menos,

Um terço, quem sabe, de orações pelo meu sofrimento...

Às vezes, é o bastante saber que existem pessoas e coisas pra se apoiar,

Ou para amortecer um pouco as dores da queda...

E, às vezes, só a teoria já basta pra entender os segredos que a compaixão não revela.


Às vezes, acho que entendo bem os outros...

Palavras, moderações, pensamentos e sensações não deveriam ser assim tão trincadas

A quem já é do ramo da escrita há tanto tempo...

Mas, a verdade é que minha compaixão é quase sempre tão incompleta

Quanto a que me é dada, nos momentos piores da vida.


Muitas vezes eu esqueço que sou apenas humano,

Muitas vezes desejo ser tratado como eu trato todos os outros.

Muitas vezes quero entender tudo que se passa dos dois lados do mar da comunicação,

Quero resgatar sentidos que não foram pescados, formas que se perderam no vento,

Explicações que naufragaram em palavras ditas com a sinceridade de uma interpretação poética...

Quero ver o que existe do outro lado do rio das palavras e ações fluentes da vida

E acho que acabo esquecendo que muitas coisas não adiantam nada para essa compreensão...


Às vezes, não adianta entrar num personagem do romance que estou lendo,

Ouvir longas histórias de pessoas mais velhas e experientes,

Assistir novelas, filmes, séries de tv, documentários científicos explicando banalidades,

Nem gritar ao mundo “eu entendi!” nas letras de canções que mostram as mesmas dores.


Às vezes, não adianta nada imaginar de maneira artística o que se passou...

Não adianta escrever contos ou versos, letras de canção...

Não adianta inventar causos e hipóteses que mostrem mil possibilidades...

Não adianta pintar quadros abstratos ou surrealismos, retratos de ilusões...

Não adianta desenhar linhas no escuro do teto da noite entrando no quarto...

Nem encenar a outra parte da peça em um teatro interno, cheio de fantasmas...


Não adianta nada a filosofia, o pensamento lógico, o cálculo

De todas as distâncias e dimensões, porcentagens, margens de erro,

Usar computadores celulares, ou outras invenções quaisquer, não!

Às vezes, não adianta nem dias vagos em deus boiando nas curvas do horizonte...

Nem fazer simulações e suposições, projeção, de você na pele do outro...

Tudo isso é só consolo e tentativa de entender outros mundos a partir do nosso...

Tudo isso é só especulação arbitraria e não serve nem sequer de binóculo.


Somente às vezes, para ver o outro lado do rio é preciso cruzar a ponte do olhar...

É preciso que alguém vire a mesa e jogue teu jogo contra você...

Tuas cartas, sentenças, intenções, táticas, estratégias, armadilhas, defesas e verdades...

Aí você se vê com as dúvidas e sentimentos do outro. Compaixão plena!

O que faço agora com minhas palavras, intenções e atitudes?

E, de repente, você conclui que nem você sabe lidar consigo mesmo...


Eu tive que passar pela brutalidade da prática

Já que a suavidade da teoria da regra de ouro nunca me disse nada...

E, pensando bem, até a poucas horas atrás, sempre me foi negada...


Mas se quer saber como eu me sinto, eu respondo que estou feliz!

Finalmente alguém falou minha língua secreta!

Encontrei alguém com quem posso ser eu mesmo

E que me desafia a enfrentar minhas próprias regras.


Mas estou triste, por que, finalmente, entendi a angústia que causei a tantos corações,

Durante a busca pelo bem desses mesmos corações, hoje tão cicatrizados!


E ainda me resta tanta coisa pra entender nesse mundo de relações encrespadas...

Que, agora, tenho até medo de sofrer...


Compaixão pela metade não basta pra se aprender a viver,

Mas talvez baste pra se ser feliz!

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Um conto

Sonho de Outono

Edgar Izarelli de Oliveira

Era um final tarde de Outono, o chão triturado de folhas coloridas parecia refletir a luz alaranjada do poente, era maravilhoso... Encantador... Mas nem todos os casais presentes ali, naquela praça, pareciam concordar com minha descrição... A maioria aproveitava o encanto pra se beijar ou conversar coisas suaves e sem sentido, mas um casal, apenas um casal, insistia em permanecer intocado pela beleza e inspiração daquela tarde...

- Então foi pra isso que você me chamou aqui, Edson? Toda aquela história de querer me mostrar uma coisa maravilhosa era uma mentirinha travessa pra me fazer vim aqui e ouvir você me pedir desculpa pela milésima vez? – dizia uma jovem mulher aos berros enquanto se levantava ríspida e alterada do lugar distante de um banco.- Eu já disse e vou repetir mais uma vez, EU NÃO VOLTO ATRÁS, NÃO DESSA VEZ!!! ACABOU!!! Entenda, nosso amor está no passado. Eu te amei muito, mas você não me valorizou... Não soube me amar...- ela parou a frase parecendo zonza e sem orientação.

- Você tem toda a razão, Francesca, toda a razão... Eu não soube te dar o valor que você merece, eu procurava a perfeição, admito, tá bom? Mas eu posso dizer o mesmo, ou quase, de você. Posso dizer que você não soube interpretar nem minhas palavras, e olha que as escolhi com cuidado de mestre, nem minhas ações...- disse ele calmo e sereno ainda sentado, a atitude dele parecia até fria e calculista, mas pela gravidade das palavras, pude perceber que a emoção saia inteiramente. Ele a amava e ainda ama... Ele ia dizer mais alguma coisa, mas ela não permitiu.

- Ok, ME DIZ ENTÂO COMO ERA PRA MIM INTERPRETAR ISSO... – e fazendo aspas com os dedos, ela continuou, ainda mais brava.- Francesca, estou apaixonado por outra mulher, alguém que tem tudo pra me fazer feliz. COMO VOCÊ QUERIA QUE EU INTERPRETASSE ISSO, EDSON? Eu te amo, Francesca? Acho que não...- ela parou e ficou olhando para ele.

- A questão é que EU NÂO DISSE ISSO, ou, ao menos, não exatamente isso, Francesca. Não usei essas palavras, usei!? O que eu disse foi: Francesca, estou encantado por outra pessoa que parece ter tudo pra me fazer feliz...- replicou ele em tom corretivo e, de novo. foi cortado por ela antes de acabar a explicação...

- Que diferença isso faz??? Encanto ou paixão?? No final são dois nomes para a mesma coisa: amor! Você que se considera o craque em matéria de sentido deveria saber disso. – disse ela muito zangada.

- Por mais que possa vir a ser amor, encanto é leviano. Paixão é mais profundo. E se você quer mesmo falar de sentidos, amor, pensa que sentido tem o verbo PARECER TER, pense se é diferente de TER DE FATO. Por que, pra mim, o que eu disse foi meio que uma ironia... Séria, mas feita pra se ler ao contrário... E não é segredo pra ninguém que quem tem tudo pra me fazer feliz é você e mais ninguém, Francesca!- disse ele finalmente mais alterado e se levantando do banco. Ela riu um riso forçado e discreto.

- Quer dizer que eu entendi muito mal mesmo, heim... Sabe qual é a questão? A questão não é o que você disse, nem que palavras usou, nem o que quis dizer com elas, Edson. A questão é que nunca se deve dizer à sua namorada que está encantado por outra pessoa, mulher ou não... Não se deve dizer certas coisas que... Esquece... Você não entenderia nunca mesmo.- ela o olhou com tanta raiva que parecia que queria matá-lo.

- Certas coisas que a sociedade desaprova porque a maioria não consegue entender... Desculpa se não te considerei parte da maioria e achei que você fosse entender... Mas tem razão! Não se deve ferir a etiqueta e protocolo do amor nem mesmo se for pra defendê-lo.- disse ele com força.

- Defender??? Você destruiu tudo o que sentia por você. Tudo. Mas, mesmo assim, ainda quis te deixar um pouco feliz, e te deixei livre pra perseguir a garota dos seus sonhos. – disse ela ironicamente calma.- Vai ser feliz, ela te ama mais do que eu te amei, não é? Ela sabe te entender, não sabe? Ela tem tudo que eu não tenho, não tem? Desejo felicidade ao casal...

- Seria melhor ter escondido de você e deixar o encanto crescer ao ponto de se tornar uma traição, não é mesmo, Francesca?? Você me pediu sinceridade e eu dei. Realmente, você me deixou livre pra perseguir a garota dos meus sonhos, você!- disse ele olhando nos olhos dela.- Pouco importa as imperfeições ou perfeições, se o que vale é o amor... É você que eu amo! Sempre escolhi ficar com você. E mesmo quando tudo se quebrou por um ou dois erros... Eu continuo amando e escolhendo você, o amor mais verdadeiro e sincero. Encantos todo homem tem, poucos são os que assumem... É a diferença.

- Olha, Edson, nada do que diga ou faça vai mudar as mágoas que você me causou nesses últimos meses... Você me excluiu de todas as redes na internet...

- E sempre te adicionei de novo!- retrucou ele com muita força.

- Desligava o telefone quando eu te ligava...- continuou ela.

- E sempre ligava de volta chorando...- respondeu ele já com lágrimas nos olhos.

- Me escreveu uma carta pedindo pra mim te odiar... Eu gosto de você, não poderia te odiar nem se eu quisesse...- disse ela chorando e virando de costas para ele.- Eu vou embora, tá bom? É isso o que você quer, meu anjo, então tô saindo da sua vida! Queria poder ser sua amiga... Manter ao menos um contato com você, você é especial pra mim... E sempre será...- entre soluços, ela deu alguns passos, depois disse mais uma frase em voz tão chorosa que quase não deu pra entender.- Seja muito feliz.

Ele caiu de joelhos ao chão e disse também de dentro de um choro desesperado:

- Francesca, fiz tudo isso pra que você me esquecesse e fosse feliz, mas olha pra nós, estamos chorando ainda, eu só serei feliz com você! Entenda, pelo amor de Deus, Eu amo você!! Mesmo você tendo dito que eu seria capaz de te fazer mal pra que você voltasse pra mim. Mesmo você achando que eu não presto mais pra nada, que sou o dono da verdade. Eu não quero sua amizade porque te amo como mulher Francesca... Perdoa minhas loucuras, mas por você só tenho o amor que nos quer juntos pra casar!

- Eu te amava assim, agora cresce e percebe que acabou... Parece criança mimada ai no chão berrando...- disse ela se virando num olhar fuzilante,

- È isso que eu sou! Uma criança...- respondeu ele olhando ternamente nos olhos dela, não se importando de ser fuzilado.- Uma criança que precisa do teu amor!

Ela até pensou em partir, pensou em deixá-lo sabendo que algum dia ele se recuperaria, ou assim ela esperava, mas essa última frase a deixou curiosa e ela não sabia qual o motivo... Ela se aproximou dele, devagar e incerta, mais de uma vez se perguntando se aquilo era certo... Ela olha nos olhos dele e seus olhos mudavam muito depressa de expressão. Ora maltratavam-no com sessões de raiva, ora acariciavam-no com a ternura da fé, ora não tinham ação nenhuma. Mas, era fato... Ódio e Amor se misturavam tão bem... E ela se deixou voltar rindo e perguntando a ele o que significava aquilo: um homem feito admitindo ser apenas uma criança mimada. Ao que ele responde com a mesma cortesia da época em que se conheceram, ali mesmo, naquele banco de praça:

- Perto de ti, não adianta tentar ser adulto, pois, sinceramente, você me faz feliz feito criança correndo até cair... E a dor, a dor é infantil. Absurdo te perder porque quis nos proteger.

- É paixão pura...- disse ela abaixando os olhos para dentro de si.- Ou amor de verdade? Mas eu posso tentar... Um pouco de fé...

Ela estendeu a mão a ele e ajudou-o a se levantar, depois apontou pra uma folha caindo ao vento e depois apontou pra uma estrela bem brilhante, a primeira no céu daquela noite. Os dois se abraçaram e se beijaram. E era simples assim, perdoar e recomeçar, por que as certezas são folhas ao vento, mas o amor dos dois corações era uma estrela forte pregada ao céu. De repente acordei da minha fantasia, meu sonho de outono... E a realidade me lembrou que as coisas, por aqui, são diferentes...

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Epifania- a descoberta de um ser

Epifania

Edgar Izarelli de Oliveira


Os tempos passaram, as coisas mudaram, você está com a certeza certa...

Eu estou no passado, eu sou um cavaleiro antigo a espera de uma donzela pra resgatar!

E, embora tudo tenha mudado, eu creio ainda na arte da alegria Celta!

E minha missão é ser esse passado nesse teu presente futurista e antiquado a cada dia.

Por mais longe que estejas, Milady, no tempo ou no espaço, estarei sempre contigo.

Quando precisares de um nobre medieval, basta entoar nossos cânticos secretos.


Eureca!

E, de repente, tudo faz sentido vago e inexpresso:

A alegação da diferença dos nossos tempos,

A barba longa, os cabelos crescidos, o porte e a inteligência...

A ligação com a divindade das almas, as flores, os cristais, as conchas e marés...

A magia, símbolos, as espadas e armaduras,

A poesia antiga que escrevo, os versos e as rimas ou métricas...

Conhecimentos abstratos se pegam no ar de uma canção...

As marcas de um jeito de viver as coisas mais intensamente,

Escrituras feitas com e por amor, tristezas, alegrias perenes ou morte, transformação,

A falta de musas internas com tantas se oferecendo nas esquinas de pedra...

O jeito de pensar, a maneira de sentir, as dúvidas e as certezas, o modo de agir,

Que ainda resguarda um pouco de cavalheirismo num mundo selvagem por natureza...

As virtudes nas quais acredito, a felicidade que busco, as confidencias...

O modo enfático e apaixonado da minha expressão, o modo de enfrentar as coisas,

As insistências inúteis de tropeçar com alguém que ainda crê na força das palavras,

As filosofias abandonadas, as dimensões e distâncias do sagrado, as lembranças...

A chuva de inverno, o gosto que a simplicidade lunar tem para mim, o Santo Graal!

A honra como ar, a sinceridade como sangue, a emoção como coração,

A crença como razão destinada a se cumprir, a fé faz a mente pura ou não...


E essa epifania, não me deixa outra escolha senão viver de esperanças,

Ou mudar tudo e renovar até arte da minha alma por novas lógicas de exclusão,

Ou, ainda, deixar tudo como está e acabar em pesadelo com cara de robô!

sábado, 30 de abril de 2011

poesia...

Cicatrizes

Edgar Izarelli de Oliveira


Meus olhos vermelhos imitam o brilho dos rubis no fundo do rio,

Quando olho, cheio de afetos mesclados, os retratos rasgados

Mostrando meus antigos sorrisos sinceros,

Meus olhares mais lúcidos em brilho de diamante,

Meu corpo com mais músculos e menos peso pra se carregar...


Mas veio a tesoura do destino cortando tudo,

Amigos, peças de teatro, namorada, versos, prosas, conversas e esperanças...

Todos os pilares foram repicados como se fossem folhas de papel velho.

E, nesse picadinho que fizeram da minha vida,

Rasgaram brutalmente meu riso das minhas faces,

Rasgaram a sanidade das minhas qualidades,

E a felicidade da minha vida.


E hoje ainda choro os sonhos cortados...

E hoje nem me reconheço mais...

O espelho me mostra tão fraco e sem vontade de lutar.

E eu já tentei recomeçar,

Mas, dos momentos que hoje se sucedem,

São raros os que enxergam a própria beleza...


E essa tristeza, que insiste em se expor ao mundo,

Na verdade, não sai do meu coração machucado...

E olha que é só reflexo externo do vazio que sinto...

E olha que já tentei quebrar os espelhos do mundo

Mas não consigo quebrar a força das minhas lembranças!

sábado, 2 de abril de 2011

1º Encontro Literário da Costa Sul..

Bom noite, gente!

Notícias de hoje com atraso de uma semana, mas acho que ainda merece ser divulgada, nem que seja como uma maneira de proposta de protesto...

Na sexta-feira, dia 25 de março, participei de um encontro de escritores da Costa Sul (não me perguntem porque “costa sul”) em São Sebastião, organizado pela Secretária da Cultura da cidade. O evento consistia em apresentação de novos livros. Eu apresentei “Infinitivos”, além de mim, participaram mais quatro autores: Césare Perroti (obra: Eu, cão), Aluisio Dias Lopes (obra: AII - A LINGUA LUZa), Aroldo da Hora (obra: Marcas do Sistema), Gianpaola Whitaker Guidotti (obra: “Barra do Sahy – 30 anos de uma aldeia”).

O evento, em si muito bem organizado, parabenizo e agradeço ao prof. João (organizador), proporcionou uma interação e compartibilização de idéias entre os escritores... Momentos de conversa produtiva em se tratando da criação literária e de seus propósitos, bem como discussão linguística, são importantes, sim, para os autores.

Entretanto, devo arriscar-me a dizer que não atingimos o objetivo esperado para aquela noite. Repito, o evento estava muito bem organizado, mas o público infelizmente compareceu em minoritária parcela se compararmos ao número de convidados...

Infelizmente, nossa brava gente brasileira ainda não tem cultura suficiente para valorizar seus livros e, falando francamente, valorizamos só aquilo que está na mídia... Eu não me excluo tanto disso, também sou jovem... Mas creio que se a mídia, principalmente a televisiva, mais especificamente as grandes potencias da TV, valorizasse mais a nossa ARTE atual, dando mais opções ao nosso campo intelectual, mais teríamos a cultura de valorizar o que é nosso, e as pessoas frenquentariam mais eventos realmente culturais... Falta divulgação. Falta a mídia cumprir seus papel social de oferecer mais a quem tem pouco, mas com qualidade e não democracia populista, como faziam na antiga Roma e se faz até hoje na s grandes emissoras de TV, entretenimento barato para fazer o povo esquecer os problemas e/ou incentivando coisas que não são sociavelmente agradáveis. Sim, isso é um protesto!

Boa noite, um abraço.

Desligo por hoje!

sábado, 19 de março de 2011

Poesia para refletir.

Bom dia, pessoas, que saudade! ... Tive uma crise muito forte de inspiração, por isso me afastei um pouco. Parece que agora ela está voltando, ainda tímida e sem jeito, mas, ao menos, está voltando.

A poesia dessa manhã de sábado, escrita ontem à noite ou hoje de madrugada, é resultado de uma busca intensa que fiz dentro de mim. Depois de algumas situações que a vida, ou Deus, nos prepara, experiencias que até podiamos viver sem culpa , na maioria das vezes, e não conseguimos... Não por que estamos presos ao passado ou ao futuro, mas por que aquilo simplesmente não tem o plano do conteudo ou, se tem, não é tão forte e não é tão gostoso de viver, deixando só a forma vaga daquilo que não o é ...

Eu, como pessoa, me conmsidero um poeta e, nesse ponto, personalidade, prazer e profissão se misturam em uma só coisa indivisível. Não gosto muito de coisas superficiais e passageiras, sou amante das coisas intensas que deixam marcas profundas por mais dolorosas que sejam elas. Para mim, como para Lucas, o corpo só é bom enquanto tem siginifiocado; quando se torna significante puro, já não importa mais o prazer que me dá, vou sentir falta, saudade, vou desejar de volta as palavras e os gestos simples de Stella que deixei no altar, suspensa sobre as dúvidas que me traz um corpo ardente de uma mulher mais velha. E depois? Tenho que depurar minha alma.. Para desc obrir um novo sentido para mim e para o mundo...

Francamente, estou aqui limpando minha alma e revirando minhas mentiras internas... Já sei o que eu quero. A questão é que, como aconteceu com Lucas & Stella, também não dei o devido valor ao que de mais valioso que um homem pode sentir. Achava que existia algo além e hoje vejo o quão bestia pode ser a ambição humana. A diferença é que nos contos posso fazer Saturno representear Lucas com mais do que perdeu, aos poucos, bem lentamente, por merecimento. E na vida real? Será que Deus tem um pouquinho de Saturno dentro de si? Quero acreditar e ter fé que sim!

Tudo isso é metáforio, gente.. Encarem como um depoimento secreto de um homem que nunca existiu no Retorno de Saturno.

Bom, quem conhece meu trabalho sabe que existem constantes e fases. Amor, Vida, Paixão, Amizade, Morte e Realidade, se confuidem e se entrelaçam o tempo todo na minha poesia e prosa. Agora vos apresento "O Templo Gigante da Minha Alma Pequena", tem a ver com tudo que escrevi acima e mais ainda, faz um oposição entre o que as pessoas acham que sou e sou de verdade.

O Templo Gigante da Minha Alma Pequena

Edgar Izarelli de Oliveira


Milhões de almas já passaram diante desses portões trancados.

O centro das inexplicáveis adorações...

O paradigma mais próximo da fé.

Acreditam que o que quer que esteja preso ali dentro é brilhante

Sem se atrever a pensar que pode ser algum monstro...

E esperam ansiosos pela chave das portas.


Milhões de almas já passaram aqui,

Cada qual com sua história e sua interpretação,

Cada qual com seu ritmo, seu jeito, sua mania,

Cada qual com suas esperanças de rever o segredo fechado,

Cada qual portando em sua oferenda o desejo de possuir um pouco mais de mim.


Algumas me trazem palavras cheias de brilho.

Algumas me deixam pequenas estatuetas de vidro;

Algumas me escrevem pequenos versos de romantismo,

Enquanto outras, mais ardentes, preferem me dar a realidade de uma noite a dois.

Outras ainda me deixam abraços zelosos e atitudes amigas...

Outras, mais desesperadas, falsificam chaves pra abrir meu coração

Ou tentam arrombar a porta a tapas e pontapés...

Estas, coitadas, se abrirem a porta encontrarão o silêncio mortal

E não terão nada mais que um minuto olhando pilastras tortas.

Só aquela que tem a chave da sutileza abrirá a porta desses mil anos.

Todos a esperam com a fé inabalável de criança em noite de natal.


Milhões de almas já passaram por aqui... E de que adianta?

As paredes escuras desse templo não pedem oferendas ou provas de fé!

Não quero receber romarias pagando promessas

Nem ser centro de peregrinos famintos de milagres.

Não sou milagreiro, sou homem comum, homem que ama, que faz versos,

Homem de simplicidades em complexos emaranhados...

E, acima de tudo, homem que espera a liberdade voltar.


Mas entre milhões de chaves de metal, pés-de-cabra e grampos-de-cabelo,

Ainda não voltou o amor sincero.

Ainda sou um templo de segredos fechado para visitantes.

terça-feira, 1 de março de 2011

Hipnose - Edgar Izarelli de Oliveira

Aula de literatura,

Sala grande e silenciosa,

Barulho de ventilador sussurrando

O vento que toca suavemente a pele,

O professor de cabelos brancos

Distante, lá no meio da sala, falando baixo e lentamente,

Com voz grave, discutindo o que já não precisa de discussão

E repetindo as mesmas explicações...

Velhos livros e conceitos antigos tentam resumir a modernidade...

Canetas escrevem incansáveis...

De frente para janela, lá fora a chuva fina molha o vidro...

As folhas balançam sopradas pelo vento natural do Outono chegando...

Belas pernas femininas balançam devagar,

Distração completa e sensual...

Chamado ao reino dos sonhos...

Meus olhos caindo, minha mente cochilando,

Meus músculos dando espasmos e minhas lembranças acordando

De outros tempos para este, sem regras, sem risos ou lágrimas...

Para que um relógio de bolso pra lá e pra cá?

Pra que olhar nos olhos?

Pra que hipnose?

Já tenho aula de literatura…

Só me resta…

Dormir...


(escrita hoje, durante a aula de literatura... rsrsrs)

abraços, galera
Ed

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Além disso...

Bom dia, pessoas.

Como sabem, lancei o livro "Infinitivos", recentemente. O livro está à venda no site da editora, clique AQUI e confira! Vou preparar uma página de links das editoras pra quem quiser adiquirir meus livros.
Mas, além do lançamento, dei uma palestra no colégio Tancredo Neves, Ubatuba. Na ocasião, última terça-feira, conversei com alunos da antiga 8ª série. Conversamos sobre a importancia de ler, o prazer de escrever. Tentei incentivar os novos talentos da literatura a quebrarem o casulo e voarem, mas não sei se consegui. Tenho que relatar um comentário de um aluno. Disse que uma de minhas poesias lembra a biblia. Achei muito relevante o comentário, não por ser comparado a biblia. Na verdade, eu sei o porquê desse comentário, mas, pra mim, tocou bem mais profundo do que mera conjugação verbal. A biblia usa a 2ª pessoa, an poesia eu também uso a mesma conjugação. Mas, fiquei pensando, por que a biblia? Referência mais próxima talvez. A questão é que a biblia tal qual e como é utilizada hoje, ou há pelo menos 1700 anos, prega justamente o contrário da minha poesia, mas pensei nas origens judaicas e vi que não está tão distabte assim, pensando na biblia como metáfora, claro.

Foi bem legal, interativa, a palestra. Agradeço ao Tancredo pela oportunidade.

Gosto muito de trabalhar com jovens. Por isso estou desenvolvendo um projeto para incentivar a criação literária entre esse público promissor.

Além disso, postei hoje na galeria as fotos do lançamento.


Abraços gente!
Ed

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Infinitivos: Onde Tudo é Possível. A Festa

Buh!!!

Boa noite, pessoas!!!

Eis que resolvi aparecer feito assombração. Voltando das tumbas do além... “O poeta não morreu, foi ao inferno e voltou! Conheceu os jardins do Éden e os cantou!” CAZUZA!!!

Não, agora é sério... Desculpem a demora para compartilhar com vocês o lançamento do meu livro. Problemas pessoais, resolvendo coisas da vida acadêmica também... fora a viagem.

Mas, vamos voltar ao trabalho, lentamente...

Bom, o lançamento de “Infinitivos”, no último dia 12, foi o que eu chamaria de evento completo, ou quase, faltou arte visual... Mas também não teria muito onde expor...

O vento foi bem organizado pelo pessoal da base do Projeto Tamar de Ubatuba em parceria com a Fundart. Deixo meus agradecimentos à equipe do Tamar, principalmente ao Bruno, e ao Pedro Paulo, diretor da Fundart.

Agradeço também aos convidados que deram tanto brilho à festa! Falo dos convidados em geral. Afinal, lançamentos são como batizados; é a apresentação de uma criação metade humana metade divina a um mundo exterior. Os convidados são as pessoas que primeiro recebe essa criação. Me sinto grato por ter tantas pessoas que podem receber meus livros de braços tão abertos, e com a mente tão aberta, com o coração tão disposto a entender essa possibilidade nova de vida. (risos) Falando assim, parece mesmo que é mais do que um livro...

Certos convidados ainda prestaram homenagens, mesmo sem me conhecer... A eles ainda mais grato estou... Declamar poesia é difícil, é uma arte à parte! E realmente os convidados especiais da noite conseguiram me emocionar muito declamando poesias de livros passados. A homenagem realmente foi linda!

Julinho Mendes abriu a cerimônia cantando “Mais que Amor” numa melodia animada composta por ele. Após isto, minha mãe, Denise Oliveira, apresentou minha trajetória de vida. Em seguida, José Carlos Góis, Marisa Taguada e Tia Helô declamaram as poesias: “Lhe Pedirei”, “Só Saudade” e “Travesseiro”. Para finalizar, eu expliquei as idéias centrais do novo livro. Foi realmente lindo...

Quero agradecer de todo o coração aos meus amigos e minha família que tanto me deram forças nesse momento difícil pra continuar ao menos minha carreira. E agradeço a Deus por tudo!

Abraços galera!

Ed


(em breve fotos)